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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

20.06.08

Àparte o silêncio


 

Àparte o silêncio

os teus lábios sabem-me a mel

e nunca sei o passo seguinte.

 

Embrenho-me na timidez

de amar-te até à exaustão

e adormeço virado para o sonho

como se fora madrugada

o dia todo

e todo o dia fosse

a noite em que o amor

florescesse

girassol bravio

em busca da luz

que se escapa na vertigem

dos momentos vividos

passados...

 

Só então me pergunto:

Que sei eu de amar-te?

 

by Paulo César, em 20.Junho.2008, pelas 18h15

10.06.08

Se


 

Se for amor

será suave e arrebatador,

será luminoso e incandescente,

será forte e audaz,

será generoso e terno,

será harmonioso e incapaz

de provocar dor.


 

Se outro for

o seu lema ou perfil

há-de ser sentimento

de amizade ou bem querer,

mas não lhe chamem amor!

  

 by Paulo César, em 08.Junho.2008, pelas 16h35

04.06.08

Cegueira


 

 

 

Tacteio medroso

A buscar as formas

Moldando imagens

Como a ponta dos dedos

 

E tudo o que vejo

Tem volume e sabe-me

Às cores que porfiam

Povoar a mente.

 

E que dizer do mar

Que não seja água

E sabor a sal

E cheiro a maresia

E som cavernoso das ondas

Que rebentam

Quando as gaivotas guincham

Sobre as arribas escarpadas

Ou os barcos prenhes

De peixe ainda a saltar?

 

Que dizer do sol

Que não seja “amigo”…

Que dizer da noite

Que não seja insónia…

E do amor,

Que não seja a maciez

Do teu corpo nu

Que já sei de cor?

 

 

by Paulo César, em 03.Junho.2008, pelas 21h15 (Fertagus)

 

03.06.08

Soneto para a Morte que veio


 

 

Carrega-me nas tuas asas de subir ao Além!
Não partas ainda, que também quero ir…
Sê a cicerone e apresenta-me a quem
Me possa mostrar todo o porvir.
 
Mostra-me, anfitriã, o outro lado da vida
E os secretos jardins onde a paz é eterna
E a luz incendeia o espaço sem medida
Onde as almas são emanações de luzerna.
 
Onde e quando fores quero ir contigo
Chama-me por favor não me deixes só
Entre o sono e o sonho duma espera infinda.
 
Não me abandones qual louco ou mendigo
À beira dos caminhos a esmolar o dó
De quantos ficarem a esperar ainda!

  

 

by Paulo César, em 03.Junho.2008, pelas 13h30