Domingo, 11 de Setembro de 2011
Querendo eu posso ir além... (Sextina 001)

Imagem/fonte: Google - Formatação: PC

 

 

Querendo, eu posso ir além

Das palavras e dos gestos sem raiz

Para erguer, entre o espaço, a madrugada

E erigir, entre os sorrisos, a esperança

Dos anónimos que, vão peregrinando,

Para obter misericórdia e paz infinda.

 

A crueza crescente torna infinda

A caminhada daqueles que vão além

E em desespero se dão, peregrinando,

Sem descobrir compreensão, cuja raiz,

É a garra que sustém toda a esperança

Que os leva, quase voando, à madrugada.

 

E, mesmo quando a noite cai, a madrugada

É que os impele a obter a luz infinda

Que trás no bojo o rumo da esperança

Com que escalam montanhas e, mais além,

Subindo e descendo, descobrem a raiz

Da força que faz que vivam peregrinando.

 

Podem vir os medos… Seguem peregrinando!

O alvor da aurora anuncia a madrugada!

E as sombras nascem das copas, cuja raiz

Sustenta o tronco e a ousadia, quase infinda,

Reganhando a batalha, fá-los ir muito além

Em busca do sonho, encharcados de esperança.

 

Nada é impossível! Uma réstia de esperança

É quanto basta a quem segue peregrinando!

Quedar-se não é resposta… Ir sempre mais além

É um chamamento que desperta na madrugada

E o querer é um poder, uma força infinda,

A germinar do profundo de cada um, como raiz.

 

À margem, nas bermas, lançando a raiz,

Semeiam o alvor de novos dias, a esperança,

Que desperta do adormecimento e assim, infinda,

Realiza a eternidade a quem, peregrinando,

Descobre o sol da vida em cada madrugada

E em cada estrela cadente vê a luz do além!

 

Ah desafio do além, onde suporto minha raiz!

Alcançarei uma nova madrugada de fé e de esperança

Ou seguirei só, peregrinando, na noite infinda?

 

 

Em 28.Ago.2011, pelas 09h00

PC


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publicado por Paulo César às 22:41
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Sábado, 1 de Maio de 2010
Navegar ainda

 

Navego à descoberta

do labirinto

na cratera do sonho

e cada pedra traz o espanto

e a vontade

de ir mais adiante

até aos confins da realidade

 

palavras e ecos

unem-se no mural da ousadia

a desenhar o perfil

dos caminhos e a estrada

dos ventos

que entroncam na memória

 

vagas e estrelas

enxameiam o meu espaço

transformando a terra em mar

e o céu em desafio

ainda que o olhar esmoreça

e a esperança quebre

 

os algozes das trevas

não morreram na derrota

dos dias e do tempo novo

nem os vampiros

se redimiram da sede

do sangue

 

das almas eremitas

ou dos caminheiros solitários

que velam as madrugadas

na sonoridade dos versos

e na singularidade lucida

das ideias-palavras-sonho

 

navegar ainda

navegar apesar de tudo

navegar até que os braços

dos rios se afundem

no mar largo

da vitória ansiada

 

by Paulo César, em 01.Mai.2010, pelas 16h00



publicado por Paulo César às 16:04
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Quarta-feira, 3 de Março de 2010
Das flores e dos pássaros...


Sobram as flores nas tardes estivais
e os pássaros mortos
na orla do infinito
têm olhares sonâmbulos
de adivinhos sem aura.

Perco a viagem sem destino
e agarro nas mãos trémulas
os pedaços de tempo perdido
como fios de água imprecisa
com sabor a inquietação.

Recuso o assombro e espanto
as núvens no vértice da manhã
a lavrar erros e dúvidas
e a esconjurar artificios
qual espadachim do Demo.

Não me venço, dando-me por vencido!
Persisto na busca da fragrância
certo de que as flores são imorredoiras
e os pássaros, intemporais,
a Fénix que subirá dos meus sonhos.

Ainda são assim os homens comuns!



by Paulo César, em 22.Fev.2010, pelas 14h45


sinto-me: regressado
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publicado por Paulo César às 21:50
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Domingo, 10 de Janeiro de 2010
Desencontros

 
Todos os beijos sabem a mel
E limão...
E todas as carícias têm o perfume
Das rosas bravas
Nascidas nos caminhos do vento
Nas encruzilhadas dos dias solarengos.
 
Suspenso da saudade
De ti
Acordo para as manhãs renovadas
De todos os dias
A saborear os encontros furtivos
E as despedidas infames.
 
Calo em segredo as aventuras
Que comungámos
Na avidez dos degredados
E volto costas ao sol que nasce a oriente
Para esconder as lágrimas
Que denunciam a dor.
 
Por um caminho qualquer
Surgiremos para o outro
Num encontro sem marcação prévia,
Num dia sem data,
Num local sem nome,
Num momento sem crónica.
 
Nesse dia morreremos de medo
De voltar a perder-nos
Para o sabor dos beijos cálidos
Ou para o odor dos abraços demoníacos
Que unificarão nossos corpos vazios
Até à exaustão dos moribundos.
 
Valerá a pena a esperança?
Ou o sonho é ainda o que nos resta?
 
by Paulo César, em 01.Jan.2010, pelas 22h00


sinto-me: expectante
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publicado por Paulo César às 17:41
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
Que dor é esta

 
Que dor é esta que te dói
Mesmo quando não a sentes

E te amofina nos dias solarengos

Quando devias estar feliz

Contemplando o azul e sentindo

A aragem beijar-te a face silenciosa?


Que estranho poder tem essa garra

Que se entranha no teu corpo todo

E te obriga a ceder quando só desejas

Ir por aí ao acaso dos passos perdidos

A indagar os sons e os cheiros

Como se fosses alquimista ou génio?


Porque estranhas maneiras

Se aninha em ti essa quase intrusa

Deixando-te prostrado e amorfo

Incerto quanto ao futuro e dependente

Duma vontade que não é a tua

Mas se sobrepõe e se impõe?


Onde perdeste o teu sorriso?

A tua coragem, onde te abandonou?

Que é feito do teu olhar sereno e luminoso?


Porque morres por dentro de ti

No abandono do tempo e da espera

Se há futuro em cada pingo de chuva,

Em cada sopro de aragem,

Em cada raio fugidio de luz,

Em cada madrugada parida

Do ventre duma qualquer noite

Tenebrosa?


Levanta-te!

Suga a vida de cada momento único

De cada ocasião banal
De cada local improvável

E aventura-te nas asas do sonho

Até atingires o outro lado do conceito.

Liberta-te
E ainda que sintas dor

Atende apenas à tua vontade de vencer

E vencerás.


Sempre! Sempre!

Porque a vitória é algo que nasce

Da indomável vontade de vencer!

 

by Paulo César, em 02.Jul.2008, pelas 19h00


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publicado por Paulo César às 20:16
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
Primavera

 

Telúrica a vontade

crispa-se na rudeza das horas

e adormece ante o indício

da espera.

Os abismos da dor

entrelaçam a esperança

num abraço singular

mortífero.

Paira nas ressonâncias

do sonho-pensamento-ideia

a incerteza do amanhã,

desenhado agora

como esquisso ou aventesma.

 

Maremotos de raiva

alagam as cercanias

da consciência naufraga

e cavalgando o Adamastor

do sombrio horizonte

o ponto cardeal, que é destino,

perde-se na bruma

amante de sereias e tritões

como se fora arauto da discórdia

ou da disputa.

 

A folha caída do Outono

reinante redemoinha

na força centrífuga das correntes

antagónicas
cruzadas

e tomba mais longe.

E já morta não morre!

E já prostada e só

incorpora a força de ser

nutriente e retorna ao ventre da terra

hibernando apenas,

na esperança incontida da Primavera

anunciada!

 

Glacial o alvo manto

ou o gélido tufão soprado de norte

chegará...

Chegará ainda o tempo

cujo tempo se fará de aconchego

e noites longas...

E as palavras, ladainhas,

pedirão o Sol!

 

E o Sol virá

como as andorinhas,

como as cegonhas brancas,

como a urze do monte,

como o malmequer do campo,

como o intenso amarelo da flor das mimosas...

 

Virá mesmo quando estiveres distraído

a contar estórias tristes

de saudades passadas.

Virá sempre!

 

Ah, como virá!

E tão primaveril...

a Primavera!

 

 

by Paulo César, em 07.Out.2009, pelas 20h15


 


sinto-me: remoçado
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publicado por Paulo César às 10:16
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Sexta-feira, 24 de Julho de 2009
Desígnio

Vagaroso o tempo
escoa-se,
esfuma-se...


O sol cai a pique
no horizonte,
ao fundo...


Os olhos bailam,
entre o verde e o azul,
pesados de sono,
cansados de luz...


E, num céu de estrelas
invisíveis,
os pássaros desenham
faúlhas de assombro,
em voos labirinticos.


Uma nau retoma a rota
nos braços de Eolo

e na prenhez do mar absorto,

carrocel de magia

espreguiçando-se no areal,

ergue-se ávida a emoção
da descoberta.


Retomaremos a busca de Prestes João?

Ou quedar-nos-emos velhos,

embalados no ronronar das ondas,

junto ao Farol do Bugio?
 
by Paulo César, em 21.Jul.2009, pelas 23h00

 


sinto-me: expectante
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publicado por Paulo César às 14:21
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Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Imortalidade

 

Para sempre…
Como se fossemos imortais!
 
Para sempre…
Como se fossemos únicos!
 
Para sempre…
Como se amanhã fosse o começo!
 
Para sempre…
Eternamente para sempre
Nas asas do vento,
Na força das ondas,
Na doçura contagiante do astro rei,
Na intrepidez volátil do luar,
No remanso das noites frias,
No fragor inusitado das auroras,
No sussurrar felino da chuva nas vidraças…
 
Para sempre…
Eu e tu… Nós…
Os dois num só,
Na busca do perfeito
Ser
Do perpétuo cadinho
Que nos torne
Definitivamente
Unos
Ainda que loucos.

  

by Paulo César, em 18.Jun.2009, pelas 18h00


sinto-me: radiante

publicado por Paulo César às 18:06
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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007
Poema para uma princesa

 


 

Fundos teus olhos choram
A dor duma perda
Inesperada...
 
Angustiada tua alma
Clama por justiça
Adiada...
 
Tuas mãos tremem
No abandono frio das noites
Na claridade abismal dos dias
Na ausência feroz das horas
Na sincopada cadência dos minutos
Que se esfumam
Enquanto as entranhas do teu ser
Se revolvem incapazes dum grito
Que fosse guilhotina ou seta
Capaz de trespassar a indiferença
De quantos rodopiam
Como borboletas zonzas em noites de luar
À luz fosca dos candeeiros das ruas
Desertas.
 
Teu corpo vai como autómato
E a tua mente ferve numa vingança
Que dói, num aniquilamento que corrói,
Numa vontade de instilar mais dor
Na dor que sente, que irrompe dos poros,
Que alastra sem aviso ou medo
E inunda os cantos todos das ideias,
Os tempos todos do dia, os momentos
Mais íntimos e mais secretos.
 
Nuvens negras pairam no ar carregado
Onde um odor estranho sabe bem
E uma luz sombria embriaga,
Levando a vontade à submissão.
 
Já nada pode mais que estar ausente,
Que estar além,
Que sentir-se só, e isolado numa solidão
De mudez e abandono.
 
Já nada pode mais do que ser
Um grão de pó que ninguém veja,
Mas todos pisem...
 
Já nada pode tanto que valha a pena
Continuar...
 
E ainda assim, vale a pena...
Porque a alma não é pequena!
 
26.10.07 - 16H00

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publicado por Paulo César às 16:53
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