Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009
Dores que o Natal carrega

Carrego as palavras

como anjos de algodão

desnudados da vergonha

ou da ingratidão

 

arrasto à força desejos

de paz e bem querer

como se todo o futuro

não fosse acontecer

 

repito sem cessar

este grito de revolta

por tudo quanto doi

e anda por aí à solta

 

afago o olhar mortiço

dos putos da rua toda

é que neles perdeu o viço

a festa, o riso, a boda!

 

e evito a voz amarga

dum velho da beira rua

que se crava como adaga

em mim, sonhador da lua!

 

e o meu riso é minha dor

e a minha dor um punhal

que se afunda com fragor

nesta quadra de Natal!

 

que entre luzes e filhós

da familia que se irmana

há tantos e tantos, tão sós,

na sua condição infra-humana!

 

oh presépio do amor,

oh cabana simples de luz

onde estás tu, oh Senhor?

onde mora teu espírito, Jesus?

 

seguem as horas e os dias

noites frias, chuva e neve,

e depois das alegrias

que sobrará que nos leve

 

a buscar outro caminho

que nos faça ser capazes

de dar alma ao coração

destes tempos tão vorazes?

 

Neste tempo, nesta época, nesta quadra, onde o peso dos sem peso sopesa e muito nas nossas atitudes, talvez valesse a pena tomar um caminho novo, que não passa por seu outro, mas passa por ser diferente.

Diferente perante si mesmo, perante os outros, perante a sociedade e perante a vida!

Diferente, para melhor, tendo presente que a mudança terá que ser radical e definitiva!

 

Talvez assim possamos festejar o próximo Natal sem a obrigação de ser Bom!

 

FESTAS FELIZES A TODOS OS QUE SENTEM QUE VALE A PENA APOSTAR NUM NATAL DIFERENTE!

 


sinto-me: angustiado como sempre no Nata
Palavras chave: , ,

publicado por Paulo César às 13:12
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2 comentários:
De Utopia das Palavras a 24 de Dezembro de 2009 às 00:09
Olá amigo

Quanta realidade, quanta verdade desenhada no teu poema. Ainda tanto Natal para construir!

Desejo-te uma quadra tranquila e um excelente Ano Novo!

Abraço


De rosafogo a 5 de Janeiro de 2010 às 22:43
Olá
Será problema nosso? Eu também sempre me sinto angustiada e sem vontade, ansiosa que passe a data,
aflige-me o buliçio das pessoas, parece que o mundo vai acabar. Eu falo até pelos meus, que tendo algumas dificuldades se perdem nas compras.
Depois pensar que o Mundo está do avesso, que há tanta gente uns na guerra, outros com fome, frio,
maus tratos, sem tecto.
Desejo muito como tu que possa vir a ser diferente,
oxalá.
Hoje vim ler,
já tinha saudades, mas nunca é tarde, mesmo atrasada
te quero desejar um Bom Ano.

beijinho
natália


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