Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2016
O NATAL POSSÍVEL

AbraçArvore.jpg

Não estavas, mas estiveste!

Não falaste, nem riste, mas senti-te!

O teu lugar ficou vazio

e o teu prato não foi tocado sequer,

mas o eco das tuas gargalhadas

encheu aquele lugar do chão ao tecto

e tudo o que não dissemos

eu recordei,

quando o ruído das vozes maquilhou de sorrisos

aquele espaço sem tempo.

 

Não foi nada mais do que saudade!

Não foi senão um desejo profundo

de te saber ali,

ainda que nada o fizesse notar.

 

Não choremos agora, que a vida tem outra intensidade

e outra luz e mais fulgor a eternidade!

Quem permanece no coração

faz acontecer Natal todos os dias,

ainda que os dias sejam de distância e solidão!

 

Inclino-me e sinto-me feliz!

Nada te afasta, quando tu permaneces!

 

Em 25.Dez.2015

PC



publicado por Paulo César às 09:00
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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009
Dores que o Natal carrega

Carrego as palavras

como anjos de algodão

desnudados da vergonha

ou da ingratidão

 

arrasto à força desejos

de paz e bem querer

como se todo o futuro

não fosse acontecer

 

repito sem cessar

este grito de revolta

por tudo quanto doi

e anda por aí à solta

 

afago o olhar mortiço

dos putos da rua toda

é que neles perdeu o viço

a festa, o riso, a boda!

 

e evito a voz amarga

dum velho da beira rua

que se crava como adaga

em mim, sonhador da lua!

 

e o meu riso é minha dor

e a minha dor um punhal

que se afunda com fragor

nesta quadra de Natal!

 

que entre luzes e filhós

da familia que se irmana

há tantos e tantos, tão sós,

na sua condição infra-humana!

 

oh presépio do amor,

oh cabana simples de luz

onde estás tu, oh Senhor?

onde mora teu espírito, Jesus?

 

seguem as horas e os dias

noites frias, chuva e neve,

e depois das alegrias

que sobrará que nos leve

 

a buscar outro caminho

que nos faça ser capazes

de dar alma ao coração

destes tempos tão vorazes?

 

Neste tempo, nesta época, nesta quadra, onde o peso dos sem peso sopesa e muito nas nossas atitudes, talvez valesse a pena tomar um caminho novo, que não passa por seu outro, mas passa por ser diferente.

Diferente perante si mesmo, perante os outros, perante a sociedade e perante a vida!

Diferente, para melhor, tendo presente que a mudança terá que ser radical e definitiva!

 

Talvez assim possamos festejar o próximo Natal sem a obrigação de ser Bom!

 

FESTAS FELIZES A TODOS OS QUE SENTEM QUE VALE A PENA APOSTAR NUM NATAL DIFERENTE!

 


sinto-me: angustiado como sempre no Nata
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publicado por Paulo César às 13:12
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Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
O novo pinheiro de Natal

 
E
se
o mar
revolto
se tornasse
no cadinho
onde o tempo
perpetuasse o infinito?


Plantaríamos fogos fátuos

nas montanhas lunares e nos

equinócios escreveríamos sinais

e com lumes acesos aqueceriamos

os silêncios e as solidões alheias e nuas

para que de cada nova noite se soltasse

um grito mais e tantos que o coro de todos eles

fosse a seara ondeante dum trigal de espigas loiras

sem ses
nem mas
nem talvez
nem nada
que não fosse
sorriso e luz
alegria e paz!


E ainda assim este poema tem a encimá-lo o se que tanto doi a quem só tem dores para desfiar à lareira dum fogo que não arde, porque a esperança está prestes a morrer no borralho da cinza quase extinta!


Apesar do pinheiro verde, cinzento é quase tudo o que à sua volta se move impaciente e impassível, no alheamento dum tempo frio onde os corpos gangrenados se escondem sob papelões velhos a mitigar o abandono dos simplesmente abandonados!

 

by Paulo César, em 24.Nov.2009, pelas 20h30

 


sinto-me:
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publicado por Paulo César às 09:54
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