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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

31.03.09

Elegia para um quase sonho


 

Quase te amo ainda

Ó etérea figura,

Sombra vagarosa

Rumo ao cadafalso

Da paixão pusilânime;

Veemência que esmorece

No sonho impossível,

Na gigantesca miragem

Que me atira para o nunca!

 

Opacas as transparências

Ditam verdadeiras mentiras

E, na estridência da solidão

Medonha, vogam sonâmbulas

Palavras que perderam o fulgor,

Como se "nós" fosse um vocábulo

Anódino e estéril!

 

Já não há estrelas tardias

Nas noites de insónia!

Perdeu-se o destemor na orla

Dos anos! (Como o tempo é carrasco!)

Dos passos perdidos, em deambulações

codificadas, resta a memória!

E dos beijos, dos abraços, dos corpos

Febris, na voragem do climax,

Sobrou a sombra esbatida

Adornando os segredos indeléveis!

 

Clara é a centelha que se funde

Na viva saudade incrustada em nós!

E "nós" é ainda o vocábulo que caiu em desgraça

E nunca foi!

 

Mesmo quando o amanhã ainda se pressentia

Futuro!

 

by Paulo César, em 30:Mr.2009, pelas 21h00

21.03.09

Rumor do silêncio


 

 

Banho-me no silêncio do teu olhar

Entre a distância do desejo

E a sofreguidão da pele latejante

Antevendo o momento

E sentindo a angústia

Do tempo que se escoa lento.

 

Do arquivo da memória

Surgem imagens peregrinas

Que desfilam em catadupa

Até se tornarem vivas

No peito que as sente

E no olhar que as vislumbra.

 

Só de ti nada sei!

Nem o onde, o como, ou o porquê...

E o que me resta obriga-me

À espera

Mirrando, calado, da saudade

Que já não sei esconder.

 

by Paulo César, em 17.Mar.2009, pelas 20h00

06.03.09

PARA SEMPRE E ETERNAMENTE


 

Por perto há o silêncio,

Só o silêncio,

E uma quase ausência,

Como o abandono de quem parte

E deixa todos os lugares vazios

Tão cheios da sua presença

Omnipresente.

 

Algures vagueia a minha emoção

Ao encontro dos lugares

Onde se fundem as imagens

E se erguem mapas de viagens

Que nunca fizemos,

Porque o tempo fugiu de nós

Sem aviso.

 

Quando te encontrar por aí,

Havemos de rasgar as amarras

Que asfixiam o sonho

E nesse dia, ainda que tarde a hora,

Saberemos dizer tudo,

Mesmo que nas entrelinhas dum abraço

Ou nos fiapos imperceptíveis do olhar.

 

by Paulo César, em 06.Mar.09, pelas 18h00