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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

04.08.09

Dádiva


 

Não me dês apenas

a beleza serena do teu olhar,

ou o carinho sem medida

do teu abraço envolvente,

ou a doçura impiedosa

do teu beijo fugidio!

 

Dá-me o segredo

guardado nos teus silêncios

desérticos,

a paz cristalina

das tuas ausências

introspectivas,

a fragância paradisíaca

das tuas palavras

sensatas!

 

Ensina-me a ser

o pastor das tempestades,

das marés vivas,

da ventania ribombante...

o domador da escuridão,

do medo e da vertigem...

o curador das dúvidas,

das interrogações repetidas,

dos ses e dos mas de cada instante!

 

Mostra-me o caminho da luz,

dos dias que nascem de noites enluaradas,

das horas que se sucedem

e se somam a tempos de busca,

quando o espanto se posta no olhar

escancarado e abre de par em par

as portadas do futuro,

com sorrisos especados

em lábios de mil sois e campos

floridos.

 

Deixa que tome o bordão a que te amparas,

para com ele subir ao cume

extenuante do teu corpo

e à profunda quietude da tua alma.

Deixa que prove da tua seiva vivificante

e, na dádiva do teu âmago genuino,

saiba concretizar a viagem sem regresso

ao lago do infinito,

onde mora a aurora boreal

do teu sorriso sem igual.

 

by Paulo César, em 04.AGO.2009, pelas 11h15

 

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