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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

05.10.09

Monólogo comigo mesmo



Tenho-te no pranto

dos meus olhos-mar,

na solidão serena

das minhas mãos-âncora,

na luz rebelde, quente,

dos meus olhos-sol,

na loucura toda

do meu corpo-chão

 

e o quase nada que sei

de ti

aprendi nos trilhos amargos

dos dias breves,

na insolência repetida

das questões por responder,

no refúgio escancarado

das palavras que semeio,

a tentar, a repetir, a insistir

na sementeira do amor.

 

E o que não conseguir

deixarei ainda

no rasto indelével dos meus passos

perdidos

para que alguém o tome

nos braços nus

e, hasteando, na incongruência da dor,

o pendão das descobertas,

saiba alcançar os lugares onde sonhei ir,

para partir de novo e sempre

na busca de si mesmo

entre a multidão de tantos.

 

Bate coração!

E mesmo no último momento

grita,

pois (tu sabes) a morte é o lado nocturno

da vida!

 

E o temor não é razão

para recusar a teimosia

do passo seguinte!

 

 

by Paulo César, em 05.Out.2009, pelas 15h30