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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

02.04.07

Odor a mar, sabor a sal...


Deixei-me adormecer!

Ó areias da praia deserta
que farei com este corpo ausente?



O mar veio beijar-me os pés nus...
Uma nuvem de gaivotas sobrevoou,
gritando, a minha ausência adormecida.
Não despertei!
Sonhava com um adamastor
perfilado na escarpa,
hirsuto gentio cuja voz reverbera
nos confins do meu sono desbragado,
ainda.

O sol apressou-se no seu ocaso,
deixou-me silenciosamente só
no dorso frio do areal adormecido,
como um naufrago da maré vasa.



A aragem soprou mais áspera!
As gaivotas, em bando, retornaram
à origem, apontando a sul.
O meu corpo ausente despertou
para a noite nascitura.

Naquele dia eu soube o odor cru a mar
e o sabor acre a sal
da maresia da beira praia.
A lua veio prenhe de luz
e empoleirou-se no lugar do adamastor
mais acima, um pouco mais,
no cocuruto do penhasco.

Meus passos foram além,
muito além de mim,
por caminhos ínvios,
por carreiros abruptos,
por estradas sem destino.

Nesse dia, que a noite abraçou,
eu vivi sem pressa...
até que adormeci de novo,
num lastro de lençóis lavados
com sonhos por realizar.

by Paulo César, em 02.Abr.2007, pelas 19h4
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