Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010
Despojamento...

Tela by "W. Kandinsky" (imagem obtida na net)

 

Destoutra arte de ser

Nada sei,

Nada sou,

E escrevo nos silêncios as palavras malditas,

Como se sangrasse

As lágrimas e o suor em bagas.

 

Do acaso nasci e, por acaso,

Encontrei nas veredas

Os lagartos verdes

E os besouros,

Que sibilaram, sem tréguas,

O zumbido das dores

Caladas.

 

Onde irei, se os passos me levarem

Adiante?

Na verdade, que mal sei ou desconfio,

Distingo sombras e negrumes,

Onde arvoro farrapos de sonhos

E esconjuro fantasmas,

Cinzelando medos e superstições.

 

Grito tão calado que me dói

Saber que o sopro soprado não se expande,

Não se espraia,

Não explode no côncavo dos sítios,

A ganhar espessura de eco ou trovão!

 

Exaspera-me a voz que não é,

A força que não será,

O sonho que foi…

Este que sou não sou!

Sou este outro que não sei…

Metade da metade que não é unidade,

Nem será equação ou avo…

Serei um tudo nada!

Quem sabe… Poeta?

 

 

Em 08.dez.2010, pelas 00h15

PC

(inspiração com Álvaro de Campos)


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publicado por Paulo César às 00:48
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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
Andarilho da interrogação

 
Perco-me,

andarilho da interogação,

pelos caminhos calcorreados da dúvida,

a questionar razões

e a confrontar motivos.

 

Fecho os olhos para ver mais claro

o véu que separa a luz da sombra,

a verdade da mentira,

a razão da loucura,

definindo as ténues fronteiras do ser

integral.

 

Todas as perguntas são possíveis!

Todas as interrogações são necessárias!

As respostas, essas,

serão portas abertas à espera

do amanhã

incessantemente questionado!

 

 

by Paulo César, em 22.Set.2009, pelas 23h00


sinto-me: interrogador

publicado por Paulo César às 19:59
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Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
Quem és tu?

 

Quem és tu?


A imagem que o espelho frio

reflecte

e tem olhos fundos de ver

para além da espessura

enquanto se derrama

entre a abstracção e o enfado?


A sombra desenhada no alcatrão

negro e impenetrável

pelo sol inacessível,

que vai pontapeando

pedras soltas

como se chutasse o medo?


O vagabundo que trauteia

canções de embalar

nas ruas desertas

convencido de que o luar é

a vela na mesa posta

para um jantar sem data?


O velho que repete

o gesto de limpar o banco

onde se senta todos os dias

para falar consigo mesmo

a amargura dos silêncios

e a alegoria dos afectos?


O emigrante que se afunda

num canto bêbado

a tomar folego para o sonho

e a desfiar cantilenas pátrias

com olhos transidos de frio

que não se compara ao desamor?


És tu alguém que eu conheço?

Ou a minha pressa empurra-me

para a insolência dum gesto

indiferente e irracional

com que me liberto da culpa

e me acomodo ao labirinto?


Ainda vou a tempo de te conhecer

reconhecendo quem és,

e aprendendo a ser eu?

Ou o tempo quebrou a ponte

e é impossível ligar o teu

ao meu lado da interrogação?

 

by Paulo César, em 29.Jul.2009, pelas 19h00


sinto-me: surumbático

publicado por Paulo César às 18:09
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008
Quem és tu?

 

 

 

Quem és tu?

Um sorriso solto no arco-íris?

Uma nuvem desgarrada na via láctea?

Um reflexo de luz na maré vazia e calma?

 

Quem és tu?

Um sopro de aragem na quietude sombria?

Um grito mudo na culpa teimosa?

Um soco do acaso na trincheira da vida?

 

És tu o silêncio que fala?

A saudade que investe?

A loucura que teima

Soltar amarras e dizer: olá!?

 

És tu, certeira e vigorosa,

A seta que atinge o alvo

E se crava na pele desnuda

Como se questionasse: porquê?

 

Quem és tu? Quem sou eu?

Quem somos nós os que somos,

Perdidos de nós próprios,

Ao encontro do outro

A temer encontrar o lado de lá,

Como se houvesse um papão

Ou uma fada má?

 

Quem és tu?

Deixa que a interrogação fique!

O tempo dirá a verdade que falta!

 

by  Paulo César, em 15.Abril.2008, pelas 20h15


sinto-me:
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publicado por Paulo César às 17:46
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