Quarta-feira, 11 de Abril de 2012
Procurando a paz

 

Calcorreei todos os lugares onde me pareceu possivel encontrar-te.

A todos com quem me cruzei perguntei pelo teu nome.

Às núvens negras, prenhes dum aluvião de águas, indaguei por ti.

Aos pássaros assustados da minha ousadia interroguei sem resultado.

Olhando as pedras lisas de tanto serem pisadas tentei descobrir um sinal, em vão.

 

Era já noite e veio a lua cheia e na ansiedade de saber algo, questionei-a.

Muda me olhou na sua cor mansa e nada me disse que me desse esperança.

E pela madrugada adiante busquei até nos sonhos o azimute do teu destino

E como barco à deriva num mar de breu e tempestade soçobrei sem resposta.

 

Antes que outro dia chegasse e trouxesse consigo a angustia da tua perda sem solução

Entreguei-me à força duma fé conquistada na demência dos meus sentidos mortificados

E fiz-me caminheiro da Rota de Santiago, levando apenas a vontade e os pés descalços.

 

Subi montes, de cujos cumes vislumbrei o horizonte, desci aos vales, onde me lavei em lágrimas,

E por cada passo que dei um grito atirei ao labirinto das inquietações, que fizeram eco nos abismos.

 

Perdi-me de mim mesmo quando te perdi! Encontrar-me-ei, por fim, quando te encontrar em mim!

 

 

Em 08.abr.2012, pelas 22h30

PC

Imagem: Google


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publicado por Paulo César às 18:11
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Oração (em voz alta)

Páro!

E quando já nada me apetece pensar

volto-me para o sol envergonhado,

no esconde-escode das núvens negras

e penso ainda...

 

E retomo a caminhada

na lenta passada dos dias

adivinhando a saudade

enquanto a chuva diluviana

sacode o silêncio poeirento

do Outono cinzento.

 

E olhando em redor

levanto as mãos em prece

e agradeço

uma vez ainda repetida e teimosamente

a luz e a treva

o sorriso e as lágrimas

o ser racional

e o ente espiritual

que me dá asas para ser livre

mesmo quando as palavras

me envolvem no silício

das regras sem fundamento.

 

E quando rezo

voo

e é nas asas da lonjura

que a alma me devolve

à terra

para amar sem medida

o que não tem tamanho.

 

by Paulo César, em 19.Nov.2009, pelas 22h00

 


sinto-me: grato
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publicado por Paulo César às 22:01
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Sábado, 5 de Julho de 2008
Do chão e da alma

 

Há no ar uma magia

desconcertante

e a luz tem o sabor

impregnado das amoras silvestres,

como se fora lua cheia

e os pirilampos ziguezagueassem

ao encontro do sonho

nos penhascos da via-láctea.

 

Sinto-me cheio da vontade

de ir na direcção do acaso

a colher marmequeres campestres

e papoilas rubras de desejo

ouvindo o coachar de rãs preguiçosas

ou o zumbido de abelhas ladinas

no silêncio de sombras vivas

à beira de caminhos feitos de passos imponderáveis.

 

Sento-me onde me sinto cansado

e retomo a marcha quando me chamam os pássaros

ou quando os latidos agudos dos cães vigilantes

demarcam o espaço entre o possível e o ímpossível.

Quando me deito é porque a noite me abraça

e envolto na sinfonia maniqueista dos ralos notívagos

dou de caras com a matemática da vida

e enceto a aprendizagem duma tabuada informal.

 

Somo parcelas imprevisíveis de vontade,

subtraio arremedos de decisão,

multiplico por ansiedade a demência do tempo gasto

e divido em partes iguais o que não é divisível.

E o que sobra, se acaso sobra,

não é resto nem quinhão,

é um conjunto de nada e vazio

que preenche tudo o que sou

até transbordar pelos poros cavados

na rudeza da pele gretada

como sulcos de arado no campo em pousio

onde não crescem nem cardos nem girassois,

nem hortênsias ou morangos,

mas germina libertinamente

a erva alta que ao longe parece seara

e ondeia como seara

 e cresce, e vive, e amadurece como seara

que não é, mas parece ser.

 

Inspiro fundo a bsorver os odores todos

que enchem o espaço, do local ao infinito,

até ficar zonzo da plenitude das fragâncias.

E adormeço sem a noção do sono ou do sonho

esbugalhando o olhar para me perder no horizonte

e mergulhar na vida viva que se alimenta

do sol e do mar, da noite e do dia,

e de mim!

 

É então que caminhando acordo de estar acordado

e busco no espaço em redor

a origem dum arrulhar inconfundível...

No cimo dum ramo seco que foi pinheiro,

ou azinheira, ou sobreiro, ou o que tiver sido,

uma rola breve cumprimenta-me de passagem

dizendo-me na sua linguagem de ave que eu reconheço:

- Cucurru... Cucurru... Curru...

 

É nesse momento que os olhos ficam marejados

e, seguindo embora, os passos já não vão,

ficam ali, entre o caminho e o destino,

a saborear o momento único e a viver o encontro

de mim com o que resta de mim

enquanto a rola se eleva no ar

como se desfraldasse o lenço branco do adeus

e batendo as asas frágeis escrevesse a mensagem

que não consigo dizer por mim mesmo:

- Obrigado!

 

by Paulo César, em 30.Junho.2008, pelas 22h30

 


sinto-me: cheio de vida
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publicado por Paulo César às 14:26
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Sexta-feira, 5 de Janeiro de 2007
Os Reis Magos


Vamos pôr luz onde existir sombra...
Levar paz onde houver guerra...
Deixar pão onde sobejar fome...
Plantar alegria onde morar a angústia...
Agasalhar com roupa quente quem tiritar de frio...
Ensinar a ler a quem nunca foi à escola...
Mostrar a vida a quem só conhece a morte,
e a dor,
e o sofrimento,
e a raiva,
e o ódio,
e o desespero,
e o abandono,
e a marginalização,
e jamais teve sonhos,
ou brinquedos,
ou família,
ou amigos,
ou país,
ou Deus!

Vamos, como Reis Magos,
Sem medo do caminho,
Abandonados a nós mesmos
E confiantes
Que a estrela nos guiará até Belém!



Belém será em todos os lugares
Onde existir alguém nascido
Carente,
Necessitado,
Sofredor,
Abandonado,
Doente,
Explorado,
Analfabeto,
Nú de afecto,
Esfomeado de carinho,
Sedento de amor,
Ansioso por ser ouvido,
Agrilhoado pelo desespero.

Não levaremos Mirra,
Nem queimaremos Incenso,
Nem ofereceremos Ouro.
O nosso séquito não será de Reis,
O nosso caminho não passará por Jerusalém.
Mas seguiremos a Estrela
Como há 2007 anos atrás
E chegaremos ao local exacto
Do nascimento da Vida:
Chegaremos a Jesus!

Em seu nome chegaremos!


05.Jan.2007 - 22h30

sinto-me: nice
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publicado por Paulo César às 22:22
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