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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

20.05.10

Negação...


Nego-me quando digo sim... e invento um sorriso para dizer futuro e ganhar asas de subir aos confins do infinito e descobrir uma nova estrela mais brilhante ainda que o teu olhar doce.   Nego-me para afirmar as palavras que guardo no esconso do meu sentir de modo que possa saber sempre quanta distância existe entre o teu sorriso brilhante e o meu olhar ausente.   Nego-me quando te beijo! E às vezes quando te amo! E tantas outras quando penso que é negando que me dou (...)
16.04.10

primeiro amor


  ao sorriso junto os teus olhos claros e uma nuvem suspensa no azul a jogar com o sol envergonhado ao esconde-esconde.   depois tomo-te a mão e carregados dum sonho sem mácula seguimos rumo ao paraíso nas asas rebeldes duma andorinha negra   acendemos a fogueira da paixão junto aos plátanos da beira rio murmurando palavras doces e comuns   fazemos caminhos novos pelas rua velhas onde plantamos beijos e guardamos os segredos mais secretos sob as arcadas (...)
20.01.10

Nu e só


Faltas-me tu e sinto este nó vazio de estar nu ausente de estar só teu olhar eu procuro na ausência feroz... esbarro no eco duro que ficou da tua voz tua mão dizendo adeus teu corpo todo tremendo e um beijo solto nos céus que solto se foi perdendo aquela lágrima bravia a cavar a tua face e eu calando a agonia na sombra do desenlace estou tão só calado e nu a remoer a saudade daninho o medo o dó gri (...)
10.01.10

Soneto apenas


  Do amor, as palavras gastas… Do silêncio, os rumores perdidos… Do adeus, as lágrimas frias… Do sonho, as sombras translúcidas…   Da terra, o pó levantado… Do sol, a constância da luz… Do mar, a salina fragrância… Da lua, os mitos antigos…   Dos teus olhos, o azul quase céu… Do teu corpo, a pele ainda seda… Da tua alma, a aura de vestal…   Do tempo, o reinado infinito… Do espaço, (...)
10.01.10

Cadafalso


  Vagaroso arrasto o tempo Para o cadafalso Dos sem perdão ou misericórdia.   Espero apenas o teu sorriso breve Ou o teu adeus envergonhado Lançado num gesto de mão Abandonada Que cortará o ar suave Do horizonte sem nuvens.   Sigo em passos automáticos Que me levam adiante Ao estrado dos condenados.   Vou livre de todo o peso Da vida Cismando os momentos Que entreguei à paixão Como se quisesse apossar-me Da eternidade.   Resta-me o tempo breve Do último desejo... E (...)
19.11.09

Oração (em voz alta)


Páro! E quando já nada me apetece pensar volto-me para o sol envergonhado, no esconde-escode das núvens negras e penso ainda...   E retomo a caminhada na lenta passada dos dias adivinhando a saudade enquanto a chuva diluviana sacode o silêncio poeirento do Outono cinzento.   E olhando em redor levanto as mãos em prece e agradeço uma vez ainda repetida e teimosamente a luz e a treva o sorriso e as lágrimas o ser racional e o ente espiritual que me dá asas para (...)
28.09.09

Amor por outras palavras


  Quero falar-te de amor com palavras simples, escorreitas, lustrosas e puras, sem trejeitos, como se falássemos da chuva que fustiga as vidraças; ou do vento que sopra nos ramos desfraldados das árvores hirtas; ou do luar manso e cândido que inunda as noites frias; ou das águas continuamente limpidas dos ribeiros silenciosos, onde as rãs procriam e coacham sem regras; ou das viagens que não fizemos, porque o sonho morreu em si mesmo; ou da (...)
28.09.09

Tu e eu, somos nós


  No silêncio dorido, da separação impossível... Na distância breve, do “adeus, até logo”... No murmúrio vagaroso, dos afectos sublimados... No olhar adormecido, com que fitamos distâncias... Na mão transpirada, com que lançamos beijos... Nas palavras bravias, com que defendemos ideias... Na sombra inquieta, que nos segue impiedosa... Nas certezas infantis, a quem damos colo... N (...)
11.06.09

Amo-te, porque sim...


  Busquei nos alfarrabistas A síntese da fórmula, Em livros sem idade…   Em sociedades secretas Pesquisei mantras e códigos Vetustos…   A bruxas e magos Perguntei sobre rezas e esconjuros Estranhos…   Descodifiquei palavras simples E textos complexos, Em tomos de mestres…   E rendido ao espanto Que me torna escravo deste bem-querer, Simplesmente conclui:   - Amo-te, porque sim…   Em 11.Junho.2009, pelas 09h45
06.06.09

H I N O


  Quando, para escrever amor, Tiver esquecido as palavras, Lembrar-me-ei do teu nome E, no vagar das horas, Trilharei veredas de memória, Até esculpir o esboço do teu corpo E a aura do teu olhar, Que acenderão em mim O murmúrio do silêncio E o caudal dos beijos…   Naturalmente Construirei um hino Imortal!   by Paulo César, em 06.Jun.2009, pelas 19h30