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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

24.06.09

Por acaso...


 

Por acaso é ao acaso
Ou o acaso só acontece
Pela força da teimosia?
 
A solidão é, por acaso,
A mesma face da dor?
É, por acaso, a saudade
O reflexo claro do amor?
Que explicação para a luz
Que, por acaso, irradia
Dum sorriso sem tamanho
À luz do sol do meio-dia?
 
E quando me prostro rendido
Numa oração que não digo
É por caso que sinto
Ser capaz do destemor
De tudo dar, corpo e alma,
E nu, assim, e mendigo,
E despojado, e liberto,
Achar no pó do deserto
O tesouro do amor?
 
Que mãos buscam, tacteando,
Corpos cegos, harmonia?
Que olhos abertos, enxergando,
Só vêem trevas, agonia?
Que sentimentos mal sãos
Aprisionados pelo ódio
Transmudam em pedras as mãos
Que antes se davam luzentes,
Elos, cadeias, correntes
Onde a paz livre se achava
No abraço que se dava
A todo o homem ser igual,
- Quartzo, gema, pérola, cristal,
Lágrima vivaz, alegria,
Poema, bouquet de magia,
Princípio e fim… Que sei eu! -
E, sob o vasto azul do céu,
Todos cabiam no pódio:
 
Raso, chão, horizontal, plano,
Terra a terra, apenas humano!
 
Será tudo isto por acaso?
  
by Paulo César, em 23.Jun.2009, pelas 22h30

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