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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

20.05.10

Negação...


Nego-me quando digo sim...

e invento um sorriso

para dizer futuro

e ganhar asas de subir

aos confins do infinito

e descobrir uma nova

estrela

mais brilhante ainda

que o teu olhar doce.

 

Nego-me para afirmar

as palavras que guardo

no esconso do meu sentir

de modo que possa saber sempre

quanta distância existe

entre o teu sorriso

brilhante

e o meu olhar ausente.

 

Nego-me quando te beijo!

E às vezes quando te amo!

E tantas outras quando penso

que é negando que me dou

sem medo de me afirmar

teu!

 

by PC, em 20.Mai.2010, pelas 20h30

20.05.10

Deixa-me só...


 

Deixa-me só...

 

Não atormentes o meu silêncio

com palavras inúteis

ou um sorriso macilento

que traga consigo o odor

a bafio

e uma quase aspereza

com sabor a castigo

sem perdão!

 

Deixa que me embale no abandono

duma viagem sem destino

como se buscasse a pedra filosofal

ou o elixir da eterna juventude

ainda que as lágrimas

caiam no âmago do mesmo silêncio

bruto

e doam como punhais

tragando a carne em agonia!

 

Deixa-me só...

A guardar os caminhos sem regresso

e a tornar vivas as imagens

perdidas

do tempo da inocência!

 

 

by Paulo César, em 20.Mai.2010, pelas 20h00

01.05.10

Navegar ainda


 

Navego à descoberta

do labirinto

na cratera do sonho

e cada pedra traz o espanto

e a vontade

de ir mais adiante

até aos confins da realidade

 

palavras e ecos

unem-se no mural da ousadia

a desenhar o perfil

dos caminhos e a estrada

dos ventos

que entroncam na memória

 

vagas e estrelas

enxameiam o meu espaço

transformando a terra em mar

e o céu em desafio

ainda que o olhar esmoreça

e a esperança quebre

 

os algozes das trevas

não morreram na derrota

dos dias e do tempo novo

nem os vampiros

se redimiram da sede

do sangue

 

das almas eremitas

ou dos caminheiros solitários

que velam as madrugadas

na sonoridade dos versos

e na singularidade lucida

das ideias-palavras-sonho

 

navegar ainda

navegar apesar de tudo

navegar até que os braços

dos rios se afundem

no mar largo

da vitória ansiada

 

by Paulo César, em 01.Mai.2010, pelas 16h00