Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

12.08.10

Do sonho e do medo


 

Escondo o medo no bolso da camisa

Junto ao coração

E ao deitar-me

Deixo-o pendurado no espaldar da cadeira

Para poder vigiá-lo de perto!

 

Mas adormeço refém do cansaço

E o medo vem sem aviso

E invade o meu sono solto

No tropel de um pesadelo medonho

Que me acorda para a noite…

 

De olhos semi-abertos, estremunhado

Olho o céu estrelado de que me esquecera

E com os olhos marejados

Sento-me à janela, unido ao silêncio da noite,

A velar a imensidão do luzeiro…

 

E a mim mesmo agradeço pelo medo que guardei

No bolso da camisa

Pendurada no espaldar da cadeira

No meu quarto de dormir

E sonhar!

 

Nem sempre os pesadelos trazem o pavor

De fantasmas ou tragédias fantasiosas

Que o subconsciente projecta

No ecrã vulnerável do nosso ego racional…

 

Por vezes escancara todas as portas e janelas

Para a real beleza ofuscada

Pela subtil e ténue antepara

Que nos aparta e nos separa

Da vida integral que se derrama das estrelas.

 

Hoje corro, ando, converso, ralho,

Decido, choro, rio, adormeço,

Sonho e desperto

Com o olhar posto nas estrelas

Trazendo pela mão direita o medo

E pela mão esquerda o sonho.

 

A um peço conselhos

Ao outro atiro pedras

E de ambos recebo sem pedir

Palavras de incentivo e coragem:

E vou em frente

Seguindo o sonho

Apesar do medo!

 

 

by Paulo César, em 13.Mar.2010, pelas 22h45