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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

08.12.10

Despojamento...


Tela by "W. Kandinsky" (imagem obtida na net)

 

Destoutra arte de ser

Nada sei,

Nada sou,

E escrevo nos silêncios as palavras malditas,

Como se sangrasse

As lágrimas e o suor em bagas.

 

Do acaso nasci e, por acaso,

Encontrei nas veredas

Os lagartos verdes

E os besouros,

Que sibilaram, sem tréguas,

O zumbido das dores

Caladas.

 

Onde irei, se os passos me levarem

Adiante?

Na verdade, que mal sei ou desconfio,

Distingo sombras e negrumes,

Onde arvoro farrapos de sonhos

E esconjuro fantasmas,

Cinzelando medos e superstições.

 

Grito tão calado que me dói

Saber que o sopro soprado não se expande,

Não se espraia,

Não explode no côncavo dos sítios,

A ganhar espessura de eco ou trovão!

 

Exaspera-me a voz que não é,

A força que não será,

O sonho que foi…

Este que sou não sou!

Sou este outro que não sei…

Metade da metade que não é unidade,

Nem será equação ou avo…

Serei um tudo nada!

Quem sabe… Poeta?

 

 

Em 08.dez.2010, pelas 00h15

PC

(inspiração com Álvaro de Campos)

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