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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

26.06.07

Quando



 

Quando amar for só amar-te
já não te amarei...
Estarei entretido a desfiar
memórias
e a contar o tempo que passámos juntos
como se entoasse uma lengalenga
de encadeadas palavras,
gestos, momentos e vivências.

Amar é
ser capaz de achar
uma cor mais no arco-iris;
uma estrela mais na via-láctea,
uma nova forma de ser poeta
e rimar com amor
aurora e por-do-sol,
lua-cheia e beira mar,
campo agreste e sol a pino,
brisa fresca e cheiro a fruta.

Amar é
estar vivo
e desejar viver
mesmo quando a morte
toca à porta e fica de atalaia!

Amar é...
Eternidade!

by Paulo César, em 26.Jun.2007, pelas 22h30
26.06.07

Desejo



 

Ontem enquanto dormias
apeteceu-me amar-te
tomar-te nos braços e voar
por sobre as vozes
que nos sussurram avisos
e regras
que não queremos ouvir ou cumprir!

Somos livres
dessa liberdade livre
que nos liberta
e jamais aceitaremos
leis ou mordaças
que nos aprisionem
entre o amor vivo de loucura
e uma moral de pacotilha
sem horizonte ou futuro!

Adormeci a teu lado
entre o desejo e a raiva!
Acordei contigo pendurada
num sorriso de girassol
e uns olhos de lua cheia!

Que o encanto do amor
é saber que nos temos
e nada pode mais
que o poder desta paixão!

by Paulo César, em 26.Junho.2007, pelas 22h00
07.06.07

Quadras (do tempo comum)



Ando em procura sem fim

Num lugar onde o abandono

Deixa que eu seja de mim

O meu próprio servo e dono

 

Ando por caminhos de pó

E por estradas de aluvião

Cruzando o tempo e só

Buscando achar a razão

 

Nada sei sobre o que será

O futuro que há-de ser

Nem me importa o que trará

Quando tal acontecer

 

Não domino as leis do mundo

Nem do homem sou capataz

Sinto somente amor profundo

Ao bem, à vida e à paz.

 

Amo o que ó terra me dás

Porque é a ti que pertenço

E é só em ti que acho a paz

Com que à noite durmo e penso

 

Tenho fé, creio e pratico

A bondade e o amor

Mas quanto faço é diminuto

Ante a Lei, ante o Senhor!

 

Choro por ser como sou

Mas agradeço inda assim

Tudo o que recebo e dou

Nesta procura sem fim

 

E a vós que agora ledes

Meus versos de quadras feitas

Achais que aquilo que vedes

São rimas quase perfeitas?

 

Não, não são! Acreditai!

São desabafos de mim

E cada palavra é um ai,

E um lamento sem fim!

07.06.07

Grito!





Hoje dói-me esta dor de não sei o quê

Esta amargura de não sei como
Esta solidão de não sei onde

Dói-me simplesmente estar aqui
e não saber como explicar
este sentimento estranho
de sentir-me cruamente macerado
por uma claustrofobia de não estar fechado,
uma angústia de não estar só,
uma ausência de estar presente!

Olho em redor e tudo está
onde deve estar!
E no entanto dói-me esta dor
infinita de sentir que no fundo de mim
há um vazio preenchido que me faz falta
um lugar inacessível que já alcancei
um sonho comum que já não é
como foi, num tempo que mudou!

Grito o mudo grito de quem grita
para si mesmo:
-Quem pode dizer-me o que sinto?

by Paulo César, em 7.Jun.2007, pelas 17h30