Sábado, 25 de Fevereiro de 2012
Apetites

  


 

Apetecem-me beijos macios

Copos de água fresca

Romãs acabadas de apanhar

Uma chuvada em pleno verão

E um sopro de ar que sacuda a poeira

Dos dias inquietos.

 

Apetece-me uma brisa de maré cheia,

Um voo de andorinha que poisa no beiral

Da casa de todos os meus sonhos,

Um som distante que me lembre um rancho

De gente dobrada sobre a terra

A apanhar figos ou azeitonas,

Uma gargalhada lisa com botões

No cós da alegria.

 

Apetece-me a noite prenhe de luar

E uma coruja agoirenta sobre a empena duma casa

Abandonada e triste,

A riscar de excomunhões todos os pensamentos

E todos as memórias.

 

Apetece-me um prado verde

Pejado de paloilas e malmequeres

E uma luz silenciosa que me faça adormecer

À sombra de uma fruteira qualquer,

Enquanto a tarde se abeira da noite

E a sesta se faz naturalmente fagueira.

 

Apetece-me ser livre

Como se fora pássaro ou folha seca

E uma corrente de ar quente me suportasse no vazio

De ser ave ou folha seca

Sem pensar em nada mais.

 

Em 24.fev.2012, pelas 16h45

Imagem: Google

 



publicado por Paulo César às 21:48
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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010
Versejando - Texto III

 

Mais que o beijo

O desejo…

A pele unida, colada,

O sangue quente…

Olhos que se olham

E vêem para além da íris

A febre,

Para além da pele

O sexo,

Para além de nós

O amor!

 

Mais que o desejo,

O silêncio que vem

Depois!

 

by PC, em 08.Set.2010


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Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
No teu colo

No teu colo, 

Baía de serenidade, 

Anestesio a alma 

E embalo o sonho 

Que me leva às terras 

Do amanhecer 

Onde as fragrâncias têm nomes 

Fartos e belos 

Como o campo lavrado 

Dos teus cabelos.

 

Adormeço sobre o manto

Suave do teu olhar 

E quando acordo 

O sol espraia-se 

Como o teu corpo no meu 

Quando os beijos sabem 

A nu 

E a pele se constrange 

Na premência do toque.

E como sempre, o meu corpo

é a extensão do teu

na fusão da loucura

que incendeia a vertigem

do tempo e do desejo.


 

by Paulo César, em 24.Abr.2008, pelas 14h50

 


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Terça-feira, 1 de Julho de 2008
Augúrio

 

 

Quando no vagar das horas intemporais

Acordar em mim a vontade de ir mais além

Deixem que eu seja diferente e porém

Um homem igual entre os meus iguais.

 

Não me coloquem abissais

Obstáculos que me impeçam de ser quem

Eu quero, nem me levem, entre o mal e o bem,

A fazer escolhas colossais.

 

Meu coração saberá ser o juiz

Dessa causa de dúvida e tormento

Sem arroubos de sábio ou o espavento

 

De quem se julga um ser superior.

Que eu saiba ser grande no amor

É quanto peço! E serei feliz!

 

 

by Paulo César, em 01.Julho.2008, pelas 19h00


sinto-me: capaz de ir à terra do sonho
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publicado por Paulo César às 19:21
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Sábado, 17 de Fevereiro de 2007
Desejo de morte



Quando a morte vier

que venha devagar,
silenciosa,
insinuante,
na força duma bala,
no gume duma faca,
no nó duma corda,
no estrondo de uma queda,
numa sincope indolor,
ou como quer que seja...

Quando a morte vier
que eu esteja preparado
para a receber
e com ela beber um copo,
trocar uma conversa amena,
dançar uma valsa lenta
ou um tango fugaz.

Quando a morte vier
que seja dia,
sol vivo e a pino,
 luz vibrante e envolvente,
tempo de flores
e muita água nos rios.



Que haja pardais no arvoredo
e andorinhas nos beirados,
gente apressada nas ruas
e sons de música num rádio
incansável
donde brote alegria a rodos.

Quando a morte vier
que eu saiba da vida
tudo o que devesse saber
e que nada nem ninguém
chore a minha partida
mesmo sem querer.



Quando a morte vier
que venha bonita,
cheirosa,
requintada,
sorridente,
quiçá sexy...

É assim que deve ser
quando a minha morte vier!

by Paulo César, em 17.Fev.2007, pelas 16h15

sinto-me: pragmático
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publicado por Paulo César às 16:10
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