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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

05.02.09

...


 

Resta-me um pouco de quase

nada!

 

A submissão do olhar

cabisbaixo,

que prescruta e não vê,

que procura e não encontra;

A realidade dum grito

que se aninha em mim

para não dizer: basta!;

A vagarosa vontade

de ir onde me levarem asas

que não tenho,

sonhos que se finaram,

projectos sem matriz!

 

E se no acaso dum poema

de fome e saudade

surgir a fragância

dum desejo inaudito,

talvez ainda haja palavras

por escrever,

beijos decantados em bocas

sinuosas,

silêncios por concluir

em veredas de luz

e desatino.

 

Talvez me baste um sinal de ti

ou a apóstrofe dum desterrado

do tempo e da dúvida:

Porquê?

 

E como no labirinto

de Creta

retornarei à raiz e ao caule

pelo caminho de pedras

a salvo de sobressaltos

para beber do humus

da sabedoria

um pouco que seja,

ou quase nada!

 

by Paulo César, em 02.Fev.2009, pelas 20h00

05.02.09

Grito ou quase


 

Estridente e sonora

É a força do grito

Que aflito

Lanço e lancinante

Cruza o estertor

Da minha voz calada.

 

E o momento, instante,

Jorra e do nada

Sobrevem a dor

Que me apavora...

 

Finco-me na ausência,

Abstenho-me da essência!

 

E morro por dentro

Dum grito

Que não foi.

 

by Paulo César, em 02.Fev.09, pelas 20h30