Domingo, 10 de Janeiro de 2010
Cadafalso

 
Vagaroso arrasto o tempo
Para o cadafalso
Dos sem perdão ou misericórdia.
 
Espero apenas o teu sorriso breve
Ou o teu adeus envergonhado
Lançado num gesto de mão
Abandonada
Que cortará o ar suave
Do horizonte sem nuvens.
 
Sigo em passos automáticos
Que me levam adiante
Ao estrado dos condenados.
 
Vou livre de todo o peso
Da vida
Cismando os momentos
Que entreguei à paixão
Como se quisesse apossar-me
Da eternidade.
 
Resta-me o tempo breve
Do último desejo...
E não sei senão desejar
O teu olhar bravio
A penetrar o meu olhar perdido
Que se apossa da vastidão
 
Para morrer empanturrado
Das poderosas flores do campo
Do voo das aves sinceras
Dos sons sibilinos dos cães vadios
Do rumor ditatorial das águas correntes
Do ribeiro sonolento da minha meninice...
 
E da frescura penetrante
Do silêncio do fim da tarde
Quando o sol se plantava na orla
Do horizonte dizendo adeus de mansinho
Enquanto bailava com a lua
Num esconde-esconde de quarto crescente!
 
Já não sei de mim senão a saudade
E a memória...
Mas apetece-me tanto
Gritar que te amo até parecer louco...
Ah, não fora este crime da paixão assim
E teríamos ainda o tempo todo para o amor!
 
by Paulo César, em 03.Jan.2010, pelas 15h45
 


sinto-me: pensativo
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publicado por Paulo César às 17:48
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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009
Breve memória da inocência perdida


Violácea memória

fermento de sorrisos...


Quando os olhos buscam

no plasma celeste

a vagarosa melopeia

duma canção de ninar

é tempo de maré vasa

para os lados da lua nova...


Vagalumes cirandam

de cá para lá no frenesim

da inocência...

e um tostão nasce

na travessura dum sonho

tornado real!


Regressaremos ainda

à ternura dum serão

pleno de castelos e castelãs,

de duendes e lobisomens,

de encantos e encantamentos,

ou morreremos virgens

na agressão do silêncio

a libertar sonhos

como se fossem pássaros de fogo?

 

by Paulo César, em 08.Dez.2009, pelas 17h45


sinto-me:
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publicado por Paulo César às 17:50
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Domingo, 7 de Junho de 2009
Memórias da memória

 

Nas lodosas manhãs
Acordo da clausura
Da diáspora
E lanço âncora
Ao rés da maré vasa,
Quando a lua se despede
Com um beijo
E o sol se ergue
Majestoso
Nos escaparates do oriente.
 
Vagueio entre mudo e nu
Ao encontro das palavras
Estremunhadas e famintas
E descubro na água corrente
Temperada do duche matinal
As fragrâncias aferrolhadas
Dos campos que já não são,
Dos tempos que já foram,
Da vida que passou por aqui
E deixou marcas e marcos
Que dividem em talhões
E parcelas
O antes, o agora e o depois.
 
E uma melodia repetitiva
Invade-me por dentro e por fora
Impelindo-me a trautear
Maquinal e desajeitadamente
Palavras que arrastam memórias
E memórias que devolvem momentos
Tão presentes como se fossem novos,
Tão vivos como se fossem outros,
Sendo aqueles que já foram.
 
Há odores que sobressaiem
Das imagens dos sonhos;
Há cores que se sobrepõem
Ao colorido dos dias;
Há pessoas que retomam os seus lugares
Em cenários surreais,
Assumindo o protagonismo
Que o tempo fez esmorecer.
 
E no entanto o que já não é
Ainda continua a ser,
Quando nas lodosas manhãs
Acordo da clausura
Da diáspora
Para me assumir por inteiro
Actor duma peça em capítulos,
Cujas palavras esdrúxulas
Se perfilam imponentes,
Sem autoria definida…
 
Basta ser
E o mais é por si mesmo!
 
 
by Paulo César, em 14.Jul.2008, pelas 23h00

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publicado por Paulo César às 15:10
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