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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

18.08.12

Auto-dissecação



 

Não há gritos nem silêncios

Suspensos dos meus olhos de acreditar

Há palavras maduras que se esgotam

Pingo a pingo

Na paulatina espera das auroras futuras

Quais caixas de Pandora que se abrirão ao amanhecer

De um qualquer dia sem história

Para recriar, no cadinho das memórias que guardo,

O tempo e o espaço que me constitui.

 

As pedras e o barro de que sou feito,

Numa estrutura de artesão que se auto modelou

São a argamassa dos sonhos que confluem

Para me incendiar de vontades e desejos

Que o vento sopra e leva para longe.

 

Quem nunca sentiu a textura do barro

Nem se auto erigiu a partir das catacumbas,

Não reconhece as imagens ambivalentes que circundam

A minha alma e lhe dão cor e perfume.

 

Eu sou aquele que nunca foi

Maremoto ou calmaria.

Sou tão somente a irracional razão que me domina

E me arremessa contra as barreiras e os impossíveis

Em busca dos abismos onde ressoam as melodias

Que aromatizam de ternuras e gratidão

As montanhas do meu desassossego!

 

Situo-me entre o jamais e o nunca

Nas terras do desafio impossível!

Vinde os que acreditam!

Que aos cépticos eu saberei perdoar!

 

 

Em 15.abr.2012, pelas 15h00

PC

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