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No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

No Chão d'Água...

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido? (Álvaro de Campos)

01.04.07

Quase grito!





Ó dor vai-te embora,
deixa-me em paz, em sossego,
deixa que eu adormeça
e não venhas incendiar
de pesadelos e sonhos sombrios
a noite silenciosa do meu abandono.

Não me obrigues a ficar mudo
enquanto se revoltam as minha entranhas
em milhentas imprecações de angústia,
de solitária vontade de fugir,
de ir pelos campos a colher
a paz dos dias calmos
em flores de cores sibilantes.

Não! Vai por onde te possam
aceitar e invade quem te queira
bem. Deixa-me só, comigo mesmo,
a embriagar-me de vida
e a afogar-me de futuro,
envolto nas manhãs ensolaradas
do tempo primaveril com chilreios
e odores campestres.



Vai! Vai de mim!
Deixa que eu redescubra o sorriso
e plante centelhas de alegria
nas bermas dos caminhos,
das azinhagas, dos carreiros...
Deixa que eu retorne a mim,
para ser de novo eu, apenas eu,
sentado à espera da noite amiga
para adormecer sem azedume
e sonhar com estrelas cadentes
e lagos de águas calmas
onde peixes coloridos se espreguiçam
sem pressa de viver.

Vai!
Deixa que eu seja um homem
comum!

by Paulo César, em 01.Abr.2007, pelas 15h00

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