Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010
Versejando - Texto II

 

Por amor te matarei…
Morrerei por amor?
O desassossego me fere e mata,
O desespero me cega e dói!

Quem disse – quem foi?
Que, imolado pela dor,
Se ganha o céu?

 

by PC, em 08.Set.2010


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publicado por Paulo César às 12:18
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Sábado, 6 de Março de 2010
A morte dos pássaros

 

Sabes porque morrem os pássaros?

 

Porque na orla dos rios

os nenúfares recusam

espelhar-se nas águas correntes

e os chorões se desnudam de sombra

no pico da primavera

quando o sol se apaixona

pela paleta de cores

dos campos verdes

onde cresce o malmequer,

a papoila

e o azevém.

 

Morrem de tristeza

pendurados no cimo de campanários

calados

na vã espera dum trinado

que lhes aqueça a alma

e os acorde para os dias claros

do tempo do recomeço!

 

Morrem, porque lhes faltam

o amor

e os ninhos

e a saudade se revela

na diabólica invenção

de cada novo dia!

 

Morrem, simplesmente

nas gaiolas douradas

em que os prendes

querendo que, libertinos,

te inundem de chilreios!

 

Morrem,

porque tu os matas!

 

by Paulo César, em 06.Mar.2010, pelas 17h00


sinto-me: tristonho
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publicado por Paulo César às 17:06
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Terça-feira, 4 de Agosto de 2009
Premonição

 
"Bem aventurados os puros de coração,
Porque verão a face de Deus..."
 
(uma das nove Bem-Aventuranças do Sermão da Montanha)
* * * * * * * * * * * * * * *
 
Se a luz pequenina,

que ainda me enche o olhar,

o coração e o horizonte,
vacilar

ante uma rajada de vento forte,

talvez seja o rugir da morte

arrastando os passos pesados

de besta viperina.


E porque o medo atroz
me tolda o discernimento
e me estrangula a voz
para gritar por socorro,

sei que de nada valerá rogar,

no silêncio da alma,
uma prece sentida
no derradeiro momento.


Olharei altivo a negra Tânatos

e tomando a estrada do infinito

partirei demente
a burcar-me ainda
por entre os fios soltos
da estridência do grito
que lançarei ingente

a convocar o sonho que não finda.


Que, morto o corpo, o homem sobra

na proporção da grandeza

do seu carácter e da firmeza

da vertical tecitura da sua obra!

 

by Paulo César, em 04.AGO.2009, pelas 19h30

 


sinto-me: filofosando
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publicado por Paulo César às 19:56
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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009
Jogo de espelhos

 

No plano, a imagem

Desconstroi a imagem

E mostra, olhos nos olhos,

As rugas do tempo,

Os sulcos do esforço,

As cãs, como erupções

De cansaço,

De dor,

De desespero lento,

De ausência...


A pele gretada, rugosa

Como casca,

É o mapa da vida

Sinuosa

Que transporta no âmago

E que silencia para gritar

Mais alto

Quando já ninguém

Quer ouvir.


Os braços são ramos velhos,

As pernas troncos ocos

E a seiva, à míngua de respeito,

Corre como se marchasse apenas

Ao encontro dum ponto

Neutro e abstracto,

No lugar mais distante

E tão próximo

- Vizinho a quem não se fala,

que não se quer conhecer,

mas que todos os dias se cruza

na escada

e sobe no elevador -

A morte!


E um dia, ao olhar o espelho baço,

A imagem surge clara e cristalina,

Com um sorriso largo e pueril

E os braços abertos,

Como se convidasse à ternura,

E vagarosamente

Transpomos o lado físico

E lançamo-nos à aventura

Da descoberta do outro lado

Da película prateada

Onde tudo se reflecte

E nada adere

Para sempre.


Para sempre é

Uma medida sem tamanho

Que não ousamos

Levar a sério

E no entanto

Esse tempo virá

E nele descansaremos enfim,

Para sempre,

Sem metáforas

Ou ocasionais jogos de espelhos.

 

by Paulo César, em 06.Dez.2006, pelas 08h30


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publicado por Paulo César às 09:21
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Sábado, 17 de Fevereiro de 2007
Desejo de morte



Quando a morte vier

que venha devagar,
silenciosa,
insinuante,
na força duma bala,
no gume duma faca,
no nó duma corda,
no estrondo de uma queda,
numa sincope indolor,
ou como quer que seja...

Quando a morte vier
que eu esteja preparado
para a receber
e com ela beber um copo,
trocar uma conversa amena,
dançar uma valsa lenta
ou um tango fugaz.

Quando a morte vier
que seja dia,
sol vivo e a pino,
 luz vibrante e envolvente,
tempo de flores
e muita água nos rios.



Que haja pardais no arvoredo
e andorinhas nos beirados,
gente apressada nas ruas
e sons de música num rádio
incansável
donde brote alegria a rodos.

Quando a morte vier
que eu saiba da vida
tudo o que devesse saber
e que nada nem ninguém
chore a minha partida
mesmo sem querer.



Quando a morte vier
que venha bonita,
cheirosa,
requintada,
sorridente,
quiçá sexy...

É assim que deve ser
quando a minha morte vier!

by Paulo César, em 17.Fev.2007, pelas 16h15

sinto-me: pragmático
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publicado por Paulo César às 16:10
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