Sábado, 22 de Janeiro de 2011
Resignação

 

Arisco risco

No chão de névoa

A distância dos passos

Que nunca me trazem de volta…

 

Revolta é quanto me resta

Que por esta fresta

De luz e medo

Em segredo me resigno

A ser ainda

Eu!

 

 

Em 14.jan.2011, pelas 16h45


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publicado por Paulo César às 15:27
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Domingo, 28 de Novembro de 2010
Po.Ética - Primeiro

 

Quando o sol nasce vem nu,

Despido de preconceitos racistas,

Aquecer todos por igual

E espalha os seus raios a granel

Em todos os cantos escondidos…

 

Nos campos aloira os trigais,

Nas montanhas derrete a neve,

Nos bosques desperta as lagartixas,

Nos ribeiros espelha-se nas águas

E ri-se de mim quando lhe faço caretas!

 

À noitinha deixa-me com um adeus suave,

Manchado de cores de oiro e vinho doce

E vai dormir um sono largo nas paragens invisíveis do meu sonho

Até que, sem ruído, volta ao outro dia

- nu sempre e mais rosado –

E abrindo-me as janelas de par em par

Vem deitar-se sobre a colcha amarfanhada

E ronronar nos meus braços nus

Como um gato bonacheirão!

 

Em 17.Mar.83

PC


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publicado por Paulo César às 11:22
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Sábado, 17 de Outubro de 2009
Alvorecer

 

Volúvel madrugada...

 

Presos no fio das horas

fiapos de luz acordam

cobrindo as planícies

do abandono,

onde o orvalho cristal

se dependura da folhagem,

reflectindo faúlhas de arco-íris.

 

Pássaros azuis,

sonolentos ainda,

arribam, distendem as asas,

ensaiam o primeiro voo

matinal

e lançam-se em direcção

ao sul.

 

Vagarosas as núvens,

cúmulos fantasmagóricos,

pinturas abstractas

suspensas e gratuitas,

fazem percurso

no sopro perpétuo

do vento.

 

Da minha janela vejo

o que só da minha janela se pode ver!

E bocejo...

cheio do dia que acaba de nascer!

 

 

by Paulo César, em 14.Out.2009, pelas 14h00


sinto-me: assim...
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publicado por Paulo César às 15:49
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Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009
Imperfeita perfeição

 

A propósito do poema "Concretizar", de Maria Luisa Adães

 

 

O concreto é

pedaço de nada que a vida incendeia,

vagalume que tremeluz na noite

fria e de cuja fosforescência ressalta

o sorriso das crianças!

 

O concreto é

ser avião, cujas asas de ferro imitam

o pássaro de fogo de cuja gaiola dourada

se liberta a vontade de ir ao infinito,

sem temores, nem cedências!

 

O concreto é

caminhar pelos carreiros que o formigueiro

desenha na vertigem da marcha insolente

e atingir o cume da imaginação

no beco da dor e da dúvida!

 

O concreto é

tornar-se amador do amor todo,

comezinho e libertino,

e plantar sombras ao sol do meio-dia

nos adros do rumor e do silêncio!

 

O concreto é

a imperfeita perfeição

do teu olhar que recusa ver mais longe

como se o futuro fosse a  vela extinta

de cujo pavio já não se soltasse luz!

 

O concreto é...

tudo o que se concretiza

mesmo quando a imagem no espelho

já só mostra uma parte do todo

que foste e se transformou, porque o incorporaste

no fundo mais profundo de ti mesmo!

 

O concreto és tu!

E é em ti, e por ti,

que tudo o que teimas negar

se concretiza!

 

by Paulo César, em 21.Set.2009, pelas 22h00

 


sinto-me: firme e definitivo

publicado por Paulo César às 22:07
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