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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

22.06.11

Homem e poeta


Sonhador (imagem obtida no Google)   De quando em vez remo Contra a aragem sangrenta dos tempos Tomando asas de condor A rasgar o horizonte e a esculpir Estátuas hermafroditas No centro rochoso das praças nuas.   Libo os néctares das estepes Que se erguem na orla das imagens Peregrinas que navegam as dores insolentes No limbo da amálgama dos dias Entre a embriaguez e a demência Matizada dos canteiros de açucenas.   Disfarço as rugas e as mazelas maquilhando De sorrisos a raiva e (...)
18.04.10

Incerteza permanente


  quase sempre o pudor outras tantas o medo a submissa vontade o constante degredo   dum lado o silêncio do outro a magia nos olhos perfume nas mãos melodia   e palavras sem dono a escorrer em cascata até mesmo no sono nascidas sem data   imagens sem cor ciganas, vadias a encher de odor as margens dos dias   pedras de metal madeiras de rocha linhos de burel luzeiros de tocha   avoengas dores e tantas insónias furtivos lavores em colunas jónias   c (...)
05.03.10

Intento


  Não me quero coibir das palavras, nem aventar as ideias para o degredo...   Morre cedo quem se entrega à clausura do anonimato de si mesmo!   Em 05.Fev.2010, pelas 09h15 - PC
17.12.09

Silêncio quebrado


  Se todo o silêncio se quebrar em pedaços miudos indefinidos incapazes de retomarem a forma anterior...   É porque terá morrido um poeta num lugar inóspito da Via Láctea, à beira dum precipicio de sonhos incontroláveis, ao rés da maré cheia dum mar sem nome, no cume duma montanha amante da lua nova, num canto solitário e estridente, onde as palavras sonoras se espraiavam por si mesmas em danças de rimas que não eram, enquanto a noite inundava as casas (...)
19.10.09

Palavras escolhidas


  Construo com palavras poemas de palavras, só de palavras, apenas de palavras... E quando as palavras esgoto busco mais palavras para que com palavras faça os poemas que as palavras acabam por dizer. Tanta palavra dita, tanta palavra escrita, tanta ainda por acontecer!   by Paulo César, em 13.Out.2009, pelas 20h30
28.09.09

Amor por outras palavras


  Quero falar-te de amor com palavras simples, escorreitas, lustrosas e puras, sem trejeitos, como se falássemos da chuva que fustiga as vidraças; ou do vento que sopra nos ramos desfraldados das árvores hirtas; ou do luar manso e cândido que inunda as noites frias; ou das águas continuamente limpidas dos ribeiros silenciosos, onde as rãs procriam e coacham sem regras; ou das viagens que não fizemos, porque o sonho morreu em si mesmo; ou da (...)
04.09.09

Almofada de palavras


  Desnudo-me das palavras breves e incorporo a essência das sonoras, pesadas, longas, sorvendo a musicalidade e o timbre das suas reentrâncias, como baías azuis sob o firmamento pardo. Toco-lhes, sorvo-as, acaricio-as e como malabarista de sonhos desenho a realidade que sou na crueza alvar das folhas planas. Espelho-me... Escancaro portas e postigos... Dou-me sem regatear e vibro na emoção de saber-te perto, quando o abraço prende, encadeando hipnoticamente, o nosso olhar!
03.07.09

O suor das palavras


  Pedra sobre pedra Construção Ou só rumor Argamassa que nos prende Alvoroço Canto e desencanto Alegoria Penedo da saudade Maresia E umas asas de voar a medo Na sincopada cadência Dos dias inteiros Com sinais de fogo No peso das horas.   Maré-cheia de auroras Viagem sem regresso Utopias E um sono lento Nas noites de vela Com estrelas cadentes Penduradas No firmamento E murmúrios de solidão Em deambulações De poeta.   Papel branco Apenas E de alto abaixo O suor das palavras Es (...)
27.06.09

Palavras paridas


  Ponho nas palavras Asas de gavião ou albatroz E lanço-as, desnudas, Ao encontro das ruas apinhadas, Como se fossem plumas.   Por vezes escorrem dos dedos, Como o suor no corpo em esforço, E caiem desamparadas No lajedo das praças, Aos pés das estátuas.   Momentos há em que recusam Sair do seu torpor de palavras E fincam amarras e cadeias Que só a inspiração dum momento, Como um clique, É capaz de rebentar.   Mas, sempre que as palavras Se soltam e libertas vão Por aí (...)
27.06.09

Palavras...


  Simples palavras de vento, Momento Que passa nas asas do agoiro.   Imorredoiro é o sonho Que fica Para além das palavras Ditas, Reditas, Escritas, Contritas, Aflitas, Bonitas.   Enfim… palavras!   by Paulo César, em 07.Maio.2009, pelas 21h00