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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

07.06.07

Quadras (do tempo comum)



Ando em procura sem fim

Num lugar onde o abandono

Deixa que eu seja de mim

O meu próprio servo e dono

 

Ando por caminhos de pó

E por estradas de aluvião

Cruzando o tempo e só

Buscando achar a razão

 

Nada sei sobre o que será

O futuro que há-de ser

Nem me importa o que trará

Quando tal acontecer

 

Não domino as leis do mundo

Nem do homem sou capataz

Sinto somente amor profundo

Ao bem, à vida e à paz.

 

Amo o que ó terra me dás

Porque é a ti que pertenço

E é só em ti que acho a paz

Com que à noite durmo e penso

 

Tenho fé, creio e pratico

A bondade e o amor

Mas quanto faço é diminuto

Ante a Lei, ante o Senhor!

 

Choro por ser como sou

Mas agradeço inda assim

Tudo o que recebo e dou

Nesta procura sem fim

 

E a vós que agora ledes

Meus versos de quadras feitas

Achais que aquilo que vedes

São rimas quase perfeitas?

 

Não, não são! Acreditai!

São desabafos de mim

E cada palavra é um ai,

E um lamento sem fim!