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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

08.06.09

Pedestal de saudade


 

Vós estais sempre aí
Olhando o vazio do tempo,
Descansando no horizonte vasto
A imensidão das horas sem tamanho,
Mirando-me com o vosso sereno
Estar, mesmo quando a ausência
Tem a desmedida grandeza do adeus
Sem regresso.
 
E desse pedestal de saudade,
Onde a memória faz e desfaz novelos,
Construindo imagens de afecto
Entre o vaivém das marés vivas,
Sinto o desvelo da vossa presença presente
Como se algures um eco rasgasse
O silêncio para me inundar
Da vã certeza de poder sentir
As vossas mãos macias
Em afagos que permanecem intactos
Apesar da transcendência.
 
Apego-me ao vosso olhar
E oiço as palavras que não dissemos
Numa ligação que permanece
Como chama imorredoira.
 
E do pedestal de saudade
Nasce a esperança e o futuro
Que morte alguma jamais destruirá!
  
by Paulo César, em 03.Nov.2008, pelas 20h30
 

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