Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2016
O NATAL POSSÍVEL

AbraçArvore.jpg

Não estavas, mas estiveste!

Não falaste, nem riste, mas senti-te!

O teu lugar ficou vazio

e o teu prato não foi tocado sequer,

mas o eco das tuas gargalhadas

encheu aquele lugar do chão ao tecto

e tudo o que não dissemos

eu recordei,

quando o ruído das vozes maquilhou de sorrisos

aquele espaço sem tempo.

 

Não foi nada mais do que saudade!

Não foi senão um desejo profundo

de te saber ali,

ainda que nada o fizesse notar.

 

Não choremos agora, que a vida tem outra intensidade

e outra luz e mais fulgor a eternidade!

Quem permanece no coração

faz acontecer Natal todos os dias,

ainda que os dias sejam de distância e solidão!

 

Inclino-me e sinto-me feliz!

Nada te afasta, quando tu permaneces!

 

Em 25.Dez.2015

PC



publicado por Paulo César às 09:00
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Quinta-feira, 26 de Setembro de 2013
Só por amor

 

 

PC - 02.Mai.2013


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publicado por Paulo César às 16:51
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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012
O sítio da acácia

 

 

No lugar onde aprendi a dizer o teu nome
Abri um buraco fundo e plantei uma acácia,
Que cresceu até o infinito.

Vieram as aves em sucessivas primaveras
E fizeram ninhos quentes e macios
E criaram os filhotes,
Como se do alto daquela acácia florida
Fosse possível alcançar o céu.

Hoje, que o céu ficou plúmbeo,
Duma angústia com lágrimas de chuva
Nos olhos,
Já não me lembro que nome era o teu...
Sei apenas que a acácia está velha,
Como eu!


Em 19.dez.2011, pelas 23h00
PC

 

Imagem fonte: Google


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publicado por Paulo César às 23:32
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
Viagem ao centro de mim

 

Chancelaria - Coreto da minha aldeia natal (imagem obtida na net)

 

Do ontem veio a saudade

A emoção e a gratidão intemporal

Castigando de carinho e de beijos

A serenidade e o brilho da pele inteira

E a viscosa sombra do olhar

Incapaz de negar a alegria sem preço.

 

Agora já não há o fosso do tempo

A separar os corpos e os abraços

Ou a impedir o caudal das lágrimas

Pois consumado foi o reencontro

E cumprida foi a vontade

De voltar ao colo onde a luz se fez seiva.

 

Passos que foram caminhos feitos

Levaram-me de volta ao centro do mundo

E jorrou do mais íntimo de mim

A certeza de que, concluído o tempo,

Far-se-ão ainda caminhos novos

Para o reencontro do alfa e do ómega.

 

Que voem de regresso aos ninhos

Os pássaros que se aventuraram nas estepes

Dos lugares onde o nunca foi azimute

E que tragam pintadas nas asas as palavras

Heróicas da epopeia dos intrépidos

Que encontraram o zénite nas cãs nevadas

Das mães que souberam esperar a aurora.

 

Por onde quer que vá me saberei daqui

E quando me faltar o ânimo hei-de saber-me teu

Pedra das penedias que sobem aos contrafortes

Das montanhas de onde se avista o mundo

Que cabe inteiro no olhar lavado em pranto

De te querer ainda, sempre mais e tanto!

 

Sobram ainda todos os caminhos rasgados

Na comoção e na amplidão dos gestos

Como sobram todos os lugares intra-uterinos

Por onde fiz todas as partidas e regressos

E me quedei em todos os fins e recomeços.

Nada se alterou na memória viva do já vivido!

 

E a promessa que se consumou no concreto

De querer olhar de novo as casas caiadas

E os recantos envelhecidos no cristal dos dias

Já não é promessa: cumpriu-se! Vingou-se o tempo

Destruindo as alvoradas e os entardeceres…

Porfiadamente teimarei vingar a saudade!

 

 

Em 23.abr.2011, pelas 23h30

PC

Visita à minha aldeia e a minha tia Maria “Carraça” (90 anos)

 


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publicado por Paulo César às 18:26
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Sábado, 22 de Janeiro de 2011
Deixa-me só...

 

Deixa-me só...

 

Não atormentes o meu silêncio

com palavras inúteis

ou um sorriso macilento

que traga consigo o odor

a bafio

e uma quase aspereza

com sabor a castigo

sem perdão!

 

Deixa que me embale no abandono

duma viagem sem destino

como se buscasse a pedra filosofal

ou o elixir da eterna juventude

ainda que as lágrimas

caiam no âmago do mesmo silêncio

bruto

e doam como punhais

tragando a carne em agonia!

 

Deixa-me só...

A guardar os caminhos sem regresso

e a tornar vivas as imagens

perdidas

do tempo da inocência!

 

 

by PC, em 20.Mai.2010, pelas 20h00


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publicado por Paulo César às 15:39
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Domingo, 5 de Dezembro de 2010
Quando te encontrarei em mim? (Alma...)

Tela de "Frank Lloyd Wright's" (imagem obtida na net)

 

Pesquisei onde suspeitei que estarias

E até nos lugares onde nunca foste,

Como se encontrar-te fosse uma promessa!

 

Nos filamentos do meu orgulho

E nas saliências do meu abandono

Inscrevi o teu nome a ferro e fogo…

 

Perguntei por ti a quem passava,

Afixei anúncios em letra desenhada,

Gritei nas ruas, sob cada arcada…

 

Inquiri o vento pelas madrugadas,

Com voz furiosa castiguei o silêncio

E até às nuvens mandei recado!

 

Ansiei que chegasses ao nascer d’alva

E, inquieto, fiquei de atalaia,

Mas adormeci na espera e de cansaço.

 

Desenhei nas sombras húmidas as tuas

Faces de filigrana e maquilhei de sonhos

A realidade de cada um dos dias pardos…

 

Sobre a cama, com lençóis de linho,

Estendi meu corpo desamparado e frio

A segredar uma dormência que te chamava…

 

Na impertinência do desassossego fiz preces,

De joelhos no chão confrontei o meu deus,

A pedir explicações para a tua demora…

 

E pelas avenidas largas, onde a chusma se rebela,

Mirei cada face a procurar o teu rosto de tela,

A descobrir os trejeitos dos teus passos miragem!

 

Onde foste que não encontro, na imanência

Dos lugares que foram tão intensamente nossos,

A aura com que te pintei na minha memória?

 

Sorvo cada pingo de céu para sentir-te aqui,

Mas se te evadiste de ti própria, anjo ou demónio,

Quando te encontrarei em mim,

 

Saudade que sobra

A castigar-me o desencanto?

 

by PC, em 23.Nov.2010


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publicado por Paulo César às 01:09
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Quinta-feira, 20 de Maio de 2010
Deixa-me só...

 

Deixa-me só...

 

Não atormentes o meu silêncio

com palavras inúteis

ou um sorriso macilento

que traga consigo o odor

a bafio

e uma quase aspereza

com sabor a castigo

sem perdão!

 

Deixa que me embale no abandono

duma viagem sem destino

como se buscasse a pedra filosofal

ou o elixir da eterna juventude

ainda que as lágrimas

caiam no âmago do mesmo silêncio

bruto

e doam como punhais

tragando a carne em agonia!

 

Deixa-me só...

A guardar os caminhos sem regresso

e a tornar vivas as imagens

perdidas

do tempo da inocência!

 

 

by Paulo César, em 20.Mai.2010, pelas 20h00


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publicado por Paulo César às 20:04
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Sexta-feira, 16 de Abril de 2010
primeiro amor

 

ao sorriso junto

os teus olhos claros

e uma nuvem suspensa no azul

a jogar com o sol

envergonhado

ao esconde-esconde.

 

depois tomo-te a mão

e carregados dum sonho

sem mácula

seguimos rumo ao paraíso

nas asas rebeldes

duma andorinha negra

 

acendemos a fogueira

da paixão

junto aos plátanos

da beira rio

murmurando palavras

doces e comuns

 

fazemos caminhos novos

pelas rua velhas

onde plantamos beijos

e guardamos os segredos

mais secretos

sob as arcadas dos prédios

onde nos abrigamos do calor

ou da chuva

 

com os olhos nos olhos

dizemos adeus

implorando um minuto mais

um outro beijo

ou uma palavra gasta

de tão repetida

 

e mesmo quando ficamos em silêncio

o grito agrilhoado que se ergue

na convulsão da saudade

anunciada

é aquele ridiculo

AMO-TE

 

que nenhum dicionário tem

palavras novas

que possam querer dizer

amo-te.

 

by Paulo César, em 15.Abr.2010, pelas 22h00


sinto-me: saudoso
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publicado por Paulo César às 21:52
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Quarta-feira, 14 de Abril de 2010
Avô

 

No plano das águas

deposito o silêncio

transcendente,

descosendo das palavras

os nós que agrilhoam

as emoções

para me unir à mágica luz

reminiscente

do teu olhar

feito de memória viva

e saudade,

que implode no meu coração

até às lágrimas.

 

Quando foste,

ficaste mais autêntico

dentro do meu sonho

de quase menino

e hoje és ainda a realidade

imanente

dos meus dias

futuros.

 

Quando nos (re)encontrarmos

vou dizer,

num abraço imenso

o quanto te amo!

 

À memória e em memória do meu avô MAD, sonhador como eu e tão mais digno, recto e vertical.

Em 13.Abr.2010, pelas 10h40

PC


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publicado por Paulo César às 17:05
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Segunda-feira, 22 de Março de 2010
Passos no trilho velho

 

Palavras... Sentimentos... Desejos...

Luz que inunda e dissipa a névoa...

Manhã a despontar... Noite a descer...

E um grão de saudade

a germinar nos olhos vazios

como erva daninha na seara dos sonhos!

 

Ao acaso lanço perguntas no silêncio

a querer que o eco traga as respostas

que nunca encontrei

apesar da penosa busca!

 

Lastro de dúvidas...

Tantas e tão fortes

que me despeço da vida

a pedir perdão

rezando uma novena de credos

que perderam fulgor

com o passar dos anos!

 

Só restam as sombras

dos nossos corpos apaixonados

teimando ainda...

 

E já não há futuro!

Apesar da memória...

 

by Paulo César, em 22.Mar.2010, pelas 23h30


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publicado por Paulo César às 23:41
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