Sábado, 18 de Agosto de 2012
Auto-dissecação


 

Não há gritos nem silêncios

Suspensos dos meus olhos de acreditar

Há palavras maduras que se esgotam

Pingo a pingo

Na paulatina espera das auroras futuras

Quais caixas de Pandora que se abrirão ao amanhecer

De um qualquer dia sem história

Para recriar, no cadinho das memórias que guardo,

O tempo e o espaço que me constitui.

 

As pedras e o barro de que sou feito,

Numa estrutura de artesão que se auto modelou

São a argamassa dos sonhos que confluem

Para me incendiar de vontades e desejos

Que o vento sopra e leva para longe.

 

Quem nunca sentiu a textura do barro

Nem se auto erigiu a partir das catacumbas,

Não reconhece as imagens ambivalentes que circundam

A minha alma e lhe dão cor e perfume.

 

Eu sou aquele que nunca foi

Maremoto ou calmaria.

Sou tão somente a irracional razão que me domina

E me arremessa contra as barreiras e os impossíveis

Em busca dos abismos onde ressoam as melodias

Que aromatizam de ternuras e gratidão

As montanhas do meu desassossego!

 

Situo-me entre o jamais e o nunca

Nas terras do desafio impossível!

Vinde os que acreditam!

Que aos cépticos eu saberei perdoar!

 

 

Em 15.abr.2012, pelas 15h00

PC



publicado por Paulo César às 23:17
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Quarta-feira, 11 de Abril de 2012
Procurando a paz

 

Calcorreei todos os lugares onde me pareceu possivel encontrar-te.

A todos com quem me cruzei perguntei pelo teu nome.

Às núvens negras, prenhes dum aluvião de águas, indaguei por ti.

Aos pássaros assustados da minha ousadia interroguei sem resultado.

Olhando as pedras lisas de tanto serem pisadas tentei descobrir um sinal, em vão.

 

Era já noite e veio a lua cheia e na ansiedade de saber algo, questionei-a.

Muda me olhou na sua cor mansa e nada me disse que me desse esperança.

E pela madrugada adiante busquei até nos sonhos o azimute do teu destino

E como barco à deriva num mar de breu e tempestade soçobrei sem resposta.

 

Antes que outro dia chegasse e trouxesse consigo a angustia da tua perda sem solução

Entreguei-me à força duma fé conquistada na demência dos meus sentidos mortificados

E fiz-me caminheiro da Rota de Santiago, levando apenas a vontade e os pés descalços.

 

Subi montes, de cujos cumes vislumbrei o horizonte, desci aos vales, onde me lavei em lágrimas,

E por cada passo que dei um grito atirei ao labirinto das inquietações, que fizeram eco nos abismos.

 

Perdi-me de mim mesmo quando te perdi! Encontrar-me-ei, por fim, quando te encontrar em mim!

 

 

Em 08.abr.2012, pelas 22h30

PC

Imagem: Google


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publicado por Paulo César às 18:11
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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011
Assombros de quem se busca

 

Fonte: Google

 

 

A ressonância vocifera no meu peito!

Grito o tempo e o modo

Expludo

Alcanço longe a distância e o eco

Desfaz-se na vastidão

Aluvião de cheia que se espraia,

Cambraia

Que adorna o corpo nu…

 

Onde vou levo a mensagem…

O labéu me acompanha!

Tamanha é a dor

Que no estertor da hora finita

Aquele que grita

Não grita

Recita o hino dos que nada podem

E explodem

Na vã glória de serem, um dia,

Manhã clara, lusco-fusco, magia

E um pouco mais que nada.

 

A fada que me fadou,

Morreu!

Quem sou eu?

 

 

Em 18.out.2011, pelas 11h10

PC


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publicado por Paulo César às 15:29
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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2011
O saber-me...

O lugar (fonte: Google)

 

 

Tão pouco sei

E o que sei é tanto

Que, no desencanto

De viver,

Nas horas aturdidas

Me encanto

Por sentir que sei

Da vida mil vidas

E do tempo o quanto

Me basta saber.

 

E se outro tanto soubesse

Nada saberia

De mais!

Só me entristece

A alegria

Dos que vivem brutais

Redondos e sincréticos

Num casulo de casmurrice

A desenhar a mesmice

Dos heréticos.

 

Sobe o sol no alto azul

E sucessivamente assim

Rola a vida, o tempo, a lei…

Olho a norte, rodo a sul

E quando dou conta de mim

Parece até que sonhei!

 

E bem sei!

Ah, como sei…

Amei!

Sempre amarei!

 

A vida, a urbe, a grei

E o que querendo descrever

Não sei

Falar! Sei apenas viver!

 

 

Em 29.Jul.2011, pelas 11h40

PC


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publicado por Paulo César às 01:28
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Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010
Despojamento...

Tela by "W. Kandinsky" (imagem obtida na net)

 

Destoutra arte de ser

Nada sei,

Nada sou,

E escrevo nos silêncios as palavras malditas,

Como se sangrasse

As lágrimas e o suor em bagas.

 

Do acaso nasci e, por acaso,

Encontrei nas veredas

Os lagartos verdes

E os besouros,

Que sibilaram, sem tréguas,

O zumbido das dores

Caladas.

 

Onde irei, se os passos me levarem

Adiante?

Na verdade, que mal sei ou desconfio,

Distingo sombras e negrumes,

Onde arvoro farrapos de sonhos

E esconjuro fantasmas,

Cinzelando medos e superstições.

 

Grito tão calado que me dói

Saber que o sopro soprado não se expande,

Não se espraia,

Não explode no côncavo dos sítios,

A ganhar espessura de eco ou trovão!

 

Exaspera-me a voz que não é,

A força que não será,

O sonho que foi…

Este que sou não sou!

Sou este outro que não sei…

Metade da metade que não é unidade,

Nem será equação ou avo…

Serei um tudo nada!

Quem sabe… Poeta?

 

 

Em 08.dez.2010, pelas 00h15

PC

(inspiração com Álvaro de Campos)


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publicado por Paulo César às 00:48
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Domingo, 5 de Dezembro de 2010
Demencial

Tela da autoria de "Kandinski" (Imagem obtida na net)

 

Não te sei e canso de indagar…

Rasgo o véu e alcanço o devir

numa quietude doentia

a que me agarro na queda!


Destruo a inércia e assumo

que nada posso…

Esvazio o que farei ainda,

para sucumbir antes de ser

a folha amarelecida que cairá sofrida

no esquecimento chão!


Morro na ausência do ser

outro ou nada!

Nego linhas, augúrios e presságios

que se erguem do caos

erigindo amnésias

e submundos…


Tudo é tão cru de sons

que resvala para o insípido,

como se apenas restasse todo o tempo

na forma de um memorial!

O infinito toca-me

como se fora uma super nova!


by PC, em 23.Nov.2010


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publicado por Paulo César às 04:42
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Quando te encontrarei em mim? (Alma...)

Tela de "Frank Lloyd Wright's" (imagem obtida na net)

 

Pesquisei onde suspeitei que estarias

E até nos lugares onde nunca foste,

Como se encontrar-te fosse uma promessa!

 

Nos filamentos do meu orgulho

E nas saliências do meu abandono

Inscrevi o teu nome a ferro e fogo…

 

Perguntei por ti a quem passava,

Afixei anúncios em letra desenhada,

Gritei nas ruas, sob cada arcada…

 

Inquiri o vento pelas madrugadas,

Com voz furiosa castiguei o silêncio

E até às nuvens mandei recado!

 

Ansiei que chegasses ao nascer d’alva

E, inquieto, fiquei de atalaia,

Mas adormeci na espera e de cansaço.

 

Desenhei nas sombras húmidas as tuas

Faces de filigrana e maquilhei de sonhos

A realidade de cada um dos dias pardos…

 

Sobre a cama, com lençóis de linho,

Estendi meu corpo desamparado e frio

A segredar uma dormência que te chamava…

 

Na impertinência do desassossego fiz preces,

De joelhos no chão confrontei o meu deus,

A pedir explicações para a tua demora…

 

E pelas avenidas largas, onde a chusma se rebela,

Mirei cada face a procurar o teu rosto de tela,

A descobrir os trejeitos dos teus passos miragem!

 

Onde foste que não encontro, na imanência

Dos lugares que foram tão intensamente nossos,

A aura com que te pintei na minha memória?

 

Sorvo cada pingo de céu para sentir-te aqui,

Mas se te evadiste de ti própria, anjo ou demónio,

Quando te encontrarei em mim,

 

Saudade que sobra

A castigar-me o desencanto?

 

by PC, em 23.Nov.2010


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publicado por Paulo César às 01:09
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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
Monólogo comigo mesmo


Tenho-te no pranto

dos meus olhos-mar,

na solidão serena

das minhas mãos-âncora,

na luz rebelde, quente,

dos meus olhos-sol,

na loucura toda

do meu corpo-chão

 

e o quase nada que sei

de ti

aprendi nos trilhos amargos

dos dias breves,

na insolência repetida

das questões por responder,

no refúgio escancarado

das palavras que semeio,

a tentar, a repetir, a insistir

na sementeira do amor.

 

E o que não conseguir

deixarei ainda

no rasto indelével dos meus passos

perdidos

para que alguém o tome

nos braços nus

e, hasteando, na incongruência da dor,

o pendão das descobertas,

saiba alcançar os lugares onde sonhei ir,

para partir de novo e sempre

na busca de si mesmo

entre a multidão de tantos.

 

Bate coração!

E mesmo no último momento

grita,

pois (tu sabes) a morte é o lado nocturno

da vida!

 

E o temor não é razão

para recusar a teimosia

do passo seguinte!

 

 

by Paulo César, em 05.Out.2009, pelas 15h30


sinto-me:
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publicado por Paulo César às 15:54
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Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009
Incerteza

 

No rasto que ficou depois de ti

nasceu uma sardinheira

vermelha

de perfume intenso,

que eu sorvo compulsivamente,

ao cair da tarde,

até ficar vazio de saudade!

 

Já não sei se me doi

a tua inusitada perda

ou se me anima

o perfume vagaroso

que me espera

a cada regresso...

sem pedir nada em troca!

 

by Paulo César, em 12.AGO.09, pelas 13h00

 

 


sinto-me: perdido
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publicado por Paulo César às 13:10
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Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Por acaso...

 

Por acaso é ao acaso
Ou o acaso só acontece
Pela força da teimosia?
 
A solidão é, por acaso,
A mesma face da dor?
É, por acaso, a saudade
O reflexo claro do amor?
Que explicação para a luz
Que, por acaso, irradia
Dum sorriso sem tamanho
À luz do sol do meio-dia?
 
E quando me prostro rendido
Numa oração que não digo
É por caso que sinto
Ser capaz do destemor
De tudo dar, corpo e alma,
E nu, assim, e mendigo,
E despojado, e liberto,
Achar no pó do deserto
O tesouro do amor?
 
Que mãos buscam, tacteando,
Corpos cegos, harmonia?
Que olhos abertos, enxergando,
Só vêem trevas, agonia?
Que sentimentos mal sãos
Aprisionados pelo ódio
Transmudam em pedras as mãos
Que antes se davam luzentes,
Elos, cadeias, correntes
Onde a paz livre se achava
No abraço que se dava
A todo o homem ser igual,
- Quartzo, gema, pérola, cristal,
Lágrima vivaz, alegria,
Poema, bouquet de magia,
Princípio e fim… Que sei eu! -
E, sob o vasto azul do céu,
Todos cabiam no pódio:
 
Raso, chão, horizontal, plano,
Terra a terra, apenas humano!
 
Será tudo isto por acaso?
  
by Paulo César, em 23.Jun.2009, pelas 22h30

sinto-me: interrogativo
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publicado por Paulo César às 09:00
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