Sexta-feira, 20 de Maio de 2011
Modesta definição de amor

 

Não podem as bombas apagar

A beleza que irradia da alma

Quando aos olhos se alevantam

As boninas e no claro silêncio das pradarias

Uma ave voa a traçar fios de luz

No lençol imenso do horizonte.

 

Amor é…

Querer mais que se querer

E, por bem-querer, içar voo

Para atingir as lonjuras do ser

A aura do amanhecer

O fôlego intacto das hordas que se ofertam

Em gestos de magnanimidade

Sem preço, nem quinhão.

 

Amor é…

Entregar-se na intocada maravilha

Da descoberta daquele que nos olha

E trás no fundo infindo do olhar

O grito calado de quem pede sem pedir

Tudo o que não se acha ou compra

Nos mercados, nas lojas ou nos botequins

E apenas flui dos anjos querubins!

 

Amor é…

Estar assim liberto da lei da gravidade

Que subjuga e nos impele a ser outros

Até nos espelhos onde nos achamos nus

E onde buscamos encontrar a maciez maquilhada

Da fronte como retábulo de artista intemporal

Que reproduz em lavores de magia

Os raios que acendem a luz além da luz!

 

Nem o toque marcial dum sino louco,

Nem o trepidar ululante duma arma cretina,

Nem o urro vingativo duma voz demoníaca,

Nem as enxurradas prenhes de rancor

Farão recuar a verdade profunda

Nascida da indefinível força do espírito.

Esse, ainda que impalpável, é o amor!

 

O amor é…

Nada mais se lhe pode ajuntar

Para o definir ou justificar!

Dizer mais é dizer nada!

 

 

Em 28.abr.2011, pelas 15h00

PC


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publicado por Paulo César às 15:27
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Quinta-feira, 7 de Junho de 2007
Grito!



Hoje dói-me esta dor de não sei o quê

Esta amargura de não sei como
Esta solidão de não sei onde

Dói-me simplesmente estar aqui
e não saber como explicar
este sentimento estranho
de sentir-me cruamente macerado
por uma claustrofobia de não estar fechado,
uma angústia de não estar só,
uma ausência de estar presente!

Olho em redor e tudo está
onde deve estar!
E no entanto dói-me esta dor
infinita de sentir que no fundo de mim
há um vazio preenchido que me faz falta
um lugar inacessível que já alcancei
um sonho comum que já não é
como foi, num tempo que mudou!

Grito o mudo grito de quem grita
para si mesmo:
-Quem pode dizer-me o que sinto?

by Paulo César, em 7.Jun.2007, pelas 17h30

sinto-me: angustiado
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publicado por Paulo César às 17:46
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Sábado, 11 de Novembro de 2006
Falando alto

Apetece-me tanto dizer
ao vento que passa
o silêncio que vai dentro de mim!
Gritar como se gritando fosse viver
para além da desgraça
que corre indiferente por aí!
Olho e quanto vejo nada é...
Os homens como eu o que desejam?
Que sentimentos nutrem? O que os move?
Que passado carregam e que futuro almejam?
Apetece-me tanto sentar à beira praia
e rasgar a areia com as minhas mãos
vazias, nuas, gretadas,
e chamar as gaivotas que rumam a norte
para lhes dizer do meu silêncio!
Por fim só me apetece estar aqui,
esquecido de mim,
a encher de palavras esta folha lisa
certo de que quanto ficar dito
será o meu testamento.
Não o testamento dum morto;
mas o atávico testemunho
dum homem que teima estar vivo
para se sentir capaz de viver.
 

by Paulo César, em 11.Nov.2006, 23h00
 
 

sinto-me: Solitário
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publicado por Paulo César às 22:46
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Quinta-feira, 24 de Agosto de 2006
Desejo

Devora-me...
Possui-me...

Entra em mim
Como navio na barra,
Deixa que os meus poros
Sorvam o humus da tua pele
E ancora nos meus braços!

Ergue-me qual bandeira
No mastro real,
Mas não deixes que eu naufrague
Na praia,
Rente à espuma das ondas,
Sedento e faminto de ti!

by Paulo César, em 22.Ago.2006, 08h00

sinto-me: Exuberante
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publicado por Paulo César às 19:13
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Domingo, 13 de Agosto de 2006
Interrogativa

O parco olhar...
A luz arisca...
O claro sonho...
Algures Deus...
Longe o passado...
Distante a meta...
Por dentro a dor...
Por fora a sombra...
Esquecido o tempo...



Quem sou?

Quem penso ser?
Se ao acaso penso
sentindo ser
quem nunca sei?


by Paulo César, 14.Fev.2006, 01h40

sinto-me: Inquieto
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publicado por Paulo César às 23:27
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