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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

20.01.10

Nu e só



Faltas-me tu

e sinto este nó

vazio de estar nu

ausente de estar só


teu olhar eu procuro

na ausência feroz...

esbarro no eco duro

que ficou da tua voz


tua mão dizendo adeus

teu corpo todo tremendo

e um beijo solto nos céus

que solto se foi perdendo


aquela lágrima bravia

a cavar a tua face

e eu calando a agonia

na sombra do desenlace


estou tão só

calado e nu

a remoer a saudade


daninho o medo o dó

grita teu nome mas tu

estás lá longe e na verdade


não ouves meu grito mudo

não escutas este meu brado

que de tão forte e agudo

é como um gume afiado


sei agora em desespero

o quanto valor escondes

mas se te chamo, se te quero

porque não me respondes?


que promessas te farei?

que  compromissos jurar?

muito deste, pouco dei,

será que tenho ainda para dar?


talvez devesse assumir

uma decisão apenas:

amar-te sem discutir

coisas vãs, vagas, pequenas!


estou só

faltas-me tu

sinto dó

acho-me nu.


PS: Recupera rápido! Eu estarei aqui!

 

by Pau César, em 20.Jan.2010, pelas 11h30

19.01.10

Dia especial


 

às vezes o tempo apaga a memória

outras trás de volta a saudade

outras ainda mata o sonho

tantas e tantas varre a vontade

 

tempo feito de tempo com vida

horas a transbordar de calor

e em cada dia o recomeço

para chegar enfim ao maior

 

desejo e à definitiva aventura

que é ser capaz de teimar

por um só insano projecto

 

que é tantas vezes loucura:

jamais desistir ou parar

a meio do trajecto!

 

 

UM BEIJINHO DE PARABÉNS NESTE TEU DIA, NATÁLIA!

 

19.01.10

Paleta de cores, odores, sabores e muito mais


 
Descubro a fragilidade
Na demência dos gestos
Encontro a alegria
Na placidez do olhar
Acho a força
Na calma da decisão sábia
E pressinto a tristeza
Na doçura irreverente
Dum beijo inodoro.
 
A cor da alma
Reflete-se na sombra
Fugidia e inquieta
E a fragrância do sonho
Derrama-se nas folhas nuas
Impregnando a atmosfera
De um odor cálido
A canela, erva-doce
E fruta-pão.
 
Navego pelas nuvens
Rumando ao incerto
Cavalgo a loucura
Assumindo o risco
Da descoberta sem mestre,
Escalo a indiferença em busca
Do nunca ou do jamais
Fazendo da inventiva
A nau da aventura.  
 
Todos os dias o hino
Construído de silêncios
E muito infinito…
Todas as noites a luz
Fria do luar coado
Poisado na janela entreaberta…
Sempre o sabor único
Do odor que se solta
Da cor do teu sorriso!
 
Mantenho a teimosia de ontem,
A vontade de hoje
E a esperança no amanhã…
O trivial sucumbirá na orla do areal!
Anonimamente encontraremos
O abraço que falta
Para completar a cadeia da plenitude
Cujo saldo será apenas o infinito.
 
Em, 17.Jan.2010, pelas 18h15 - Paulo César

10.01.10

Soneto apenas


 
Do amor, as palavras gastas…
Do silêncio, os rumores perdidos…
Do adeus, as lágrimas frias…
Do sonho, as sombras translúcidas…
 
Da terra, o pó levantado…
Do sol, a constância da luz…
Do mar, a salina fragrância…
Da lua, os mitos antigos…
 
Dos teus olhos, o azul quase céu…
Do teu corpo, a pele ainda seda…
Da tua alma, a aura de vestal…
 
Do tempo, o reinado infinito…
Do espaço, o gigantesco apogeu…
Do Homem… o bem e o mal!
 
by Paulo César, em 10.Jan.2010, pelas 16h45

 

10.01.10

Cadafalso


 
Vagaroso arrasto o tempo
Para o cadafalso
Dos sem perdão ou misericórdia.
 
Espero apenas o teu sorriso breve
Ou o teu adeus envergonhado
Lançado num gesto de mão
Abandonada
Que cortará o ar suave
Do horizonte sem nuvens.
 
Sigo em passos automáticos
Que me levam adiante
Ao estrado dos condenados.
 
Vou livre de todo o peso
Da vida
Cismando os momentos
Que entreguei à paixão
Como se quisesse apossar-me
Da eternidade.
 
Resta-me o tempo breve
Do último desejo...
E não sei senão desejar
O teu olhar bravio
A penetrar o meu olhar perdido
Que se apossa da vastidão
 
Para morrer empanturrado
Das poderosas flores do campo
Do voo das aves sinceras
Dos sons sibilinos dos cães vadios
Do rumor ditatorial das águas correntes
Do ribeiro sonolento da minha meninice...
 
E da frescura penetrante
Do silêncio do fim da tarde
Quando o sol se plantava na orla
Do horizonte dizendo adeus de mansinho
Enquanto bailava com a lua
Num esconde-esconde de quarto crescente!
 
Já não sei de mim senão a saudade
E a memória...
Mas apetece-me tanto
Gritar que te amo até parecer louco...
Ah, não fora este crime da paixão assim
E teríamos ainda o tempo todo para o amor!
 
by Paulo César, em 03.Jan.2010, pelas 15h45
 

10.01.10

Desencontros


 
Todos os beijos sabem a mel
E limão...
E todas as carícias têm o perfume
Das rosas bravas
Nascidas nos caminhos do vento
Nas encruzilhadas dos dias solarengos.
 
Suspenso da saudade
De ti
Acordo para as manhãs renovadas
De todos os dias
A saborear os encontros furtivos
E as despedidas infames.
 
Calo em segredo as aventuras
Que comungámos
Na avidez dos degredados
E volto costas ao sol que nasce a oriente
Para esconder as lágrimas
Que denunciam a dor.
 
Por um caminho qualquer
Surgiremos para o outro
Num encontro sem marcação prévia,
Num dia sem data,
Num local sem nome,
Num momento sem crónica.
 
Nesse dia morreremos de medo
De voltar a perder-nos
Para o sabor dos beijos cálidos
Ou para o odor dos abraços demoníacos
Que unificarão nossos corpos vazios
Até à exaustão dos moribundos.
 
Valerá a pena a esperança?
Ou o sonho é ainda o que nos resta?
 
by Paulo César, em 01.Jan.2010, pelas 22h00