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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

15.05.08

Crença


 

Quando num espaço de silêncio

Elevares teus olhos

E buscares dentro de ti

A clausura das palavras,

A grandeza das coisas simples

Ou a redonda gravidez da existência,

 

Terás deus por perto

E sentir-ás comensal no seu banquete!

 

Ainda que lhe chames Buda,

Ou o apelides de Alá,

Ou te inclines perante Javé ou Jeová,

Ou te assombre o legado da Trindade

- Pai, Filho e Espírito Santo...

 

É à Divindade que entregas

O quanto sentes e vives,

O muito que esperas

Quando só esperas amar

Quem te rodeia

Esperando que o amor inunde

Como aluvião de cheia

E torne fértil o campo árido

Das almas crentes

E de quantos não crendo

Esperam um sinal

Ou uma centelha de luz.

 

Quando sentires deus em ti

Aninha-te no seu regaço,

Aconchega-te nos seu braços,

Vibra na intimidade da sua presença

E sê trombeta da Alegria,

Arauto da Esperança,

Porta-voz da Graça,

Porta-estandarte da Justiça.

 

Sê nada entre os pequenos,

Sopro de nada entre os grandes

E simplesmente tu

Ante tu mesmo.

 

E se maior e mais vivo amor

For possível,

Ama sem limites ou fronteiras,

Até que tu e deus

Sejam parte de um só

Na irmandade do Silêncio

Complacente

Na indiferença retumbante

Do pó.

 

by Paulo César, em 12.Mai.2008, pelas 13h45