Domingo, 28 de Novembro de 2010
Versejando - XXVII

 

Desisti de ser o balão

Que sobe no ar

Soprado pelo furor dum vento agreste

Que me sacode e me viola

Até à alma!

 

Desisti de ser a sombra

Que se arrasta pelo chão

Submissa como o mais dócil cão,

Sem latir e sem rosnar,

Inútil na ponta duma trela!

 

Desisti de ser a voz que acalma

O grito de quem ergue

A razão e o desassombro

Em palavras escavadas à força

Na turbulência do desassossego!

 

Desisti de ser

Outro que não eu mesmo!

E quando me perguntarem quem sou

Arremessarei o silêncio

Que estrondeará mil imagens

 

E outras tantas sílabas paridas

Nos destroços duma eugenia mórbida

Sob um manto de estrelas nuas

Que salpicam de luzeiros

As pútridas noites da criação!

 

Serei apenas arrátel

Ou quem sabe ínfima partícula

Que se acolhe na oblíqua pertença

Do indómito crer-se por si

Imortal ou… eterna!

 

 

Em 28.Nov.2010, pelas 23h45

PC


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publicado por Paulo César às 00:04
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