Quarta-feira, 22 de Junho de 2011
Homem e poeta

Sonhador (imagem obtida no Google)

 

De quando em vez remo

Contra a aragem sangrenta dos tempos

Tomando asas de condor

A rasgar o horizonte e a esculpir

Estátuas hermafroditas

No centro rochoso das praças nuas.

 

Libo os néctares das estepes

Que se erguem na orla das imagens

Peregrinas que navegam as dores insolentes

No limbo da amálgama dos dias

Entre a embriaguez e a demência

Matizada dos canteiros de açucenas.

 

Disfarço as rugas e as mazelas maquilhando

De sorrisos a raiva e a revolta

Enquanto nos mastros dos teatros drapejam

Bandeiras esfarrapadas e sinistras

Que anunciam tréguas, como farrapos brancos

De rendição e despojamento.

 

No chão esquálido a minha sombra irreverente

Mima cada movimento que faço

Reproduzindo os volteios com que preencho

As arestas de todos os silêncios selvagens

E adorno de carinhos a aridez de todas as texturas

E as cores de todos os alvores inesgotáveis.

 

Já não me lembro de como se faz adeus

A um barco que levanta ferro dum cais vazio

De beijos e inundado de abraços e lágrimas!

Já não me apetece fingir com palavras de filigrana

As ondas de desejo e vacuidade que incendeiam

As largas avenidas e as estreitas vielas de inquietude.

 

Se sonhar for alternativa,

Deixem que me enrosque em posição fetal

E, divagando no líquido amniótico da minha loucura,

Atinja a gruta sofrida do meu emergir renovado:

- Homem apenas homem…

Poeta, o quanto baste ser poeta!

 

 

Em 21.jun.2011, pelas 00h30

PC


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publicado por Paulo César às 00:40
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Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009
Silêncio quebrado

 

Se todo o silêncio se quebrar

em pedaços miudos

indefinidos

incapazes de retomarem a forma

anterior...

 

É porque terá morrido um poeta

num lugar inóspito da Via Láctea,

à beira dum precipicio de sonhos

incontroláveis,

ao rés da maré cheia dum mar

sem nome,

no cume duma montanha

amante da lua nova,

num canto solitário e estridente,

onde as palavras sonoras

se espraiavam por si mesmas

em danças de rimas que não eram,

enquanto a noite inundava

as casas espantando o sono

de todos os loucos!

 

Morto o Poeta,

Viva o Poeta!

 

Que todas as palavras poema

são dignas das condolências

do silêncio quebrado!

 

by Paulo César, em 17Dez.2009, pelas 21h15

 


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publicado por Paulo César às 21:21
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