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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

15.09.09

Balada para o silêncio todo


Sento-me!

Tomo para mim

o silêncio todo,

aquele que se desprende

das palavras que tento dizer

e subtraio aos poemas

a aguardar outras rimas,

outras ressonâncias.

 

Sorvo-o e com ele

alimento o humus

sanguineo,

no tic-tac compassado

e compassivo

da respiração controlada,

enquanto olho o nó górdio

da minha inquietação

vagarosa.

 
Distendo-me,

abandonado e incoerente,

no sopé da teimosia,

espelhando nas sombras,

que me perseguem,

a dicotomia dum ser

surreal

de tão palpável.

 

Onde vou

levo-o

(e ainda que o não levasse

ele iria por si mesmo)

e com ele estabeleço

acordos e disputas,

risos e lágrimas

nos unem

e por vezes unificam,

e um sentimento

de amor-ódio nos irmana

até nos dilacerar.

 

Quando me regozijo,

ele acicata-me!

Quando me penitencio,

ele toma o peso e alivia

a pena!

Quando me abandono

e procuro o degredo

e a perdição

do regresso às origens,

ele abre as janelas

e ilumina todo o espaço

para que não desista de nada!

 

Quando nada me resta

para além de mim mesmo,

ele surge do imponderável vazio,

assenta arraiais

e fica por aí

deambulando sem destino

a tornar imenso o tempo

e reconfortante o espaço!

 

E é em silêncio que o tomo

como confidente,

falando-lhe, por sinais,

o dialecto da comoção

e do encantamento!

 

by Paulo César, em 14.Set.09, pelas 23h00

 

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