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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

19.11.08

Beleza e gratidão


No vagar silencioso das horas

amarro-me à margem

e prescruto o rumorejar das águas

caudalosas

ensaiando um hino de louvor

à fragância que se derrama

das plantas que atapetam o horizonte

em redor de mim.

 

Nada sei de flora

ou de geografia

ou de botonânica

ou do que me rodeia.

 

Mas sei que, mesmo não sabendo,

vale a pena olhar e ver

a beleza que inunda o espaço

sem que nada o impeça.

 

Obrigado!

 

by Paulo César, em 19.Nov.2008, pelas 21h30

 

17.11.08

Testamento...


 

 

Deixo-te o silêncio,

para que saibas ouvir o infinito.

Deixo-te o sorriso,

para que saibas inventar a alegria.

Deixo-te um abraço,

para que saibas sentir a ternura.

Deixo-te o olhar largo e vasto,

para que aprendas a ver além de ti.

Deixo-te palavras por escrever,

para que com elas construas pontes.

Deixo-te a mão aberta, nua,

para que com a sua ajuda subas mais alto.

Deixo-te o silêncio prenhe de burburinho,

para que com ele saibas ouvir o que tem valor.

Deixo-te as palavras que escrevi,

para que delas tires o que valer a pena.

 

Deixo-te o olhar vago de quem quiz ser único,

para que por ele saibas o tamanho da solidariedade.

Deixo-te as palavras que fui alinhando

para que por elas percebas quem fui.

 

Deixo-te o pouco e sem valor que escrevi,

para que possas amar as palavras

que constroiem o diálogo

e vencem o inconformismo.

 

Deixo-te em testamento letras dum alfabeto

sem alinhamento ou sequência,

porque é assim que a vida flui,

mesmo quando teimosamente a queremos

alinhada em fileiras de submissão.

 

Deixo-te o que fui, em tudo o que sou

e se nada tiver valor,

não te esqueças nunca

que te amei!

 

by Paulo César, em 17.Nov.08, pelas 20h00

17.11.08

Quase...


 

 

Quase...

Um momento apenas,

um silêncio, um aceno,

um suspiro solto sem amarras,

um esgar silencioso,

quase um grito!

 

Quase...

um sorriso travestido,

um beijo, um abraço,

um murmurado adeus,

um dorido acenar,

quase um grito!

 

Quase...

Quase tudo!

E tanto por dizer...

E tanto por mostrar...

E tanto tempo que doi,

e tanta distância que mata!

 

Quase...

É esboço do que podia ter sido,

e jamais será o que quisemos que fosse!

Quase será sempre pedaço,

parte, quinhão, fatia,

mas nunca será

o todo que entrevi na imagem que

irradiou de ti!

 

Por um momento

magicamente perene

de tão indefinível!

 

by Paulo César, em 17.Nov.08, pelas 19h30