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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

28.07.09

A outra face


 

Fustigo com beijos

as lágrimas que escorrem

pelas tuas faces

desérticas

e semeio um sorriso

na sombra das rugas

que irrompem do chão

do teu rosto.

 

Enlaço-te num abraço

e com a força de um déspota

subtraio do teu ser

a moldura da solidão

tenebrosa

que te agasalha.

 

E quando fico só

enfrento a planura do espelho

e vejo reflectida a sombra

do que sou...

E já não sobram beijos que me lavem o rosto,

nem sorrisos que aplanem minhas rugas,

ou abraços que removam a solidão

abrupta que o silêncio carrega.

 

Resta-me a luz fugaz do teu olhar

distante, como labareda

que alastra da lareira do coração

onde me aconchego e adormeço

bêbado de paixão

a espadeirar fantasias

homéricas.

 

by Paulo César, em 27.Jul.2009, pelas 23h00