Quinta-feira, 20 de Maio de 2010
Negação...

Nego-me quando digo sim...

e invento um sorriso

para dizer futuro

e ganhar asas de subir

aos confins do infinito

e descobrir uma nova

estrela

mais brilhante ainda

que o teu olhar doce.

 

Nego-me para afirmar

as palavras que guardo

no esconso do meu sentir

de modo que possa saber sempre

quanta distância existe

entre o teu sorriso

brilhante

e o meu olhar ausente.

 

Nego-me quando te beijo!

E às vezes quando te amo!

E tantas outras quando penso

que é negando que me dou

sem medo de me afirmar

teu!

 

by PC, em 20.Mai.2010, pelas 20h30


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publicado por Paulo César às 20:23
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Sexta-feira, 16 de Abril de 2010
primeiro amor

 

ao sorriso junto

os teus olhos claros

e uma nuvem suspensa no azul

a jogar com o sol

envergonhado

ao esconde-esconde.

 

depois tomo-te a mão

e carregados dum sonho

sem mácula

seguimos rumo ao paraíso

nas asas rebeldes

duma andorinha negra

 

acendemos a fogueira

da paixão

junto aos plátanos

da beira rio

murmurando palavras

doces e comuns

 

fazemos caminhos novos

pelas rua velhas

onde plantamos beijos

e guardamos os segredos

mais secretos

sob as arcadas dos prédios

onde nos abrigamos do calor

ou da chuva

 

com os olhos nos olhos

dizemos adeus

implorando um minuto mais

um outro beijo

ou uma palavra gasta

de tão repetida

 

e mesmo quando ficamos em silêncio

o grito agrilhoado que se ergue

na convulsão da saudade

anunciada

é aquele ridiculo

AMO-TE

 

que nenhum dicionário tem

palavras novas

que possam querer dizer

amo-te.

 

by Paulo César, em 15.Abr.2010, pelas 22h00


sinto-me: saudoso
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publicado por Paulo César às 21:52
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Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010
Nu e só


Faltas-me tu

e sinto este nó

vazio de estar nu

ausente de estar só


teu olhar eu procuro

na ausência feroz...

esbarro no eco duro

que ficou da tua voz


tua mão dizendo adeus

teu corpo todo tremendo

e um beijo solto nos céus

que solto se foi perdendo


aquela lágrima bravia

a cavar a tua face

e eu calando a agonia

na sombra do desenlace


estou tão só

calado e nu

a remoer a saudade


daninho o medo o dó

grita teu nome mas tu

estás lá longe e na verdade


não ouves meu grito mudo

não escutas este meu brado

que de tão forte e agudo

é como um gume afiado


sei agora em desespero

o quanto valor escondes

mas se te chamo, se te quero

porque não me respondes?


que promessas te farei?

que  compromissos jurar?

muito deste, pouco dei,

será que tenho ainda para dar?


talvez devesse assumir

uma decisão apenas:

amar-te sem discutir

coisas vãs, vagas, pequenas!


estou só

faltas-me tu

sinto dó

acho-me nu.


PS: Recupera rápido! Eu estarei aqui!

 

by Pau César, em 20.Jan.2010, pelas 11h30


sinto-me: solitário e ingrato
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publicado por Paulo César às 11:31
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Domingo, 10 de Janeiro de 2010
Soneto apenas

 
Do amor, as palavras gastas…
Do silêncio, os rumores perdidos…
Do adeus, as lágrimas frias…
Do sonho, as sombras translúcidas…
 
Da terra, o pó levantado…
Do sol, a constância da luz…
Do mar, a salina fragrância…
Da lua, os mitos antigos…
 
Dos teus olhos, o azul quase céu…
Do teu corpo, a pele ainda seda…
Da tua alma, a aura de vestal…
 
Do tempo, o reinado infinito…
Do espaço, o gigantesco apogeu…
Do Homem… o bem e o mal!
 
by Paulo César, em 10.Jan.2010, pelas 16h45

 


sinto-me: pensativo
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publicado por Paulo César às 17:51
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Cadafalso

 
Vagaroso arrasto o tempo
Para o cadafalso
Dos sem perdão ou misericórdia.
 
Espero apenas o teu sorriso breve
Ou o teu adeus envergonhado
Lançado num gesto de mão
Abandonada
Que cortará o ar suave
Do horizonte sem nuvens.
 
Sigo em passos automáticos
Que me levam adiante
Ao estrado dos condenados.
 
Vou livre de todo o peso
Da vida
Cismando os momentos
Que entreguei à paixão
Como se quisesse apossar-me
Da eternidade.
 
Resta-me o tempo breve
Do último desejo...
E não sei senão desejar
O teu olhar bravio
A penetrar o meu olhar perdido
Que se apossa da vastidão
 
Para morrer empanturrado
Das poderosas flores do campo
Do voo das aves sinceras
Dos sons sibilinos dos cães vadios
Do rumor ditatorial das águas correntes
Do ribeiro sonolento da minha meninice...
 
E da frescura penetrante
Do silêncio do fim da tarde
Quando o sol se plantava na orla
Do horizonte dizendo adeus de mansinho
Enquanto bailava com a lua
Num esconde-esconde de quarto crescente!
 
Já não sei de mim senão a saudade
E a memória...
Mas apetece-me tanto
Gritar que te amo até parecer louco...
Ah, não fora este crime da paixão assim
E teríamos ainda o tempo todo para o amor!
 
by Paulo César, em 03.Jan.2010, pelas 15h45
 


sinto-me: pensativo
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publicado por Paulo César às 17:48
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Oração (em voz alta)

Páro!

E quando já nada me apetece pensar

volto-me para o sol envergonhado,

no esconde-escode das núvens negras

e penso ainda...

 

E retomo a caminhada

na lenta passada dos dias

adivinhando a saudade

enquanto a chuva diluviana

sacode o silêncio poeirento

do Outono cinzento.

 

E olhando em redor

levanto as mãos em prece

e agradeço

uma vez ainda repetida e teimosamente

a luz e a treva

o sorriso e as lágrimas

o ser racional

e o ente espiritual

que me dá asas para ser livre

mesmo quando as palavras

me envolvem no silício

das regras sem fundamento.

 

E quando rezo

voo

e é nas asas da lonjura

que a alma me devolve

à terra

para amar sem medida

o que não tem tamanho.

 

by Paulo César, em 19.Nov.2009, pelas 22h00

 


sinto-me: grato
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publicado por Paulo César às 22:01
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
Amor por outras palavras

 

Quero falar-te de amor

com palavras simples,

escorreitas,

lustrosas e puras,

sem trejeitos,

como se falássemos da chuva

que fustiga as vidraças;

ou do vento que sopra

nos ramos desfraldados

das árvores hirtas;

ou do luar manso e cândido

que inunda as noites frias;

ou das águas continuamente limpidas

dos ribeiros silenciosos,

onde as rãs procriam

e coacham sem regras;

ou das viagens que não fizemos,

porque o sonho morreu em si mesmo;

ou da música que se solta

em todos os recantos nocturnos,

sem que se saiba do maestro

ou dos instrumentistas;

ou das aves que voam,

que gritam,

que cantam

e nidificam nos saborosos

lugares do assombro;

ou das altas montanhas

onde a urze cresce e a rola

se espreguiça dona do espaço agreste;

ou das hortas frescas

onde a água corre em regadeiras

estreitas e a sede se entrega vencida;

ou da algazarra das crianças

em bandos, em turbilhão,

lançando vozes que ferem o presente

na peugada dum porvir

desenhado a lápis de cera;

ou da cadência arrastada dum caminhante

cuja força se perde entre um e outro passo,

porque a velhice lhe tolhe os movimentos.

 

Ou de como é fácil ser louco

quando se busca uma forma nova de dizer

amor

com palavras tão iguais

a si mesmas, que se estranha

o ritmo e a musicalidade

das consoantes e das vogais

na cadeia consequente do poema.

 

by Paulo César, em 28.Set.2009, pelas 17h30

 


sinto-me: leve e feliz
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publicado por Paulo César às 18:24
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Tu e eu, somos nós

 

No silêncio dorido,

da separação impossível...

Na distância breve,

do “adeus, até logo”...

No murmúrio vagaroso,

dos afectos sublimados...

No olhar adormecido,

com que fitamos distâncias...

Na mão transpirada,

com que lançamos beijos...

Nas palavras bravias,

com que defendemos ideias...

Na sombra inquieta,

que nos segue impiedosa...

Nas certezas infantis,

a quem damos colo...

No templo do amor,

onde nos tornamos loucos...

No tempo das quimeras,

onde construimos

e concretizámos

sonhos:

Tu e eu, somos nós!

 

by Paulo César, em 28.Set.2009, pelas 13h25

 


sinto-me: enfeitiçado
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publicado por Paulo César às 13:49
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Quinta-feira, 11 de Junho de 2009
Amo-te, porque sim...

 

Busquei nos alfarrabistas
A síntese da fórmula,
Em livros sem idade…
 
Em sociedades secretas
Pesquisei mantras e códigos
Vetustos…
 
A bruxas e magos
Perguntei sobre rezas e esconjuros
Estranhos…
 
Descodifiquei palavras simples
E textos complexos,
Em tomos de mestres…
 
E rendido ao espanto
Que me torna escravo deste bem-querer,
Simplesmente conclui:
 
- Amo-te, porque sim…
 
Em 11.Junho.2009, pelas 09h45

sinto-me:

publicado por Paulo César às 11:10
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Sábado, 6 de Junho de 2009
H I N O

 

Quando, para escrever amor,
Tiver esquecido as palavras,
Lembrar-me-ei do teu nome
E, no vagar das horas,
Trilharei veredas de memória,
Até esculpir o esboço do teu corpo
E a aura do teu olhar,
Que acenderão em mim
O murmúrio do silêncio
E o caudal dos beijos…
 
Naturalmente
Construirei um hino
Imortal!
 
by Paulo César, em 06.Jun.2009, pelas 19h30

sinto-me: destemido
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publicado por Paulo César às 19:37
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