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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

28.11.09

Emoções


 

Cruzo as pernas,

os braços,

a estrada,

o olhar...

 

Sonolento,

no espasmo da indiferença,

rasgo o horizonte

nas asas enérgicas

duma gaivota de fingir,

sonhando a vertigem

e a liberdade.

 

Espanta-me a gravidez

e a flor,

o fio de água febril

e o zumbido da abelha,

o contundente ruido do silêncio

e a maciez cortante

do olhar de um puto.

 

Revigora-me uma nota solta

em sol maior,

um adágio, uma sonata,

um sorriso,

ou a sílaba final dum hino

que uma trombeta dissonante

aconchega numa última

colcheia,

colorindo o ambiente

com o sabor dos frutos

e o odor salgado do mar,

até alagar a alma

da quietude dos nababos.

 

Orvalho e madrugada

dã-se as mãos

no refúgio secreto dos deuses...

De mim sei apenas

a emoção!

 

by Paulo César, em 27.Nov.2009, pelas 20h00