Segunda-feira, 22 de Março de 2010
Passos no trilho velho

 

Palavras... Sentimentos... Desejos...

Luz que inunda e dissipa a névoa...

Manhã a despontar... Noite a descer...

E um grão de saudade

a germinar nos olhos vazios

como erva daninha na seara dos sonhos!

 

Ao acaso lanço perguntas no silêncio

a querer que o eco traga as respostas

que nunca encontrei

apesar da penosa busca!

 

Lastro de dúvidas...

Tantas e tão fortes

que me despeço da vida

a pedir perdão

rezando uma novena de credos

que perderam fulgor

com o passar dos anos!

 

Só restam as sombras

dos nossos corpos apaixonados

teimando ainda...

 

E já não há futuro!

Apesar da memória...

 

by Paulo César, em 22.Mar.2010, pelas 23h30


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publicado por Paulo César às 23:41
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Qual liberdade?

 

Quando me apetece sonhar
Sento-me no chão
Para sentir pulsar a terra
E adivinho o fervilhar dos formigueiros
Na azáfama de garantir o futuro.
 
Levanto voo nas asas duma rola brava
E poiso saltitando com um pardal inquieto
Numa roseira brava da beira do caminho.
Ensaio a medida da distância que vai
Do meu lugar ao ponto mais distante
Do horizonte
E preencho o tempo lançando beijos
A todos os insectos que passam por mim
Indiferentes ao meu desvario.
 
As plantas ao redor nascem, crescem e morrem
Apesar da minha presença
E uma flor lilás, de que não sei o nome,
Acolhe, num abraço extasiado,
A visita duma abelha ladina
Que a vai polinizar…
- Amam-se sem preconceitos os dois
Apesar da indesmentível poligamia do insecto!
 
Eu sinto-me privilegiado por ser livre
E poder sentir o sopro suave da aragem
Que passa sem me dar palavra,
Na pressa de chegar, nem ela sabe onde.
Aconchego-me sob a copa dum carvalho velho
Que, por entre os braços estendidos dos ramos,
Deixa que o sol me enlace
Num jogo de luz e sombra.
 
Algures um canário trina
Como se pedisse socorro…
Abro os olhos e lanço a atenção para longe,
Na direcção do grito canoro
E dou-me conta do óbvio:
- O infeliz está preso numa gaiola dourada
Suspenso do lado de fora de uma janela fechada
E chora
Naquele seu cantar de encantar!
 
E eu que me sinto livre fico preso do grito
E num trinar de assobio
Respondo ao seu desafio…
E por momentos sou a irmã ave
Da ave minha irmã
Que reclusa e só
Olha o espaço largo a que pertence
E canta para dizer:
- Tenham dó!
 
E se o sonho era o sonho foi
E de volta ao real concluo:
Nem o canário terá a liberdade reclamada,
Nem eu aquela tantas vezes sonhada!
  
by Paulo César, em 01.Jul.2009, pelas 18h30

sinto-me: interrogativo
Palavras chave: , , ,

publicado por Paulo César às 19:16
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