Quarta-feira, 13 de Setembro de 2006
Farrapos... (II)

 

     De poeta a escritor:

tudo um pouco e... quase nada!

Era um tipo grande, alto, esguio, de 65 quilos, olhos castanhos, cabelos ondulados, barba crescida de três anos, apenas aparada periodicamente. Amante da música, da arte, do desporto, do mundo, da vida, de tudo, afinal! Habitante do planeta Terra, humano de carne e osso, sonhador por natureza, idealista de pés no chão, trabalhador sempre, prestável a toda a hora.

Não haviam barreiras impossíveis, problemas intransponíveis, questões irresolúveis para quem, como ele, era portador da calma, da serenidade, da coerência, da paciência tantas vezes quase miraculosamente conseguidas.

Nele tudo eram projectos, tão sensacionalmente reais e palpáveis que era impossível desdenhar deles ou olhá-los sobranceiramente. Eram possíveis, sempre... mas sempre, por este ou aquele irrelevamte motivo, irrealizáveis. Entravam-nos na alma, electrizavam-nos os sentidos, monopolizavam-nos o ser e, por entre os penhascos e os precipícios da vida, abriam estradas planas de certezas e pontes largas de esperanças.

Nunca os seus projectos foram metades, partes de um todo, corpos mutilados ou diminuidos. Tinham, pelo contrário, vida própria, capacidade interior, forças intrínsecas. Mereciam vencer, tornar-se, nos seus lábios filósofos de verdades clarividentes, slogans de multidão. A multidão a quem dirigia sempre, não como um chefe, mas como um elemento seu, uma partícula da sua seiva, um átomo minúsculo, microscópico, do seu sangue, sempre vivo, circulante, acelerado.

Ficou-lhe nas fraldas do seu primeiro dia de vida sob a luz do sol o orgulho sorumbático e o "spleen" enjoado dos homens com "teres e haveres" ou simplesmente "senhores do seu nariz".

O orgulho nele era o que lhe fazia ruborescer o rosto quando alguém lhe dirigia um obrigado que ele sabia merecer, mas que preferia ouvir doutra forma. Queria sempre ser capaz de o descobrir esforçadamente, lutando por conhecer as palavras que os actos encerram nos silêncios de cada um.

 

By Paulo César, em Nov/Dez.1980


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publicado por Paulo César às 04:03
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