Sexta-feira, 9 de Abril de 2010
Ambientes

 

Pelas praças largas

deambulam os olhares

vazios

de gente ausente

e dos beirais suspensos

caiem gotas de chuva

lavada

tal como o suor pelas faces

dos atletas.

 

Um barco vai

arroteando as águas

como charrua na terra mansa

e, em coro,

um magote de crianças

lança um estribilho feliz

como se anunciasse a taluda.

 

Ruas perdidas levam ao silêncio

e um raio de sol perfura

a carcomida vidraça

por onde uma velha espreita quem passa

fechada sobre a sua mudez.

 

Há beijos em lábios carmim

e sorrisos em olhos extasiados.

A lua cheia pendura-se sem pudor

por cima da janela vazia

e quando a chuva pára de cair

nos beirais suspensos,

as praças abrem os braços

e espreguiçam o tédio.

 

Só o barco teima lavrar as águas

enquanto os putos adormecem

um sono tranquilo

que os ajuda a crescer

como se o futuro fosse já

e nada mais valesse a pena.

 

Em 26.Mar.2010, pelas 15h15

PC


Palavras chave: , , , , ,

publicado por Paulo César às 16:06
link do post | comentar | Adicionar às escolhas
|

Janeiro 2016
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


Sobre mim
Pesquisar neste blog
 
Posts recentes

O NATAL POSSÍVEL

N A D A

A melhor maneira de amar,...

Amor platónico

Do alto da minha janela

Só por amor

As minhas asas

Alter ego

Talvez...

Auto-dissecação

Arquivos
Palavras chave

25 abril(3)

alegria(5)

amizade(4)

amor(32)

Análise(3)

angustia(3)

asas(5)

busca(14)

desejo(5)

dor(4)

esperança(9)

eu(5)

futuro(6)

gratidão(10)

grito(5)

homem(4)

interrogação(4)

introspecção(8)

liberdade(11)

luta(3)

luz(4)

memória(7)

morte(5)

murmúrio(6)

natal(3)

natureza(4)

olhar(3)

paixão(7)

palavras(10)

passado(3)

paz(4)

poema(5)

poemas(35)

poesia(148)

saudade(17)

sentimentos(3)

silêncio(10)

sonho(21)

terra(4)

vida(5)

todas as tags

Ligações
Participar

Participe neste blog

Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds