Domingo, 23 de Agosto de 2015
N A D A

 

Meu sentimento é de nada!

Nada... e nada acontece.

E o nada, que o tudo traz,

tira-lhe a esperança e a paz

e em desespero fenece

como lamparina sem luz,

que a noite fria reduz

a sombra negra, calada.

 

Meu sentimento é de nada!

Nada mais, que tudo é nada!

 

Em 20.Ago.2015

PC

 


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publicado por Paulo César às 17:37
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Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2014
Amor platónico


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publicado por Paulo César às 21:36
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Quinta-feira, 2 de Janeiro de 2014
Do alto da minha janela

 

do alto da minha janela aberta

à noite, ao luar e ao longe

vejo o que vejo e o que almejo.

 

as casas caladas, que ficam do outro lado

da rua,

os carros, que correm atrás dos sonhos

dos condutores acelerados,

as árvores, nuas de ninhos e prenhes

de pássaros imberbes,

os cães vadios rosnando a fome

junto aos caixotes do lixo,

os gatos no cio miando desejos,

com olhos de perdição felina,

as luzes trémulas das luminárias, que incendeiam

as artérias hirtas de sangue e suor,

tresandando a feromonas,

o assobio oblongo dos ventos agrestes,

resvalando nas esquinas em estafetas miméticas,

e os olhares vasos de quem se arrasta traumaticamente

para o cadafalso das casas cheias de vazio,

ornamentadas de projectos anacrónicos

e muitas discussões hermeticamente assassinas.

 

do alto da minha janela aberta

vejo um rio de veludo azul

entroncando num céu de panorama anil

e todos os aviões de carreira que vogam

nas correntes ascendentes em direcção a todos os lugares

que eu penso existirem, onde dizem que existem,

ainda que nunca os tenha chamado pelo nome próprio,

nem cumprimentado com um trivial bom dia.

 

já empreendi que, do parapeito da minha janela

aberta à noite, ao luar e ao longe,

eu poderia erguer uma escada de fios de teia

e por ela subir ao lugar mais secreto que conheço,

ainda que nunca lá tenha ido com os olhos totalmente abertos

e capazes de ver o que lá existe.

não sei... não há quem acredite que o lugar mais secreto que conheço

sou eu mesmo,

inquietando-me de ser apenas a imagem mínima

do que verdadeiramente sou.

 

e isso faz-me como que uma comichão ou frenesim.

se eu, que sou, não me conheço,

quem me haverá de conhecer a mim?

 

 

Em 16.jun.2013, pelas 00h30

PC

 


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publicado por Paulo César às 21:04
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Quarta-feira, 11 de Abril de 2012
Procurando a paz

 

Calcorreei todos os lugares onde me pareceu possivel encontrar-te.

A todos com quem me cruzei perguntei pelo teu nome.

Às núvens negras, prenhes dum aluvião de águas, indaguei por ti.

Aos pássaros assustados da minha ousadia interroguei sem resultado.

Olhando as pedras lisas de tanto serem pisadas tentei descobrir um sinal, em vão.

 

Era já noite e veio a lua cheia e na ansiedade de saber algo, questionei-a.

Muda me olhou na sua cor mansa e nada me disse que me desse esperança.

E pela madrugada adiante busquei até nos sonhos o azimute do teu destino

E como barco à deriva num mar de breu e tempestade soçobrei sem resposta.

 

Antes que outro dia chegasse e trouxesse consigo a angustia da tua perda sem solução

Entreguei-me à força duma fé conquistada na demência dos meus sentidos mortificados

E fiz-me caminheiro da Rota de Santiago, levando apenas a vontade e os pés descalços.

 

Subi montes, de cujos cumes vislumbrei o horizonte, desci aos vales, onde me lavei em lágrimas,

E por cada passo que dei um grito atirei ao labirinto das inquietações, que fizeram eco nos abismos.

 

Perdi-me de mim mesmo quando te perdi! Encontrar-me-ei, por fim, quando te encontrar em mim!

 

 

Em 08.abr.2012, pelas 22h30

PC

Imagem: Google


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publicado por Paulo César às 18:11
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Quarta-feira, 4 de Abril de 2012
Fastio

 

Já não me seduzem as purpurinas das vestes dos magos,

A luz sedutora dos foguetes de lágrimas derramando-se,

A sonoridade insidiosa das melodias insonsas e aveludadas,

O odor agridoce das palavras esdruxulas rendadas nas franjas,

Os sorrisos convenientes em lábios caiados de baton barato.

 

Não me incentivam as criaturas que se travestem de nababos,

Rastejantes de efeitos coloridos nas carapaças resinosas,

Batráquios esverdeados, anfíbios nascidos nos dejectos da perfídia,

Roedores de causas sociais infectados de escorbuto e febre tifoide nas visceras,

Manipuladores de boas intenções, que meneiam as ancas siliconadas.

 

Recuso os aplausos, as vénias, as loas e os labéus dos malabaristas,

Que se equilibram na cúpula das tendas de circo e lançam fogo pelas narinas,

Como se fossem dragões de Komodo (que não deitam fogo pelas ventas)

E se elevam acima do sururu das multidões para parecerem deuses,

Que transformam água em sulfato e pó em ouro branco, invisível.

 

Olho e procuro ver o fundo profundo dos abismos sebastiânicos,

Escavo a orla dos oceanos junto aos areais das praias insalubres,

Sondo as cavernas e as grutas onde a voz ecoa e ressoa em espirais,

Observo a infinitude das galáxias onde os buracos negros são protuberâncias

Que se elevam apesar dos fastidiosos duelos que travo contra a sensaboria.

 

O modo como me reflicto no silêncio que o espelho projecta com indiferença

Diz de mim o que eu não digo por palavras formais, cinzeladas, de filigrana,

Mas que grito na obscuridade das minhas viagens interestelares absurdas,

Quando mergulho na natural ubiquidade da minha transparência corrosiva

Para deflagrar como pedra lançada ao lago onde as águas imóveis se revoltam.

 

O ruido dos enxames que pululam em torno de plantas carnívoras, causa-me fastio!

E as chuvas ácidas que se concentram nas núvens carregadas de sombras

Trazem-me à memória um carnaval de fantasmas com olheiras fundas chispando pragas,

Aspergindo boatos e falsidades, como ladainhas de peregrinos em procissão,

Que não espiam os pecados capitais ainda que se arrastem no lajedo das ruas.

 

O sururu das asas dos mostrengos que se concentram ao redor das estátuas

Erigidas no meio das alamedas e no cento das praças congestionadas de poluição

Levanta o lixo que se acumula nos cantos sombrios e bafientos das ruas sem saída.

Levanto os braços e abraço o vazio prenhe de granulos de luz ténue atordoada...

Quem ousar derrubar as muralhas da minha circularidade, dê um passo em frente!

 

 

Em 03.abr.2012, pelas 00h30

PC

Imagem: Google

 

 


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publicado por Paulo César às 22:32
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011
Declaração de amor (I)

 

Fonte: Google

 

 

Não sobrou nenhuma palavra

Depois que disse: amo-te!

Nem nenhuma pomba branca veio

Arrulhar um segredo

Que descosesse o meu silêncio;

Nem uma nuvem de algodão quis

Aferrolhar o sol só para si;

Nem um sopro de aragem levou para longe

Aquela memória feita de gomos de saudade

E algumas migalhas de solidão.

 

Depois que olhei de frente o sol

No final do dia

A noite veio despudoradamente deitar-se comigo

Numa cama vazia de encantamento

E fez com que não dormisse nem sonhasse.

 

Simplesmente porque a insónia se arrogou

O direito de me infernizar o sono!

 

E o amor que eu ainda sinto

Não é coisa que se partilhe em concubinagem

Com ninguém,

Especialmente se a noite for o lado da chaga

Que ainda não cicatrizou!

 

 

Em 17.Set.2011, pelas 08h15

PC


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publicado por Paulo César às 17:44
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Sexta-feira, 17 de Junho de 2011
PUBLICAÇÃO DE LIVRO DE POESIA

 

AQUI FICA O CONVITE OFICIAL RELATIVO AO LANÇAMENTO DO MEU LIVRO.

AGUARDO A VOSSA PRESENÇA E PARTICIPAÇÃO!

 

P C

 


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publicado por Paulo César às 15:35
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Quinta-feira, 9 de Junho de 2011
LANÇAMENTO DO LIVRO "NO CHÃO D'ÁGUA - Poesia Líquida..."

(imagem obtida na net)

 

Está em marcha e vai acontecer...

 

NO DIA 2 DE JULHO DE 2011, PELAS 16H00,

NO ANFITEATRO DO CAMPO GRANDE, nº 56, EM LISBOA!

 

Será o lançamento do meu livro de poesia "No Chão d'Água - Poesia Líquida..."!

O meu primeiro livro!

 

Desde já, a todos, deixo o convite para estarem presentes! Serão bem vindos!

 

O convite oficial irá sair em breve e logo será publicado!

 

Estou a ficar em pulgas...

 

PC

 

 

 


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publicado por Paulo César às 01:50
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Domingo, 12 de Setembro de 2010
Versejando - Texto I

 

Navego as dores e os presságios,

Como se carregasse um filho no ventre!

 

Rebentadas as águas,

Os rios aventuram-se no mar

E diluem no sal a mansidão dos leitos!

 

Nem todos os peixes são azuis,

Como nem todas as lágrimas acordam

As tuas palavras caladas!

 

by PC, em 07.Set.2010


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publicado por Paulo César às 10:07
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Sexta-feira, 18 de Junho de 2010
Quase sonho...


(Imagem obtida na internet)

 

Tornar-se o sonho! O próprio sonho vir a ser...

Mais que fisico, carne ou pedra, ser chama,

Labirinto de sentimentos e aventura,

Lastro de mar em marés mais vivas que a dor,

Mais funestas que a morte;

Queda livre no infinito

De onde só a palavra será capaz de ressuscitar

A alma, pela força de um verso...

 

Devagar...

Medindo o tempo pela ampulheta

Dos sorrisos, dos abraços, dos beijos lançados

Com a palma da mão

Onde lemos o futuro!

Coligindo das horas todos os raios solares,

Todos os pingos de chuva fria,

Todos os frémitos revoltos da aragem indomada,

Dum vento que cavalga o dorso das estações

Com a mesma volúpia com que se enamora

Das ondas

Para deixá-las prostradas e rendidas

Na orla da praia,

Semi-cobertas, desnudas, entre os novelos da espuma,

Dossel de seda e cambraia!

 

Lábios que sabem prometer a eternidade

Lançam poemas na força centrífuga do éter!

Braços que sabem estreitar o medo

Dominam o tempo que há-de ser!

 

 

by Paulo César, em 18.Jun.2010, pelas 21h30



publicado por Paulo César às 22:18
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