Terça-feira, 27 de Julho de 2010
Obrigado!

 

 

E agora?

Que palavras devo usar

Para dizer quanto sinto?

Que sorriso devo pôr

Para mostrar alegria?

Que devo fazer agora

Que se levantou este ar fresco que me liberta

Este sol tão quente que me deslumbra

Esta vastidão de horizontes

Que me aniquila na pequenez de ser

Eleito entre tantos que continuarão perdidos

Nas masmorras do abandono

Entregues a solidões algozes

A deglutir esperanças após esperanças,

Até ao completo desespero?

 

E agora,

Que é suposto fazer para ser digno

Desta graça enorme de ser

De novo útil?

 

Nada sei dizer ou fazer incomum,

Extraordinário ou transcendental…

Sei tão somente fechar os olhos,

Ficar em silêncio

E com palavras que não digo, mas sinto,

Escrever nas tábuas do imenso céu,

Na orla das praias banhadas pelas ondas teimosas,

Nos picos altos dos montes todos:

 

OBRIGADO!

 

by Paulo César, em 20.Jul.2010, pelas 15h00


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publicado por Paulo César às 00:46
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Oração (em voz alta)

Páro!

E quando já nada me apetece pensar

volto-me para o sol envergonhado,

no esconde-escode das núvens negras

e penso ainda...

 

E retomo a caminhada

na lenta passada dos dias

adivinhando a saudade

enquanto a chuva diluviana

sacode o silêncio poeirento

do Outono cinzento.

 

E olhando em redor

levanto as mãos em prece

e agradeço

uma vez ainda repetida e teimosamente

a luz e a treva

o sorriso e as lágrimas

o ser racional

e o ente espiritual

que me dá asas para ser livre

mesmo quando as palavras

me envolvem no silício

das regras sem fundamento.

 

E quando rezo

voo

e é nas asas da lonjura

que a alma me devolve

à terra

para amar sem medida

o que não tem tamanho.

 

by Paulo César, em 19.Nov.2009, pelas 22h00

 


sinto-me: grato
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publicado por Paulo César às 22:01
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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
Velhos

 

Para aqueles que são a razão de estar aqui!

 

Não vos sinto as dores,

nem vos oiço os queixumes,

nem conheço os vossos sonhos adiados,

nem sei dos vossos medos,

nem adivinho a grandeza das vossas solidões,

nem pressinto o fervor da vossa fé,

ou a grandeza dos vossos projectos,

ou a temerária audácia dos vossos futuros

de gente de mãos calejadas,

de pernas doridas e prestes a ceder,

de corações quase extintos, abafados,

dos vossos olhares nublados,

dos vossos sorrisos macilentos.

 

Sei de vós quase sempre, apenas,

o comprimento da vida

medida em anos,

em imagens fantásticas

que nos mostram, como se quisessem

calar-vos, enclausurar-vos,

numa redoma de luares de Agosto!

E esses não sois vós,

os velhos que eu amo velhos,

que eu respeito velhos,

que eu, numa vénia de quem agradece,

quero velhos,

dessa velhice que ensina,

que encoraja,

que enaltece,

que gera respeito,

que apela à escuta

das palavras simples e sábias

em discursos mil vezes repetidos,

a pedir ouvintes.

 

Quero-vos, velhos,

assim mesmo, velhos de tempo,

velhos de alma e espírito,

velhos de muito passado,

que apela a muito futuro,

velhos de muita dor e tristeza,

que pedem muita alegria e entrega,

velhos de muitos filhos e netos,

que apontam mais família,

velhos de muita fome,

que exigem muita solidariedade,

velhos de muito trabalho,

que merecem o trono da vida,

velhos de um povo do mundo,

cujo direito supremo

consiste em ser ainda

velhos!

 

Quero-vos VELHOS!

 

Valentes homens e mulheres,

Extraordinários pais, mães e avós,

Lindos rostos cujas rugas venero,

Humanos gestos onde o sonho perdura,

Olhos terrenos dum Deus presente, em

Sábias palavras que de ouvir não canso!

 

Quero-vos VELHOS!

Para beber dos vossos lábios

a serenidade que explode

como bênção

dos silêncios que caem depois das palavras

enquanto buscais no baú das memórias

o saber que o tempo decantou

em arquivos onde sois os guardiões!

 

Quero-vos...

E porque assim o aprendi de vós

vou esculpir na pedra da vida,

a cinzel, para que não se perca

na voragem do tempo,

o louvor que as vossas cãs merecem:

 

Queridos velhos, velhos são os trapos!

 

 

by Paulo César, em 05.Out.2009, pelas 17h00

 


sinto-me: grato e feliz
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publicado por Paulo César às 17:35
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Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009
Para ti, Mãe

 

Vergo-me ao poder do teu olhar

límpido, cristalino,
do teu sorriso cintilante,
infantil, doce,
das tuas mãos de desenhar
caravelas sem rumo,
rumo a destinos virgens,
com a força redonda
do teu abraço puro,
quente, de ancoradouro.


Esqueço-me das horas
à beira da falésia
do teu promontório
de afagos,
no aconchego dos segredos
que me confias
para que eu te possua
na inóspita distância
dos dias que vierem.


Na imensidão dos momentos
fugazes que me ofereces

esqueço-me até de respirar

e desconfio mesmo

que o coração deixa de bombear

o sangue que me mantém vivo

para me dedicar só e apenas

ao encantamento
de estar contigo.


Quando for e onde quer que vá

tu irás comigo
na saudade e na memória
gravada a fogo
na pele que tocaste,
na mão que me estendeste,

no beijo que selou o nosso adeus,

mas, mais do que tudo e definitivamente,

no brilho radioso
que explode do teu olhar

como girândolo de foguetes

em dia de romaria.


Lembrar-me-ei para a eternidade

do teu sorriso imaculado
e saberei, ao lembrá-lo,
que as portas do paraíso
estarão sempre abertas
no fim de todas as veredas
onde a tua sombra calada
se projectou
desenhando um futuro

de tanto amor e maior perdão.


E porque calar doi
deixa que te diga, agora,

no mais silencioso dos silêncios,

sem usar palavras escusadas

ou desnecessárias ou incapazes

de definir o que quero dizer

que, de todas as mulheres mães,

só tu poderias ser
minha

mãe!


E nem eu sei explicar porquê,

mas é assim que o sinto

e assim quero que o saibas!

 

by Paulo César, em 04/09/09, pelas 20h45


sinto-me: grato e feliz
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publicado por Paulo César às 21:23
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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009
Palmas... (e até sempre)

 
Palmas...

De pé...

Em uníssono...

Troando as paredes,

exorcisando a penumbra

da teia,

o colorido do cenário,

a frenética dos camarins,

e alastrando os sentidos

e o sorriso menino

como se pedisses desculpa de ser assim

simples, cordato, grande...

 

Largos sorrisos,

gargalhadas jorrando como luz,

alastrando como epidemia,

cavando fundo uma alegria viva

com esgares de feiticeiro

em palavras sábias,

trejeitos de faz-tudo dum circo novo

com setas certeiras

que não feriam, mas acordavam

do torpor dos tempos,

em gestos de mimetismos

unicos e verdadeiros!

 

A plateia respirava pelas tuas palavras,

sorvia a tua singeleza,

adquiria mimética os modos,

os tiques, o sotaque que imprimias

a cada rábula, a cada sketch, a cada texto

que cravavas na sonolência da amargura

do povo a que te davas nu,

como so tu te sabias e querias dar.

E caído o pano da festa,

o esbanjamento da premente

euforia de estar contigo para te sentir

tal como tu eras, sendo tantos,

 

retornava remoçado ao maquinal

reboliço dos dias cinzentos

gritando à boca de cena,

no palco inolvidável da vida,

num assomo de coragem

de que tu e só tu és culpado

(e nisso e só nisso foste, és e serás empre réu):

 

Raul, obrigado por nos teres feito felizes!

 

by Paulo César, em 10.Ago.2009, pelas 17h30

 

 


sinto-me: grato

publicado por Paulo César às 17:57
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Segunda-feira, 8 de Junho de 2009
Pedestal de saudade

 

Vós estais sempre aí
Olhando o vazio do tempo,
Descansando no horizonte vasto
A imensidão das horas sem tamanho,
Mirando-me com o vosso sereno
Estar, mesmo quando a ausência
Tem a desmedida grandeza do adeus
Sem regresso.
 
E desse pedestal de saudade,
Onde a memória faz e desfaz novelos,
Construindo imagens de afecto
Entre o vaivém das marés vivas,
Sinto o desvelo da vossa presença presente
Como se algures um eco rasgasse
O silêncio para me inundar
Da vã certeza de poder sentir
As vossas mãos macias
Em afagos que permanecem intactos
Apesar da transcendência.
 
Apego-me ao vosso olhar
E oiço as palavras que não dissemos
Numa ligação que permanece
Como chama imorredoira.
 
E do pedestal de saudade
Nasce a esperança e o futuro
Que morte alguma jamais destruirá!
  
by Paulo César, em 03.Nov.2008, pelas 20h30
 

sinto-me: grato e enternecido
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publicado por Paulo César às 20:04
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Sexta-feira, 23 de Maio de 2008
Post Scriptum

 

Podia dizer que estás na ternura e na beleza dos 50, mas não o vou fazer! Não o faço porque toda a tua atitude enquanto homem e pai é pautada pela ternura de actos e palavras e pela beleza como ser humano! Espero ter-te pelo menos durante mais 50 anos! Parabéns, pai! Tem um dia à tua semelhança! Beijo.”  Vitor Hugo, 15-11-2007, 00h12,24

 

 

Como dizer obrigado

Se as palavras me faltam,

Se a verdade dos sentidos é intraduzível

Na soma de vogais e consoantes,

Se a grandeza dos sentimentos

Subjuga a redundante pequenez

Dum qualquer discurso elaborado

Ou de ocasião?

 

Algures um eco ressoa

Na vastidão do tempo

E o cansaço que sobrevier

Há-de ser, à míngua de espaço,

Um passo mais em direcção ao futuro.

 

Seremos então, lado a lado,

A sombra do outro

Na imensidão da saudade.

E nada será como sonhámos,

Porque o real será mais sólido

E mais veemente.

 

É do crer que a obra nasce!

É do porfiar que a vida acontece!

É do amor que tudo flui!

 

by Paulo César, em 19.Maio.2008, pelas 21h30 (Fertagus)


sinto-me: grato e feliz por ser pai
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publicado por Paulo César às 19:24
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Domingo, 11 de Novembro de 2007
M Ã E



Nos olhos o amor,
Nas mãos o silêncio,
Algures um sorriso
Que sabe a saudade
E por dentro do peito,
Veloz como o vento,
Um canto da terra
Ou o toque dum sino!


 
Um aviso certeiro,
Um afago sem mão,
Um beijo que cala
A dor e a angústia
E no passar do tempo
A agreste certeza
Do carinho sem fim
Que só em ti se encerra!
 

 
Das horas caladas
Não sei o tamanho,
Mas sei que jamais
Esquecerei o teu colo!
E a côdea de pão
Há-de saber-me a mel
Ao lembrar teu rosto
De encanto e ternura!


Homenagem à mulher, de cujo ventre nasci homem... A ti, MÃE!

by Paulo César, em 01.Nov.2007

sinto-me: filialmente grato
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publicado por Paulo César às 21:45
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2007
Tanto futuro



Foram tantos braços ao alto,
tantas mãos fazendo V,
tantas gargantas abertas
lançando gritos ao céu.

Tantos olhos rasos, rasos,
duma alegria incontida,
tantos passos sem canseira
no trilho novo da vida.

Tantas cantigas cantadas
como um clamor de vitória,
tantas ruas, tantas estradas
que nos levaram à glória.

Tantos medos que ficaram
pelas esquinas libertas,
tantas portas aferrolhadas
que passaram a estar abertas.

Tantas palavras nascidas
do novo tempo de ser
português de corpo e alma
neste país  a renascer.

Tantos dias  que nasceram
depois de noites e dias
em que tudo aconteceu
numa sucessão de magias

Tantos sonhos, doces, doces,
como se sonhar já fosse
uma nova forma de estar...

Tanto futuro a brotar
das vontades, das ideias,
que as ruas andavam cheias

desses futuros audazes...
E passados que foram os anos
será que fomos capazes
de evitar novos enganos?

by Paulo César, em 25.Abril.2007, pelas 20h00


sinto-me: grato
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publicado por Paulo César às 20:10
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Terça-feira, 24 de Abril de 2007
Apelo...


 (Velha imagem... Eterna mensagem)


Salvai os cravos,

As rosas, os malmequeres,

As papoilas…

Salvai os sorrisos, os abraços,

A alegria, a esperança…

Salvai os projectos de futuro,

A vontade de vencer…

Não deixeis fechar as portas,

Trancar as janelas,

Construir muros…

Evitai ódios, zangas,

Desatinos, mal querer…

 

Semeai estradas de horizontes

Infindáveis…

Planeai futuros de mar largo

E vasto oceano…

Inventai cantigas de embalar

O sonho…

E concretizai-o!

 

Vós… Esses de vós que sois

Jovens

E tendes força e vontade

e entendeis a linguagem dos afectos

e buscais o amanhã no final de cada dia

(como se cada dia fosse o princípio e não o fim)

e perscrutais no silêncio o alvor

e a madrugada

e aspergis de luz os becos e as sombras

e tendes sede e fome de gente

com coluna vertebral e mente aberta

e discutis o senso e o absurdo das coisas

e cresceis onde crescem os que querem crescer…

 

Vós, os que sois de entre nós,

A geração da teimosia,

Do inconformismo,

Da rebeldia,

Da cidadania e do amanhã,

Tomai o ceptro e reinai:

É vosso o futuro!

Amai a liberdade!

 

Porque Abril não foi uma miragem!

Abril foi o oásis dum encontro adiado

Para uma data com história:

Grândola! Portugal! Vinte e Cinco!

Sempre!


by Paulo César, em 24.Abril.2007, pelas 22h00


sinto-me: grato
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publicado por Paulo César às 22:33
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