Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

28.05.08

Em sossego


 

Líquido é o sossego,

como o riacho,

que beija todas as pedras

que bordejam o leito

estreito,

até que, chegado o Verão,

se evapora

e perde a forma.

 

Só as pedras soltas e roladas,

continuam lá,

preguiçosas,

em sossego!

 

by Paulo César, em 27.Maio.2008, pelas 20h50

25.05.08

Saudade


 

 

Cavalos aládos

Entram sem aviso,

Relincham nos meus sentidos

Murmúrios de espavento

E atapetam de cores garridas

Os prados da minha

Memória.

 

Beijos que demos

Em cantos escondidos,

Sofridos de tão doces,

Amargos de tão intensos,

Crescem espontâneos

Aos olhos mortiços da minha alma,

No clic intemporal

Da recordação!

 

Sinto-me lá

Presente e ledo

A esperar por ti…

 

Bate que bate coração,

Cavalo aládo

Que o sonho anima

E o dia se fará de novo,

Presente que foi,

Futuro que será.

 

Será???

 

 

by Paulo Césr, em 15.Out.2005, pelas 22h35 – Twin Towers

25.05.08

Translúcido raio


 

 

Translúcido raio reflectido

Na lágrima vertida.

Angústia que embala as mãos

Que afagam.

Dormente o silêncio nos poros

Do medo.

Desejo incontido, fechado

No gheto

Do sentimento,

Ao abandono!

 

Pesam as pálpebras na hora

Do adeus.

E o lenço branco

Adeja na luz,

Qual andorinha negra

Que tange o infinito.

 

Os tambores rufam batuques

De êxtases.

 

Em busca do tempo,

Sombra e reflexo me torno,

Domando o impulso,

Exponho a memória.

 

 

by Paulo César, em 08.Nov.2005. pelas 10h40 – Twin Towers

 

23.05.08

Post Scriptum


 

Podia dizer que estás na ternura e na beleza dos 50, mas não o vou fazer! Não o faço porque toda a tua atitude enquanto homem e pai é pautada pela ternura de actos e palavras e pela beleza como ser humano! Espero ter-te pelo menos durante mais 50 anos! Parabéns, pai! Tem um dia à tua semelhança! Beijo.”  Vitor Hugo, 15-11-2007, 00h12,24

 

 

Como dizer obrigado

Se as palavras me faltam,

Se a verdade dos sentidos é intraduzível

Na soma de vogais e consoantes,

Se a grandeza dos sentimentos

Subjuga a redundante pequenez

Dum qualquer discurso elaborado

Ou de ocasião?

 

Algures um eco ressoa

Na vastidão do tempo

E o cansaço que sobrevier

Há-de ser, à míngua de espaço,

Um passo mais em direcção ao futuro.

 

Seremos então, lado a lado,

A sombra do outro

Na imensidão da saudade.

E nada será como sonhámos,

Porque o real será mais sólido

E mais veemente.

 

É do crer que a obra nasce!

É do porfiar que a vida acontece!

É do amor que tudo flui!

 

by Paulo César, em 19.Maio.2008, pelas 21h30 (Fertagus)

15.05.08

Quem és tu?


 

 

 

Quem és tu?

Um sorriso solto no arco-íris?

Uma nuvem desgarrada na via láctea?

Um reflexo de luz na maré vazia e calma?

 

Quem és tu?

Um sopro de aragem na quietude sombria?

Um grito mudo na culpa teimosa?

Um soco do acaso na trincheira da vida?

 

És tu o silêncio que fala?

A saudade que investe?

A loucura que teima

Soltar amarras e dizer: olá!?

 

És tu, certeira e vigorosa,

A seta que atinge o alvo

E se crava na pele desnuda

Como se questionasse: porquê?

 

Quem és tu? Quem sou eu?

Quem somos nós os que somos,

Perdidos de nós próprios,

Ao encontro do outro

A temer encontrar o lado de lá,

Como se houvesse um papão

Ou uma fada má?

 

Quem és tu?

Deixa que a interrogação fique!

O tempo dirá a verdade que falta!

 

by  Paulo César, em 15.Abril.2008, pelas 20h15

15.05.08

Crença


 

Quando num espaço de silêncio

Elevares teus olhos

E buscares dentro de ti

A clausura das palavras,

A grandeza das coisas simples

Ou a redonda gravidez da existência,

 

Terás deus por perto

E sentir-ás comensal no seu banquete!

 

Ainda que lhe chames Buda,

Ou o apelides de Alá,

Ou te inclines perante Javé ou Jeová,

Ou te assombre o legado da Trindade

- Pai, Filho e Espírito Santo...

 

É à Divindade que entregas

O quanto sentes e vives,

O muito que esperas

Quando só esperas amar

Quem te rodeia

Esperando que o amor inunde

Como aluvião de cheia

E torne fértil o campo árido

Das almas crentes

E de quantos não crendo

Esperam um sinal

Ou uma centelha de luz.

 

Quando sentires deus em ti

Aninha-te no seu regaço,

Aconchega-te nos seu braços,

Vibra na intimidade da sua presença

E sê trombeta da Alegria,

Arauto da Esperança,

Porta-voz da Graça,

Porta-estandarte da Justiça.

 

Sê nada entre os pequenos,

Sopro de nada entre os grandes

E simplesmente tu

Ante tu mesmo.

 

E se maior e mais vivo amor

For possível,

Ama sem limites ou fronteiras,

Até que tu e deus

Sejam parte de um só

Na irmandade do Silêncio

Complacente

Na indiferença retumbante

Do pó.

 

by Paulo César, em 12.Mai.2008, pelas 13h45