Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

05.06.09

Apelo da terra


 

Chamam-me os luares, as ventanias,
O coachar das rãs, o chiar das noras,
O canto dos ranchos na faina dos dias,
O repicar dos sinos ao cair das horas.
 
Chamam-me o odor a feno e a trigo loiro,
O frescor das águas alagando as hortas,
O vivo das papoilas e o verde dos prados,
Das memórias vivas de tantas vidas mortas.
 
Chamam-me os silêncios ao redor do fogo
- que a lareira acesa a todos congregava -
As histórias simples com nacos de gente
Em palavras nuas de tanto e de nada.
 
Chamam-me de longe o que nunca foi
Para além de mim mais do que um passo nu.
Chamam-me… e só oiço, porque ainda dói,
Ouvir alguém tratar-me por tu!
 
E a terra que fui é a terra que sou,
Que só terra pode ser quem da terra veio…
E meu corpo de gente cresceu e sonhou
Ser da terra pó, voltar ao seu seio!
 
Campo e mais campo foi meu elemento,
Terra e mais terra foi minha raiz
E é deles que eu sinto febril chamamento,
Dizendo, gritando: Anda ser feliz!
 
 
by Paulo César, em 18.Jan.2009, pelas 22h00

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.