Quarta-feira, 29 de Maio de 2013
Alter ego


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publicado por Paulo César às 23:15
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Sábado, 18 de Agosto de 2012
Auto-dissecação


 

Não há gritos nem silêncios

Suspensos dos meus olhos de acreditar

Há palavras maduras que se esgotam

Pingo a pingo

Na paulatina espera das auroras futuras

Quais caixas de Pandora que se abrirão ao amanhecer

De um qualquer dia sem história

Para recriar, no cadinho das memórias que guardo,

O tempo e o espaço que me constitui.

 

As pedras e o barro de que sou feito,

Numa estrutura de artesão que se auto modelou

São a argamassa dos sonhos que confluem

Para me incendiar de vontades e desejos

Que o vento sopra e leva para longe.

 

Quem nunca sentiu a textura do barro

Nem se auto erigiu a partir das catacumbas,

Não reconhece as imagens ambivalentes que circundam

A minha alma e lhe dão cor e perfume.

 

Eu sou aquele que nunca foi

Maremoto ou calmaria.

Sou tão somente a irracional razão que me domina

E me arremessa contra as barreiras e os impossíveis

Em busca dos abismos onde ressoam as melodias

Que aromatizam de ternuras e gratidão

As montanhas do meu desassossego!

 

Situo-me entre o jamais e o nunca

Nas terras do desafio impossível!

Vinde os que acreditam!

Que aos cépticos eu saberei perdoar!

 

 

Em 15.abr.2012, pelas 15h00

PC



publicado por Paulo César às 23:17
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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011
Assombros de quem se busca

 

Fonte: Google

 

 

A ressonância vocifera no meu peito!

Grito o tempo e o modo

Expludo

Alcanço longe a distância e o eco

Desfaz-se na vastidão

Aluvião de cheia que se espraia,

Cambraia

Que adorna o corpo nu…

 

Onde vou levo a mensagem…

O labéu me acompanha!

Tamanha é a dor

Que no estertor da hora finita

Aquele que grita

Não grita

Recita o hino dos que nada podem

E explodem

Na vã glória de serem, um dia,

Manhã clara, lusco-fusco, magia

E um pouco mais que nada.

 

A fada que me fadou,

Morreu!

Quem sou eu?

 

 

Em 18.out.2011, pelas 11h10

PC


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publicado por Paulo César às 15:29
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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2011
O saber-me...

O lugar (fonte: Google)

 

 

Tão pouco sei

E o que sei é tanto

Que, no desencanto

De viver,

Nas horas aturdidas

Me encanto

Por sentir que sei

Da vida mil vidas

E do tempo o quanto

Me basta saber.

 

E se outro tanto soubesse

Nada saberia

De mais!

Só me entristece

A alegria

Dos que vivem brutais

Redondos e sincréticos

Num casulo de casmurrice

A desenhar a mesmice

Dos heréticos.

 

Sobe o sol no alto azul

E sucessivamente assim

Rola a vida, o tempo, a lei…

Olho a norte, rodo a sul

E quando dou conta de mim

Parece até que sonhei!

 

E bem sei!

Ah, como sei…

Amei!

Sempre amarei!

 

A vida, a urbe, a grei

E o que querendo descrever

Não sei

Falar! Sei apenas viver!

 

 

Em 29.Jul.2011, pelas 11h40

PC


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publicado por Paulo César às 01:28
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Quarta-feira, 3 de Março de 2010
TENTATIVA DE EXPLICAÇÃO DO COSMOS (ou uma breve analogia comigo mesmo)

 
Quem me achar
Perdido no mar das angústias
Dos meus dias sonolentos
Não se amedronte com o meu desapego
Ou a minha covardia,
Nem valorize a minha vaidade
Ou a minha impaciência.
 
Sou assim tal e qual
Estranho a mim mesmo
Medroso dos meus medos
Infantis
E destemido da minha razão
Incongruente
Fácil de palavras
Que devoro na modorra do silêncio
Baço e unívoco
Avesso à estridência da visibilidade
Que inflama sem sustentação
Para abandonar sem dó.
 
Sigo uma luz pequenina
E por ela pressinto chegar
Ao cume da serenidade
No topo tangível do sonho!
 
Mas que sei eu disso?
 
Desconheço a verdade que busco
Com insistente denodo…
E rio da minha teimosia
Por saber que não alcançarei
A justiça que auguro!
 
Acredito no amor…
Acredito na dádiva sem preço…
Acredito no sonho sem biombos
Nem sabotagens torpes…
Acredito nos teus olhos cristalinos,
No teu sorriso de papoila do campo,
Nos teus beijos com sabor a dióspiro,
No calor do teu abraço calado,

 Na promessa adivinhada

Do teu corpo ardente de paixão,
Na transumância vadia da tua saudade
Que me chama sem cessar
E me pede que não parta.
  
Acredito nas minhas dúvidas incessantes
E nas minhas inquietações permanentes
Acredito nas ondas do mar
Que se abandonam na areia da praia
Deserta
Acredito na aragem quente
E também na frescura das manhãs
Chuvosas
Acredito nas fases da lua,
Nas marés e nas profecias anónimas;
E desconfio dos anjos da guarda
Que falam por silogismos
E lançam ideias que são lugares comuns!
 
Acredito que sou
- Que somos - um pedaço
Do infinito…
Mesmo que o infinito
Não tenha cor, sabor, tamanho ou forma
E possa existir apenas
No meu pensamento selvagem!
 
Nada sei de relevante
Ou misterioso,
Mas empenho-me em ser
Constante e voluntarioso…
À noite durmo e sonho
Durante o dia sonho e teimo
Vencer a força da gravidade
De conceitos intelectualmente
Desonestos.
 
O determinismo acorrenta-me
E desencadeia nos meus sentidos
Reacções autofágicas
Que combato num ringue
Vazio
Onde a minha sombra
Se impõe na tragicomédia
Duma encenação surreal
Onde o monólogo que protagonizo,
De que sou também autor e plateia,
Diz da minha existência
Factos que o não são,
Para evidenciar qualidades
E defeitos que não tenho.
 
Simbolicamente estendo-me sobre o divã
Onde psicanaliso o tempo,
O espaço,
A memória,
Procurando adivinhar o futuro.
 
Entram pelas janelas abertas
O quarto crescente da lua,
O voo ruidoso dum avião,
O pio sibilino dum mocho sábio,
As cataratas de Niágara,
As Pirâmides de Gizé,
O tantã dos tambores duma tribo africana,
Os gemidos duma mulher possuída
Pela ardência do sexo,
O choro duma criança órfã,
O coro ululante duma claque
Num estádio enlouquecido,
O silvo dum comboio ou dum barco
Num cais de embarque, algures,
A miragem onírica dum oásis
No deserto de Kalahari,
Um grito de dor numa sala de parto,
Uma voz feliz
Declamando um poema de Lorca,
Um coro solene
Entoando uma cantata sem nome,
Um homem chamado Josias,
Uma mulher com rugas macias
E mãos de fada,
Uma imagem da terra vista do espaço
E uma fotografia dos anéis de Saturno,
Um cão, um burro, uma pomba
E um carreiro de formigas constantes,
Um rio quase mar
Na confluência da foz salgada,
Um barco a remos e uma gaivota
De voos incertos,
A noite… a noite… a noite…
E as esquinas escuras
Com corpos perdidos na confluência
Do álcool e da solidão,
Uma canção de ninar
Numa voz que conheço
Mas que não sei identificar,
Uma criança loira, ou morena,
Ou negra, ou cigana,
Ou apenas criança,
Um ruído como um assobio
Que se aproxima devagar
E se perde lentamente
Até que adormeço!
 
Quando o relógio me acorda
Já é outro dia…
Onde raio deixei eu os óculos,
Que me ajudam a ver melhor?
 

Em 13.Jan.2010, pelas 23h00 – Paulo César

 


sinto-me: regressado
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publicado por Paulo César às 23:41
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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Poema improvável

 

A vagarosa luz

penetra a sombra

fecundando a penumbra

macilenta

 

a gélida chuva

irrompe intrépida

violando o silêncio

da terra prostrada

 

o vento suão

esventra as casas

aferrolhadas

e submete o espaço

 

a noite alastra

dominadora
acicatando os medos

que escravizam

 

o mar investe

marulhando

no areal exposto

em poisio

 

De olhos em riste

aponto algures

um ponto improvável

onde se cruzam

todos os sons e silêncios,

toda a luz e toda a treva,

todo o tempo e todo o espaço,

toda a vida

e o que virá depois!

 

by Paulo César, em 03.Nov.2009, pelas 13h15

 

 


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publicado por Paulo César às 18:30
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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
A sombra

 

A lembrança das horas

esconde-se com o por-do-sol,

mergulha nas águas agitadas

do mar da maré vasa,

adormece no colo do luar,

a escutar o pio sombrio

duma coruja inerte,

na torre sineira duma igreja

que já não é.

 

É no labirinto do vazio

que me acolho

a contemplar a sombra

que me persegue

persistente.

E rio de mim

um riso limpo

para me sentir outro.

 

E a sombra ri

o meu próprio riso!

 

 

by Paulo César, em 27.Out.2009, pelas 20h40


sinto-me: pensativo
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publicado por Paulo César às 09:24
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Sábado, 21 de Março de 2009
Rumor do silêncio

 

 

Banho-me no silêncio do teu olhar

Entre a distância do desejo

E a sofreguidão da pele latejante

Antevendo o momento

E sentindo a angústia

Do tempo que se escoa lento.

 

Do arquivo da memória

Surgem imagens peregrinas

Que desfilam em catadupa

Até se tornarem vivas

No peito que as sente

E no olhar que as vislumbra.

 

Só de ti nada sei!

Nem o onde, o como, ou o porquê...

E o que me resta obriga-me

À espera

Mirrando, calado, da saudade

Que já não sei esconder.

 

by Paulo César, em 17.Mar.2009, pelas 20h00


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publicado por Paulo César às 11:50
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