Terça-feira, 17 de Junho de 2014
A melhor maneira de amar, é amar


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publicado por Paulo César às 13:51
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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012
Ressonâncias da memória

 

Não restam senão murmúrios,
Palavras decepadas de ecos e ressonâncias,
Beijos vazios da solidez dos encantos
E olhares distantes que não enxergam
Os vultos que se derramam
Em adormecimentos de desejo.

Não há tímpanos onde se unam os silêncios
Depois de mais um abraço,
Nem braços que aguardem a ocasião
Em que os corpos se confundiam,
Para dar cor às sombras inquietas,
Que se aninhavam para aninhar
Os que buscavam dar-se as mãos e sorrir.

Doces e amargas as lágrimas secaram
Deixando marcas de escorrência
Para memória futura!
Em sossego o coração dispara, exulta,
Reganha a vontade de dizer presente,
Mas adormece no cansaço de saber-se exausto,
Qual vagabundo sem tecto, nem chão.

Um som seco e endurecido exclama a dor
E a raiva explode a mostrar o avesso
De todos os castigos e de todas as penas!
Quem foi que pôs veneno na aura dos sonhos
E rasgou com golpes de adaga fria e insana
A ampulheta por onde escorria o tempo
Assassinado sem dó na encruzilhada dos enganos?

Por fim a serenidade e a ternura, ainda o carinho,
Ainda a textura das vozes e os trejeitos dos gestos
E um pássaro que voa a cantarolar loas em trinados
Burilados na imensidão das saudades vagabundas
Acopladas a sonhos náufragos e sem destino.

Como é bela a lua redonda no céu infinito…
E como é bom não ter olhos de alcançar o impossível!
Vale saber que os pensamentos não se acorrentam
E os sentimentos não se podem lançar ao lixo!
E que há sempre um lugar de segredos no sótão de cada um!


Em 19.jan.2012, pelas 12h00
PC

 

Imagem: Google


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publicado por Paulo César às 12:18
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Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011
Carta a meu pai...

Pai e filho (fonte: Google)

 

Ontem, tinhas o olhar de ver muito além

E levavas pela mão este, que era quase ninguém;

Sorrias o teu sorriso de encantar

E achavas estórias de sonho na chuva e no luar;

Pintavas de sonoros azuis e verdes o amanhã

E nada retardava a passada desse teu afã;

Tomavas as dores como um alento ou elixir

E dizias, por gestos únicos, o amanhã, o porvir!

 

Ontem, havia pirilampos num arrebol de alfazemas,

Nas noites quentes dum estio de cansaço e dilemas;

Rios de suor e esperança a inundar as Ave-Marias

E um quase sussurro erguia-se das entranhas dos dias;

Ainda que desmaiasse o querer, logo o dever mandava

Que descosesses a sorte e, a sina mudava,

Ao mando das mãos e do teu corpo enxuto,

Que se firmava na honra do ser impoluto!

 

Ontem, nas horas amargas, sobrava o futuro

E um sonho crescia a par de ti, esforçado e puro,

Dando cor às cores dos campos sóbrios, floridos,

Desses tempos mornos e lentos, intensos, mas idos!

 

Hoje, o olhar esmaeceu, como se a aurora nublada

Trouxesse consigo o tantã dos dias e de rajada

Tudo fosse apenas pouco, ou quase nada…

Hoje o tempo cavou sulcos no teu rosto cru

E deixou que a alma esmorecesse e mostrasse, nu,

O ser que guardavas na concha da vida: tu!

Hoje, os dias esgotam-se no lento fugir das horas

Sem luares de riso, nem chiadoiro de alcatruzes nas noras!

 

Hoje, sei, pastoreias a memória e guardas, no cós

Das desventuras, um diário feito de cicatrizes e nós

Que denunciam o medo, a dúvida e a saudade atroz.

E o silêncio, que fala e gesticula e grita, quando te calas,

Diz mais do que queres dizer e, quando falas,

As palavras saem a meia voz, ecoando pardas e ralas!

Hoje, a luz que se projeta em ti, faz-te, ainda mais,

O homem que se fez homem no labor cativo dos ais!

 

Hoje, o sol e a lua nascem e morrem sem qualquer clamor

E as estações do ano chegam anónimas e partem sem fulgor!

E se, nas copas exaustas, o vento dá e amedronta o passaredo

Não é por ele que chega o futuro, que ainda é segredo!

 

Amanhã… Que notícia trará o tempo que há-de vir

E que estrondo de trovão rasgará o silêncio fazendo ruir

A certeza de que nunca te perderei e te perderás?

 

Amanhã, depois que descer o agora e depuser, em paz,

O seu cetro real, que ainda empunhas, que restará,

Que não seja a alegria, a honra, a gratidão e o amor, papá?

 

Ontem, hoje e amanhã… enfim!

Sempre seremos um só…

Carne da carne, pó do pó...

Eu de ti; tu de mim!

 

 

Em 01.Ago.2011, pelas 08h00

PC


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publicado por Paulo César às 17:37
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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009
Breve memória da inocência perdida


Violácea memória

fermento de sorrisos...


Quando os olhos buscam

no plasma celeste

a vagarosa melopeia

duma canção de ninar

é tempo de maré vasa

para os lados da lua nova...


Vagalumes cirandam

de cá para lá no frenesim

da inocência...

e um tostão nasce

na travessura dum sonho

tornado real!


Regressaremos ainda

à ternura dum serão

pleno de castelos e castelãs,

de duendes e lobisomens,

de encantos e encantamentos,

ou morreremos virgens

na agressão do silêncio

a libertar sonhos

como se fossem pássaros de fogo?

 

by Paulo César, em 08.Dez.2009, pelas 17h45


sinto-me:
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publicado por Paulo César às 17:50
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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
Velhos

 

Para aqueles que são a razão de estar aqui!

 

Não vos sinto as dores,

nem vos oiço os queixumes,

nem conheço os vossos sonhos adiados,

nem sei dos vossos medos,

nem adivinho a grandeza das vossas solidões,

nem pressinto o fervor da vossa fé,

ou a grandeza dos vossos projectos,

ou a temerária audácia dos vossos futuros

de gente de mãos calejadas,

de pernas doridas e prestes a ceder,

de corações quase extintos, abafados,

dos vossos olhares nublados,

dos vossos sorrisos macilentos.

 

Sei de vós quase sempre, apenas,

o comprimento da vida

medida em anos,

em imagens fantásticas

que nos mostram, como se quisessem

calar-vos, enclausurar-vos,

numa redoma de luares de Agosto!

E esses não sois vós,

os velhos que eu amo velhos,

que eu respeito velhos,

que eu, numa vénia de quem agradece,

quero velhos,

dessa velhice que ensina,

que encoraja,

que enaltece,

que gera respeito,

que apela à escuta

das palavras simples e sábias

em discursos mil vezes repetidos,

a pedir ouvintes.

 

Quero-vos, velhos,

assim mesmo, velhos de tempo,

velhos de alma e espírito,

velhos de muito passado,

que apela a muito futuro,

velhos de muita dor e tristeza,

que pedem muita alegria e entrega,

velhos de muitos filhos e netos,

que apontam mais família,

velhos de muita fome,

que exigem muita solidariedade,

velhos de muito trabalho,

que merecem o trono da vida,

velhos de um povo do mundo,

cujo direito supremo

consiste em ser ainda

velhos!

 

Quero-vos VELHOS!

 

Valentes homens e mulheres,

Extraordinários pais, mães e avós,

Lindos rostos cujas rugas venero,

Humanos gestos onde o sonho perdura,

Olhos terrenos dum Deus presente, em

Sábias palavras que de ouvir não canso!

 

Quero-vos VELHOS!

Para beber dos vossos lábios

a serenidade que explode

como bênção

dos silêncios que caem depois das palavras

enquanto buscais no baú das memórias

o saber que o tempo decantou

em arquivos onde sois os guardiões!

 

Quero-vos...

E porque assim o aprendi de vós

vou esculpir na pedra da vida,

a cinzel, para que não se perca

na voragem do tempo,

o louvor que as vossas cãs merecem:

 

Queridos velhos, velhos são os trapos!

 

 

by Paulo César, em 05.Out.2009, pelas 17h00

 


sinto-me: grato e feliz
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publicado por Paulo César às 17:35
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Domingo, 7 de Junho de 2009
Memórias da memória

 

Nas lodosas manhãs
Acordo da clausura
Da diáspora
E lanço âncora
Ao rés da maré vasa,
Quando a lua se despede
Com um beijo
E o sol se ergue
Majestoso
Nos escaparates do oriente.
 
Vagueio entre mudo e nu
Ao encontro das palavras
Estremunhadas e famintas
E descubro na água corrente
Temperada do duche matinal
As fragrâncias aferrolhadas
Dos campos que já não são,
Dos tempos que já foram,
Da vida que passou por aqui
E deixou marcas e marcos
Que dividem em talhões
E parcelas
O antes, o agora e o depois.
 
E uma melodia repetitiva
Invade-me por dentro e por fora
Impelindo-me a trautear
Maquinal e desajeitadamente
Palavras que arrastam memórias
E memórias que devolvem momentos
Tão presentes como se fossem novos,
Tão vivos como se fossem outros,
Sendo aqueles que já foram.
 
Há odores que sobressaiem
Das imagens dos sonhos;
Há cores que se sobrepõem
Ao colorido dos dias;
Há pessoas que retomam os seus lugares
Em cenários surreais,
Assumindo o protagonismo
Que o tempo fez esmorecer.
 
E no entanto o que já não é
Ainda continua a ser,
Quando nas lodosas manhãs
Acordo da clausura
Da diáspora
Para me assumir por inteiro
Actor duma peça em capítulos,
Cujas palavras esdrúxulas
Se perfilam imponentes,
Sem autoria definida…
 
Basta ser
E o mais é por si mesmo!
 
 
by Paulo César, em 14.Jul.2008, pelas 23h00

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publicado por Paulo César às 15:10
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Domingo, 25 de Maio de 2008
Saudade

 

 

Cavalos aládos

Entram sem aviso,

Relincham nos meus sentidos

Murmúrios de espavento

E atapetam de cores garridas

Os prados da minha

Memória.

 

Beijos que demos

Em cantos escondidos,

Sofridos de tão doces,

Amargos de tão intensos,

Crescem espontâneos

Aos olhos mortiços da minha alma,

No clic intemporal

Da recordação!

 

Sinto-me lá

Presente e ledo

A esperar por ti…

 

Bate que bate coração,

Cavalo aládo

Que o sonho anima

E o dia se fará de novo,

Presente que foi,

Futuro que será.

 

Será???

 

 

by Paulo Césr, em 15.Out.2005, pelas 22h35 – Twin Towers


sinto-me:
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publicado por Paulo César às 16:29
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