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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

09.04.07

Procura-me




Procura-me como se procurasses no escuro...

Tateia... Palpa o negro que te envolve e sente
o vazio, o oco, o indizível...

Procura-me na claridade da aurora matinal...
Naquele raio único que brota por detrás daquela núvem
fantasmagórica, opaca, disforme
e mergulha no alvor como se fosses renascer.



Procura-me no silêncio dum caminho sem destino,
à sombra de um cipreste esguio,
no chão quente onde o formigueiro se afadiga
enquanto a cigarra desgarra um grito
que enche o ar irrespirável dum coro estridente
quando o verão vem tisnar e colorir de castanho oiro
o horizonte que se espraia na planura e na distância.

Procura-me nos teus olhos que me olharam fixamente!
Eu estarei lá, imagem que guardaste e que revelas
quando a memória despertar
e tu acordares para a saudade.

Procura-me no sabor lascivo dos teus lábios,
na reentrância profunda das tuas coxas,
na macieza suave da tua púbis,
na força avassaladora dos teus braços,
no extase submisso do orgasmo...

Procura-me no sabor amargo duma lágrima orfã
que veio lavrar um risco incerto
na tua face sofrida...

Ou no braço levantado que acena um adeus
ou na palma da mão aberta por onde desliza
um beijo lançado no sopro suave que corre ao teu encontro
e que te ajudará a suportar a despedida
até ao dia do reencontro.



Procura-me...
Mesmo que não me encontres eu estarei lá!


by Paulo César, em 09.Abril.2007, pelas 22h45

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