Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012
O sítio da acácia

 

 

No lugar onde aprendi a dizer o teu nome
Abri um buraco fundo e plantei uma acácia,
Que cresceu até o infinito.

Vieram as aves em sucessivas primaveras
E fizeram ninhos quentes e macios
E criaram os filhotes,
Como se do alto daquela acácia florida
Fosse possível alcançar o céu.

Hoje, que o céu ficou plúmbeo,
Duma angústia com lágrimas de chuva
Nos olhos,
Já não me lembro que nome era o teu...
Sei apenas que a acácia está velha,
Como eu!


Em 19.dez.2011, pelas 23h00
PC

 

Imagem fonte: Google


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publicado por Paulo César às 23:32
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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2011
O saber-me...

O lugar (fonte: Google)

 

 

Tão pouco sei

E o que sei é tanto

Que, no desencanto

De viver,

Nas horas aturdidas

Me encanto

Por sentir que sei

Da vida mil vidas

E do tempo o quanto

Me basta saber.

 

E se outro tanto soubesse

Nada saberia

De mais!

Só me entristece

A alegria

Dos que vivem brutais

Redondos e sincréticos

Num casulo de casmurrice

A desenhar a mesmice

Dos heréticos.

 

Sobe o sol no alto azul

E sucessivamente assim

Rola a vida, o tempo, a lei…

Olho a norte, rodo a sul

E quando dou conta de mim

Parece até que sonhei!

 

E bem sei!

Ah, como sei…

Amei!

Sempre amarei!

 

A vida, a urbe, a grei

E o que querendo descrever

Não sei

Falar! Sei apenas viver!

 

 

Em 29.Jul.2011, pelas 11h40

PC


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publicado por Paulo César às 01:28
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Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010
Despojamento...

Tela by "W. Kandinsky" (imagem obtida na net)

 

Destoutra arte de ser

Nada sei,

Nada sou,

E escrevo nos silêncios as palavras malditas,

Como se sangrasse

As lágrimas e o suor em bagas.

 

Do acaso nasci e, por acaso,

Encontrei nas veredas

Os lagartos verdes

E os besouros,

Que sibilaram, sem tréguas,

O zumbido das dores

Caladas.

 

Onde irei, se os passos me levarem

Adiante?

Na verdade, que mal sei ou desconfio,

Distingo sombras e negrumes,

Onde arvoro farrapos de sonhos

E esconjuro fantasmas,

Cinzelando medos e superstições.

 

Grito tão calado que me dói

Saber que o sopro soprado não se expande,

Não se espraia,

Não explode no côncavo dos sítios,

A ganhar espessura de eco ou trovão!

 

Exaspera-me a voz que não é,

A força que não será,

O sonho que foi…

Este que sou não sou!

Sou este outro que não sei…

Metade da metade que não é unidade,

Nem será equação ou avo…

Serei um tudo nada!

Quem sabe… Poeta?

 

 

Em 08.dez.2010, pelas 00h15

PC

(inspiração com Álvaro de Campos)


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publicado por Paulo César às 00:48
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Domingo, 28 de Novembro de 2010
Versejando - XXVII

 

Desisti de ser o balão

Que sobe no ar

Soprado pelo furor dum vento agreste

Que me sacode e me viola

Até à alma!

 

Desisti de ser a sombra

Que se arrasta pelo chão

Submissa como o mais dócil cão,

Sem latir e sem rosnar,

Inútil na ponta duma trela!

 

Desisti de ser a voz que acalma

O grito de quem ergue

A razão e o desassombro

Em palavras escavadas à força

Na turbulência do desassossego!

 

Desisti de ser

Outro que não eu mesmo!

E quando me perguntarem quem sou

Arremessarei o silêncio

Que estrondeará mil imagens

 

E outras tantas sílabas paridas

Nos destroços duma eugenia mórbida

Sob um manto de estrelas nuas

Que salpicam de luzeiros

As pútridas noites da criação!

 

Serei apenas arrátel

Ou quem sabe ínfima partícula

Que se acolhe na oblíqua pertença

Do indómito crer-se por si

Imortal ou… eterna!

 

 

Em 28.Nov.2010, pelas 23h45

PC


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publicado por Paulo César às 00:04
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
Tu e eu, somos nós

 

No silêncio dorido,

da separação impossível...

Na distância breve,

do “adeus, até logo”...

No murmúrio vagaroso,

dos afectos sublimados...

No olhar adormecido,

com que fitamos distâncias...

Na mão transpirada,

com que lançamos beijos...

Nas palavras bravias,

com que defendemos ideias...

Na sombra inquieta,

que nos segue impiedosa...

Nas certezas infantis,

a quem damos colo...

No templo do amor,

onde nos tornamos loucos...

No tempo das quimeras,

onde construimos

e concretizámos

sonhos:

Tu e eu, somos nós!

 

by Paulo César, em 28.Set.2009, pelas 13h25

 


sinto-me: enfeitiçado
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publicado por Paulo César às 13:49
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