Domingo, 25 de Abril de 2010
...Terra da fraternidade...

 

“…Terra da fraternidade,

O Povo é quem mais ordena,

Dentro de ti, oh cidade…”

 

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Ainda os gestos

Ainda as gargantas e o grito

Ainda os sonhos e a certeza

Ainda a terra, o pão, a justiça

Ainda os olhos rasos de água

Ainda a alegria

 

Ainda as estrofes do hino que ficou

Que ficará

Ainda a convulsão e o desassombro

Que nos empurra

Ainda a maré cheia de gente

Num chão de luta

Ainda o futuro tão longe

E o passado tão denso

Ainda o presente sombrio

E um país por construir

 

Ainda a cor que inundou corações

E floresceu entre Abril e Maio

Ainda as vozes que cantaram

“Trova do vento que passa”

Ainda o punho ao alto

Ainda o coro das vozes unidas

“O povo unido jamais será vencido!”

A plantar esperança em janelas

Ao som duma alvorada irrepetível

Ainda nós, sempre nós,

E um cravo rubro a tingir

De comoção e felicidade

“Os filhos dos homens que não foram meninos”

 

Ainda Abril, em todos os dias do ano…

Ainda Maio, em todas as memórias da vida!

Para sempre, Viva!

“A Liberdade está a passar por aqui…”

 


by Paulo César, em 25.Abr.2010, pelas 16h00


sinto-me: feliz e grato
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publicado por Paulo César às 16:45
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2007
Carta aberta para um capitão de Abril

Caro amigo, companheiro, camarada! Estimado Capitão de Abril!



Que importa a forma como te cumprimento, se quero mesmo é dizer-te: olá!

Dizer-te que estou aqui a recordar os dias quentes, daquela Primavera de cores inimagináveis, como se de uma autêntica paleta de mestre se tratasse, e a pensar comigo, em surdina, que ainda não fomos capazes de te agradecer, como tu mereces que te agradeçamos.

De facto, no frenesim da descoberta, na pressa da magia, no envolvimento dos acontecimentos diários, contínuos,  ingentes, acabámos por dar como adquirido que a "Liberdade estava a passar por aqui" e ia ficar, que "o povo é quem mais ordena" e seria capaz de arregaçar as mangas, que em "Maio, maduro Maio" outro seria o tempo e melhor o espaço e em uníssono haveriamos de alcançar o sonho.

Perdoa-nos, arquitecto da nossa Democracia, do nosso Desenvolvimento e da nossa Descolonização, o nosso esquecimento colectivo. Devemos-te o empenho, a entrega, a ousadia, a aventura da Liberdade!

Hoje falamos muito, de tudo, sem peias, sem medos, sem fantasmas ou ouvidos algozes nos cantos, as esquinas, na sombra insidiosa. Exprimimos os nossos credos e as nossas indiossicrasias. Chegamos a ser cruéis com a liberdade de que gozamos!
Estamos a criar o hábito medonho e feio do bota-abaixo! Apontamos o dedo, avaliamos as atitudes alheias, gizamos ideias, concebemos tácticas e estratégias, mas quedamo-nos na conveniente atitude de esperar que aconteça, que alguém faça, que alguém dê o mote, para voltarmos a ser críticos, carrascos, algozes da disponibiliddade, do desassombro, do voluntarismo.

A nossa pequenez agiganta-se! O nosso provincianismo assusta-me! Eça e Ramalho tinham razão nas suas destemidas "Farpas"!

Por isso, estimado Capitão, aproveito esta data para te dizer clara e frontalmente:
        OBRIGADO!

Precisamos cada vez mais da tua coragem, do teu destemor, do teu desapego ao poder, da tua simplicidade de gente boa!

Será que perdemos a capacidade de ser um povo de arrojados empreendimentos?
Será que já demos todos os mundos ao mundo?
Acaso seremos nós, na terra luminosa da "Ocidental Praia Lusitana" os "vencidos da vida"?

Estimado Capitão de Abril, ainda sinto o eco das vozes em coro gritando, a plenos pulmões, que o "Povo unido jamais será vencido"! Ainda ressoa nos meus tímpanos a cantata sublime da "Grândola, vila morena"! Ainda tremo ao ouvir o som da marcha que antecedia a leitura dos comunicados do MFA, religiosamente escutados nos rádios de pilhas que enxamearam todos os cantos do nosso país naquele dia 25, de sol!

Hoje, mais velhos e mais calejados, já não nos movem sonhos impossíveis, mas continuam vivas e presentes as ideias de transformação, tendo por objectivo uma maior equidade na distribuição da riqueza, uma educação de qualidade, uma saúde para todos, uma justiça que o seja sem subterfúgios, num país onde os portugueses sejam pessoas de bem, abertos ao mundo, à paz, ao desenvolvimento e ao progresso.

Não deixei de acreditar! Mas precisamos cada vez mais de braços para dar corpo à obra!
Vamos conseguir? Fica a interrogação...

Deixo-te um abraço fortissimo de gratidão! Bem hajas!
Acredita que te estimamos, amigo, companheiro, camarada!
Acredita que não esquecemos o teu gesto nobre, estimado Capitão de Abril!


by Paulo César, em 25 de Abril de 2007
à memória de Salgueiro Maia, português, capitão e homem
 

sinto-me: grato

publicado por Paulo César às 21:48
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Tanto futuro



Foram tantos braços ao alto,
tantas mãos fazendo V,
tantas gargantas abertas
lançando gritos ao céu.

Tantos olhos rasos, rasos,
duma alegria incontida,
tantos passos sem canseira
no trilho novo da vida.

Tantas cantigas cantadas
como um clamor de vitória,
tantas ruas, tantas estradas
que nos levaram à glória.

Tantos medos que ficaram
pelas esquinas libertas,
tantas portas aferrolhadas
que passaram a estar abertas.

Tantas palavras nascidas
do novo tempo de ser
português de corpo e alma
neste país  a renascer.

Tantos dias  que nasceram
depois de noites e dias
em que tudo aconteceu
numa sucessão de magias

Tantos sonhos, doces, doces,
como se sonhar já fosse
uma nova forma de estar...

Tanto futuro a brotar
das vontades, das ideias,
que as ruas andavam cheias

desses futuros audazes...
E passados que foram os anos
será que fomos capazes
de evitar novos enganos?

by Paulo César, em 25.Abril.2007, pelas 20h00


sinto-me: grato
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publicado por Paulo César às 20:10
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