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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

23.09.11

Declaração de amor (I)


 

Fonte: Google

 

 

Não sobrou nenhuma palavra

Depois que disse: amo-te!

Nem nenhuma pomba branca veio

Arrulhar um segredo

Que descosesse o meu silêncio;

Nem uma nuvem de algodão quis

Aferrolhar o sol só para si;

Nem um sopro de aragem levou para longe

Aquela memória feita de gomos de saudade

E algumas migalhas de solidão.

 

Depois que olhei de frente o sol

No final do dia

A noite veio despudoradamente deitar-se comigo

Numa cama vazia de encantamento

E fez com que não dormisse nem sonhasse.

 

Simplesmente porque a insónia se arrogou

O direito de me infernizar o sono!

 

E o amor que eu ainda sinto

Não é coisa que se partilhe em concubinagem

Com ninguém,

Especialmente se a noite for o lado da chaga

Que ainda não cicatrizou!

 

 

Em 17.Set.2011, pelas 08h15

PC

11.09.11

Querendo eu posso ir além... (Sextina 001)


Imagem/fonte: Google - Formatação: PC

 

 

Querendo, eu posso ir além

Das palavras e dos gestos sem raiz

Para erguer, entre o espaço, a madrugada

E erigir, entre os sorrisos, a esperança

Dos anónimos que, vão peregrinando,

Para obter misericórdia e paz infinda.

 

A crueza crescente torna infinda

A caminhada daqueles que vão além

E em desespero se dão, peregrinando,

Sem descobrir compreensão, cuja raiz,

É a garra que sustém toda a esperança

Que os leva, quase voando, à madrugada.

 

E, mesmo quando a noite cai, a madrugada

É que os impele a obter a luz infinda

Que trás no bojo o rumo da esperança

Com que escalam montanhas e, mais além,

Subindo e descendo, descobrem a raiz

Da força que faz que vivam peregrinando.

 

Podem vir os medos… Seguem peregrinando!

O alvor da aurora anuncia a madrugada!

E as sombras nascem das copas, cuja raiz

Sustenta o tronco e a ousadia, quase infinda,

Reganhando a batalha, fá-los ir muito além

Em busca do sonho, encharcados de esperança.

 

Nada é impossível! Uma réstia de esperança

É quanto basta a quem segue peregrinando!

Quedar-se não é resposta… Ir sempre mais além

É um chamamento que desperta na madrugada

E o querer é um poder, uma força infinda,

A germinar do profundo de cada um, como raiz.

 

À margem, nas bermas, lançando a raiz,

Semeiam o alvor de novos dias, a esperança,

Que desperta do adormecimento e assim, infinda,

Realiza a eternidade a quem, peregrinando,

Descobre o sol da vida em cada madrugada

E em cada estrela cadente vê a luz do além!

 

Ah desafio do além, onde suporto minha raiz!

Alcançarei uma nova madrugada de fé e de esperança

Ou seguirei só, peregrinando, na noite infinda?

 

 

Em 28.Ago.2011, pelas 09h00

PC